28 agosto, 2016

ALBUM AFONSO COSTA. Lisboa, Tipografia Moderna, 1912. In-8.º (22,5cm) de 30, [14] p. ; [3] f. il. ; B.
1.ª edição.
Album de homenagem a Afonso Costa, concebido e publicado pouco tempo após a revolução de 5 de Outubro, em clima de grande entusiasmo e fervor republicano. Reúne um vasto conjunto de testemunhos de conhecidas figuras republicanas, admiradores do estadista, com "pensamentos e juízos críticos sobre a obra política do valoroso autor da lei da separação das igrejas do Estado."
Ilustrada com três estampas extratexto: o retrato do homenageado da autoria de Cristiano de Carvalho, e duas fotogravuras do tinteiro artístico concebido por João da Silva, e entregue a Afonso Costa na sessão solene na Sociedade de Geografia em 17 de Setembro de 1911.
"Ilustre cidadão:
A vossa extraordinaria obra politica, tão vasta, tão profunda e tão humana, é o produto d'uma superior organisação mental e revela altissimas qualidades de estadista e de reformador poderoso, ao mesmo tempo que põe em scintilante destaque o patriota ardente, que estremece o seu paiz, para o qual procura um logar entre as nações cultas, livres, dignificadas pelo trabalho e por uma moral sã.
Caracterisadamente democratica, essa obra realisa as mais queridas aspirações do povo revolucionario, que vos tributa um entranhado amor, porque em vós vê o supremo defensor dos bons principios republicanos, em cuja defeza sempre haveis lutado sem entibiamentos nem hesitações. E tem razão o povo: ele vê-vos sempre grande, sempre audaz, sempre nobre e epico nas pugnas em prol dos ideaes para cujo triunfo se fizeram as jornadas de 4 e 5 d'Outubro."
(excerto da mensagem da Comissão Organizadora)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa apresenta importantes falhas de papel na margem lateral da capa; a necessitar de restauro.
Raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
20€

27 agosto, 2016

BELLAMY, Eduardo - D'AQUI A CEM ANNOS. Traducção de M. Pinheiro Chagas. Lisboa, Typ. da Companhia Nacional Editora, 1891. In-8.º (19cm) de [4], 322, [2] p. ; E.1.ª edição.
Romance futurista verdadeiramente espantoso, premonitório em muitos aspectos, noutros, "ligeiramente" utópico.
"É indispensavel explicarmos a contradicção em que se acha o titulo do livro com o prefacio do auctor. O interessantissimo romance de Edward Bellamy figura ser escripto no anno 2000, e d'este anno é portanto datado o prefacio. Por conseguinte intitula-se Looking backwards - Olhando para traz. Os americanos que conhecem o auctor, e sabem quaes são as suas idéas socialistas, e seguem nos jornaes a critica e a explicação do livro, não tinham que se espantar com o ex-abrupto do prefacio, que já é o comêço do romance. Nós, porém, precisamos de dar no titulo a idéa dos intuitos do livro, que é pintar a sociedade como o auctor entende que ella deve ser D'aqui a cem annos, e explicar ainda o motivo por que está o prefacio do auctor em contradicção com o titulo que o traductor poz no livro. É que esse prefacio se suppõe escripto pelo supposto auctor do livro, que é tão imaginario como o seu protagonista, Julian West, nascido e ressuscitado em Boston, cidade dos Estados-Unidos."
(Introdução, Duas palavras de introducção)
"Vivendo como vivemos no anno ultimo do seculo XX, gosando as bençãos de uma ordem social a um tempo tão logica e tão simples que parece apenas o triumpho do senso commum, não admira que aquelles, cujos estudos não se applicaram amplamente a assumptos historicos, se espantem de lhes dizermos que a actual organisação da sociedade tem, no seu todo, menos de um seculo de existencia. Pois não ha facto historico mais incontestavel do que o de existir quasi até o fim do seculo XIX a crença geral de que o antigo systema industrial, com todas as suas revoltantes consequencias sociaes, estava destinado a durar, talvez emfim com algumas insignificantes modificações, até o fim dos seculos. Como parece extranho e quasi inacreditavel o ter-se realisado uma tão prodigiosa transformação moral e material, como a que tem havido de então para cá, em tão breve intervallo! A promptidão com que os homens se costumam, como sendo as cousas mais simples d'este mundo, a melhoramentos nas suas condições de vida, que quando se sonhavam parecia que não deixariam nada a desejar, não podia ser mais vivamente exemplificada. Que raciocinio melhor se podia imaginar para moderar o enthusiasmo de reformadores que contam para sua recompensa com a eterna gratidão dos seculos futuros!
O objecto d'este volume é prestar um serviço áquelles que, ao passo que desejam formar uma idéa mais definida dos contrastes sociaes entre os seculos XIX e XX, se assustam com o aspecto maçudo das historias que tratam do assumpto."
(excerto do prefácio)
"Foi na cidade de Boston que eu primeiro vi a luz do dia no anno de 1857. «O que! dizeis vós, oitocentos e cincoenta e sete? É um curioso lapso. O que elle quer dizer é novecentos e cincoenta e sete, é claro.» Peço perdão, não ha engano. Foi cêrca das quatro horas da tarde de 26 de dezembro, do dia seguinte ao dia de Natal, no anno de 1857 e não de 1957 que eu primeiro respirei a briza leste de Boston, a qual, posso affirmal-o ao leitor, possuia n'esta remota data as mesma penetrantes qualidades que a caracterisam no presente anno da graça de 2000."
(excerto do Cap. I)

Index:
Duas palavras. Prefacio. I. O seculo XIX e o seculo XX - O côche social - O heroe e a sua noiva. II. O dia da condecoração - O dr. Pillsbury e o creado do Sawyer - Como o nosso heroe adormece. III. Como elle acorda - Um somno prolongado - O panorama de Boston. IV. Edith Leete e sua mãe. V. A questão do ttrabalho no seculo XIX e as suas resoluções no seculo XX. VI. O exercito industrial. VII. O voluntariado do serviço industrial. VIII. Um passeio matinal em Boston - Edith Leete. IX. A questão dos salarios. X. As lojas do seculo XX. XI. A musica no seculo XX - Os creados e os medicos. XII. As promoções no exercito industrial - A bibliotheca do dr. Leete. XIII. As relações internacionaes - Os livros. XIV. Um restaurante no seculo XX. XV. A litteratura no seculo XX - O jornalismo - O romance. XVI. Aurora de amor. XVII. A producção e o consumo - As eleições. XVIII. A mocidade e a velhice no seculo XX. XIX. Os tribunaes e os crimes. XX. A visita no quarto subterraneo. XXI. A educação. XXII. A riqueza social. XXIII. Um mysterio. XXIV. Os anarchistas e o partido nacional. XXV. A condição das mulheres. XXVI. Um sermão. XXVII. Revelação. XXVIII. Realidade ou sonho.

Edward Bellamy (1850-1898). Foi um escritor norte-americano, socialista, mundialmente famoso pelo seu romance utópico de ficção científica «Looking Backward : 2000-1887» (1888), cuja acção decorre no ano 2000. Julian West – o personagem principal -, após um transe hipnótico, acorda numa sociedade socialista em pleno ano 2000.
Inconformado com as desigualdades que o sistema económico e social provocavam na sociedade americana do seu tempo, Bellamy protestou através da produção desta notável peça de literatura, best-seller na época. De acordo com Erich Fromm, Looking Backward é "um dos mais notáveis livros publicados na América".
Traduzido em mais de vinte línguas, influenciou a intelectualidade da época e apareceu nas listas bibliográficas de diversas obras marxistas. Os «Clubes Bellamy» espalharam-se por toda a América do Norte para discutir e divulgar as ideias do livro. Esse movimento político veio a ser conhecido como Nacionalismo, tendo inspirado várias comunidades utópicas.
Foi publicado em Portugal com o título D’aqui a cem annos (1891), com tradução de Manuel Pinheiro Chagas.
Pouco meses antes da sua morte, Bellamy publicou Equality (1897) – sequela da história futurista de Julian West, o seu protagonista em Looking Backward : 2000-1887, título que no entanto não viria a alcançar o sucesso do anterior.
Encadernação em meia de percalina com cantos, e com ferros gravados a ouro na lombada (em rótulo). Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinaturas de posse na f. anterrosto.

Raro e muitíssimo curioso.
55€

26 agosto, 2016

PORTELA, Severo - OS CONDEMNADOS. Lisboa, Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso, 1906. In-8.º (19cm) de [2], 222, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Capa: Desenho de F. Gouveia.
Interessante conjunto de crónicas, com particular relevo para uma narrativa dedicada à Coimbra estudantil, suas praxes e tradições - A Penelope coimbrã.
"Velho e relho aferrado á tradição que o vilipendia e reduz o anacronico pardieiro a culminar a augusta cidade do Mondego constitue dos perigos o mais ameaçador para a justa tranquilidade nacional.
Que eu saiba, não houve até agora mão audaz que se aventurasse a desalojar das cornijas dos Geraes a poeira medieva que lá se amontoa, - e por isso em cada austo que d'ali se alevanta, panica, noturna, crucita a todo o instante a alma lamentosa do rei fundador."
(excerto de A Penelope coimbrã)
Índice:
- A esmo. Os cavadores. - Barro e gloria. - As uvas brancas. - A Penelope coimbrã. - A forja. - Cidade de marmore. - O corcunda. - Mero incidente. - Bruxas. - Os inuteis. - A bondade do santo. - A quimera. - Mar Morto. - Mendigos. - Conto do Natal. - O Ribeirinho. - O pobre do Loreto.
Severo Portela (1875-1945). Natural de Cedofeita, Porto. Professor e escritor. Pai de Artur Portela (jornalista e escritor) e Severo Portela Júnior (pintor de mérito). Apesar da sua obra ser em grande parte desconhecida do público, publicou cerca de uma vintena de títulos, que vão desde estudos anterianos, romances e novelas, a uma monografia sobre a sua cidade natal - o Porto.
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado de conservação. Com algumas folhas soltas no interior do livro. Assinatura de posse e carimbo na f. rosto.

Muito invulgar.
15€

25 agosto, 2016

CHAVES, Luís - O AMOR PORTUGUÊS. O namôro : O casamento : A familia (estudo ethnografico). Lisboa, Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira, 1922. In-8.º (19cm) de 166, [6] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso estudo sobre o amor e a família. Com interesse para o cancioneiro popular português. Referências a Camilo e outros.
"Fala-se de amores, evoca-se o nacionalismo e com elle a familia.
A familia é a forma vincular da adaptação do homem ao tempo e ao espaço. Onde quer que o homem viva e aonde chegue, elle procura por tendencia natural constituir familia, e só a má fortuna, ou o mau conselho, que tudo espedaça e perverte, a pode afastar do seu ambiente e fundamento basilar, desmanchando-a na essencia instintiva e logica. [...]
A familia nacional é assim. Simples em seu viver, serena em tanta singelêsa e admiravel no pittoresco do lar, ella principia e annuncia-se sempre a cantar.
[...]
Tudo assim bello e delicado na sentida e natural expressão da familia portuguêsa, que as proprias boccas portuguêsas proclamam á eternidade, é bem digna de notar-se a lição de nacionalismo, que ellas nos fazem ouvir."
(excerto da introdução)
Matérias:
1ª Parte - O NAMORO: I - O "Derrêtte". II - Os Santos Casamenteiros. III - Simbolismo Amoroso.
2ª Parte - O CASAMENTO: I - Preliminares. II - A Noiva. III - A Casar. IV - Depois.
3ª Parte - O LAR DA FAMILIA: I - A Casa. II - Em Familia. III - Os Filhos.
Luís Rufino Lopes Chaves (1889-1965). "Nasceu em Chaves, em 9 de Maio de 1889 e faleceu em Abril de 1965. Formou-se em Matemática pela Universidade de Coimbra e também em Arqueologia e Etnologia, para além de ter frequentado as Faculdades de Direito e de Letras. Foi professor do ensino secundário e particular, e também leccionou a oitava Cadeira (História de Arte e Iluminura). Ficou conhecido, principalmente, como etnólogo, graças à quantidade de artigos em jornais e revistas e também aos livros que escreveu. Foi sócio de muitas associações de grande nível cultural, quer nacionais quer estrangeiras. Colaborou em: O Arqueólogo Português, Revista Lusitana, Arqueologia e História, Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, Revista de Guimarães, Brotéria, Portucale, Alma Nova, Portugália, a Língua Portuguesa etc.. Publicou muitíssimos trabalhos literários, científicos e profissionais, destacando se O Amor Português : estudo etnográfico, em 1922."(fonte: www.dodouropress.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos. Vestígios de humidade nas primeiras páginas, junto ao corte inferior do livro.
Invulgar.

15€

24 agosto, 2016

100 ANOS : SOCIEDADE MUSICAL E RECREATIVA UNIÃO SETUBALENSE. Fundada em 22 de Março de 1899. [Coordenação e texto de Luísa Araújo]. [S.l.], [s.n. - SIG - Soc. Ind. Gráfica, Lda, Camarate], 2004. In-fólio (31cm) de 352, [4] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
Monografia sobre a União - popular agremiação setubalense - em esmerada edição de prestigio, certamente com tiragem reduzida, comemorativa do seu centenário. Impressa em papel de superior qualidade e muito ilustrada a p.b. e a cores na maioria das páginas que compõem a obra.
Contém uma dedicatória de oferta assinada por um membro da direcção da Sociedade Musical.
"Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense, história na história de Setúbal e do nosso país. Uma história que acompanhou o que de melhor e o que de mais terrível viveram os trabalhadores, o povo, as instituições. Uma história sempre mais recordada de alegrias, de orgulhos por aquilo que é seu e é de todos.
Episódios. Contam-se alguns e muitos outros ficam por contar. Quantos se perderam no tempo? As pessoas não são eternas e não pensaram que um dia alguém se lembraria de as recontar. Conhecem-se trabalhos que sistematizam elementos da história da União. Agora é a União Setubalense que escreve a sua própria história, tal como foi prometido na Sessão Solene do 1.º Centenário.
A pesquisa que apresentamos tem agora este ponto de chegada e ele próprio é um ponto de partida."
(excerto da introdução - 100 anos de história contada)
Índice:
- Introdução : 100 anos de história contada. - Setúbal no século XX. - Origens, Constituição e Apresentação do SMRUS. - Estandartes. - Sócios. - Estatutos. - Corpos Gerentes. - A Banda. - O Hino. - Sedes. - Pela União uma grande embaixada da sublime arte do canto. - Relações entre colectividades. - Bailes. - Música na União. - Grupo Cénico. - Círios e outras festas religiosas. - Solidariedade e Beneficência. - A Marcha da União. - Danças de Salão e outras Modalidades Desportivas. - Aniversários. - Ficha Técnica.
Encadernação cartonada do editor reproduzindo partitura antiga sobre fundo branco.
Muito invulgar.
20€

23 agosto, 2016

MOTTA JUNIOR, José Carlos - MEMORIA HISTORICA DA VIRGEM SANTISSIMA IMMACULADA NOSSA SENHORA DO SAMEIRO. Por... Braga, Imp. Commercial, [1904]. In-8.º (22cm) de 16 p. (inc. capas) ; B.
1.ª edição.
Raro e interessante subsídio para a história do Santuário do Sameiro, publicado por ocasião do cinquentenário da Definição Dogmática da Imaculada Conceição. Inclui um poema inédito - No monte Sameiro.
Na capa: Invulgar fotogravura de época do Santuário.
"A ideia de levantar o monumento á Virgem Immaculada de Nossa Senhora da Conceição na serra do Sameiro foi iniciada pelo Padre Martinho e Padre Manoel, capellão no Bom Jesus do Monte, ao declinar do sol em passeio áquelle formoso local. [...]
Iam os dois sacerdotes de caminhada subindo a alpestre serra do Sameiro, e a sua conversação incidiu sobre o formosissimo horisonte que d'ali se alonga: eis que o Padre Martinho exclama:
Existe em Roma na Piaza de Hespagna, em frente da Propagande Fide, um monumento levantado por Pio IX em honra da Immaculada Conceição, que está colocada sobre uma magnifica columna de marmore, a estatua da Virgem. Em França, na cidade de Puy sobre a rocha Cornelia.
Não seria possivel levantar n'este local um monumento á Virgem da Immaculada Conceição?, pois seria uma empreza que muito concorreria para gloria de Deus e culto da Virgem Immaculada. Ao mesmo tempo testemunharia ás gerações vindouras a dedicação e zelo dos portuguezes pelas glorias da Virgem Immaculada Padroeira do Reino que El-Rei D. João IV mandou jurar este seu privilegio na Universidade de Coimbra."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Sem registo na BNP.
15€

22 agosto, 2016

GOMES, A. Luiz - PRESENÇA DE ALBERTO MAC BRIDE. Conferência realizada na Sala Nobre da LIGA DOS COMBATENTES DA GRANDE GUERRA em 29 de Abril de 1953. [Prefácio de Júlio Dantas]. Lisboa, [s.l. - imp. nas Oficinas gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Lda., Lisboa], 1953. In-4.º (25,5cm) de 57, [7] p. ; [8] p. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem a Alberto Mac-Bride, médico português que integrou o C. E. P., em França.
Obra ilustrada em separado com fotogravuras de diversas ocasiões em que esteve presente o homenageado.
"Dois sentimentos me conduziram a esta nobre Casa-Lar dos Combatentes da Grande Guerra - o sentimento de enternecida devoção que por ela sempre sentiu a figura ilustre que procurarei descrever, e o meu próprio sentimento - de respeitosa gratidão como português pela acção meritória e heróica daqueles que combateram denodadamente nas Terras da Flandres e na nossa querida terra de África - nossa Pátria também. [...]
Mas mais do que o amor de Mac Bride à Liga, explica e impõe que neste recinto se fale dele, da sua vida e da sua obra, do seu exemplo e das suas virtudes é o espírito de combatente, através de tudo - na mocidade, na vida prática, no meio social!
Quando o dever militar o chamou para se incorporar no Corpo Expedicionário Português a França, nenhuma dúvida, nenhuma perturbação, nenhuma hesitação passou pelo seu espírito e pela sua alma! [...]
Partir para a guerra, reunido a outros médicos distintos, camaradas e amigos, não podia deixar de ser grato ao seu patriotismo, ao seu modo de pensar, ao seu carácter!"
(excerto da Conferência)
Alberto Mac-Bride (1886-1953). "Nasceu em Lisboa a 11 de Setembro de 1886. Formou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1909), tendo feito nessa altura uma notável dissertação sobre o síndrome de Litle. Fez parte do CEP (1917-1919), como adjunto dos serviços de saúde do QGB foi destacado nos hospitais militares ingleses, canadiano e como chefe de cirurgia no hospital da base n.º 1 em Ambleteuse.
Foi director da Associação dos Médicos, Membro do Conselho Geral da Ordem dos Médicos (1939-43) e Presidente da Direcção Central da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Condecorado com a Medalha Militar de Ouro de Serviços Distintos em Campanha; a Medalha de Prata de Campanhas do Exército Português, a Medalha da Vitória Military Cross, o Grau de Cavaleiro da coroa da Bélgica e comendador da Ordem de Santiago."
(fonte: ihc.fcsh.unl.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas com manchas de humidade, que se prolongam pelo corte superior ao longo do livro.
Invulgar.
10€
Reservado

21 agosto, 2016

CASTRO, Antonio G. F. de - ALGUMAS REFLEXÕES ACERCA DA PENA DE MORTE E DA INDISCIPLINA MILITAR. Serie de artigos publicados em 1872 no Jornal do Commercio e em 1874 no Jornal da Noite. Pelo... Primeiro tenente d'Artilheria N.º 1. Collecionados e edictados por uma commissão de officiaes do exercito. Lisboa, Typographia Lisbonense, 1874. In-8.º (18,5cm) de 110, [2] p. ; [1] f. desd. ; B.
1.ª edição.
Opúsculo publicado por uma comissão de oficiais do exército, camaradas de armas de Crisóstomo da Silva, alferes de Infantaria N.º 4, assassinado a sangue frio por um soldado do seu batalhão horas depois de o ter repreendido. O autor do presente trabalho reivindica a aplicação da pena de morte para este e outros casos similares. O produto da venda do livro seria entregue à família do infeliz alferes, procurando deste modo mitigar as dificuldades provocadas pelo seu desaparecimento.
Este caso relançou a discussão sobre a pena de morte, na sequência de diversos casos graves de indisciplina militar. Recorde-se que, apenas alguns anos antes, em 1867, a pena capital para crimes civis havia sido abolida em Portugal (para crimes políticos, desde 1852), mantendo-se em vigor apenas na justiça militar.
"Noticiando a confirmação da sentença, que condemna á morte o soldado de infanteria n.º 4, que assassinou o alferes Chrysostomo da Silva, dizia o Diario de Noticias de 13 do corrente mez o seguinte:
«Se o poder moderador não commuutar, como é de suppôr, aquella sentença, teremos em breves dias um fusilamento em Portugal. Não é, porém, provavel que el-rei consinta que no anno de 1872 pereça ás mãos dos seus camaradas um soldado portuguez, embora condemnado á face da lei militar por um crime, que repugna á disciplina e á humanidade.»
Não contentes os singulares philantropos d'esta nossa terra em ter levado o poder legislativo a riscar do Codigo Penal a pena de morte, querem tambem levar o poder moderador a annullar o que na applicação d'ella ordenam as leis militares. [...]
Depois que Victor Hugo pôz o seu genio ao serviço dos ladrões, dos incendiarios e dos assassinos - em quanto elles lhe andarem longe da familia e da fazenda - todos os poetas lyricos, para quem o ideal é o seu mundo, todas as insignificancias litterarias, philosophos do rés do chão, acercando-se d'aquelle vulto, julgando assim dar relevo á propria individualidade, fizeram escola e propaganda a favor da inviolabilidade da vida do assassino, negando á sociedade o direito de legitima defeza. [...]
Basta pois que a sociedade, punindo hoje de morte, salva ámanha uma victima, para que ella não deva hesitar um instante em trocar pela vida do assassino a vida preciosa do cidadão prestante, do militar honrado, do laborioso chefe de familia, do pae, amparo dos filhos, do filho, amparo dos paes, das fracas mulheres, das creanças innocentes.
Mas não! Para victimas, tantas e tantas, espremeis a custo uma lagrima, para seus algozes choraes copioso pranto! [...]
Mas, dizei-me: em que principios de equidade se funda o vosso pedido? Qual é a attenuante no crime, que auctorise a attenuante na pena? Sabeis a historia da tragedia? Escutae-a!
Na manhã do dia do crime fôra o soldado reprehendido pelo alferes, na marcha para a missa, porque apanhando as pedras do caminho, as arremeçava aos seus camaradas.
Regressou ao quartel, desarmou-se e saiu. Voltando mais tarde começou a execução do projecto que concebera. Tomou a carabina, carregou-a, dizendo - «Vou para a caça, e hoje hei de trazer caça grossa» - e partiu.
Procurou o alferes; viu-o conversando á porta d'uma casa, de costas voltadas; parou na rectaguarda d'elle, apontou a arma, desfechou e fugiu. Á grita, que se levantou, correram os soldados, perseguiram-o e prenderam-o. Mandou o sargento do destacamento carregar armas. Julgou o assassino que o iam fusilar e prostou-se por terra implorando a vida, o covarde! [...]
Quereis a abolição da pena de morte no fôro militar?
Pois bem, continuae a vossa missão; elevae esse monumento á vossa gloria; amassae-lhe a argamassa com o sangue das victimas; e quando coroardes a vossa obra, gravae-lhe os vosso nomes, cumplices d'assassinos!"
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
30€

20 agosto, 2016

SILVA, Dr. Eduardo - CURAS MARAVILHOSAS. Realizadas pelo... Estados Unidos do Brazil. S. Paulo, Typographia da Industrial de S. Paulo, 1899. In-4.º (23cm) de 238, [2] p. ; [2] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada no texto e em separado.
Conjunto de reflexões e testemunhos explicativos das curas milagrosas operadas por Eduardo Silva, súbdito inglês, natural de Gibraltar (n. 1843). Engenheiro de minas de profissão, chegou ao Brasil em 1891. Aplicou curativos desde muito novo a membros da sua familia por meio de "fricções ou fomentações"; entusiasmados com a sua "arte curativa", alguns amigos incentivaram-no a abrir consultório em S. Paulo, Brasil, algo que viria a realizar em 1894, com sucesso assinalável.
"Quem não terá ainda ouvido fallar nesta capital do homem que cura sem intervenção de medicação de qualidade alguma, e sem outro meio que não seja o de passes fuidicos sobre os enfermos.
De dia a dia cresce sua influencia, tão mais notavel e admiravel, que não é só nas classes ignorantes mas muito proninciadamente nas camadas sociaes de preparo intellectual sufficiente ppara ajuizar dos factos observados que não se tracta de um especulador, mas de um homem extraordinario cujo poder desconhecido se manifesta incontestavel pelas innumeras curas que tem realisado."
(Dr. Eduardo Silva, por Matheos da Silva Chaves Junior)
"De boamente accedo ao honroso convite de traçar algumas linhas que sirvam para apresentação deste opusculo.
Limitar-me-ei a pouco mais do que mencionar o objectivo da sua publicação.
Não traz ella a pretenção de um systema e, ainda menos, a de um corpo de doutrina; visa modestamente a archivar subsidios de regular importancia para um estudo que já começa, finalmente, a ser feito pelos homens competentes.
Como verá o leitor, as paginas que se seguem registram, em sua primeira parte, sob a responsabilidade de nomes conhecidos, alguns ensaios para a explicação dos estranhos phenomenos therapeuthicos operados nesta capital, analogos, quanto a sua natureza, a outros que têm ultimamente attrahido a attenção de notaveis investigadores scientistas. [...]
Tenho para mim que alguns dos factos produzidos são o resultado therapeutico dos proprios fluidos do Dr. Eduardo Silva; outros, porém, são consequentes da poderosa faculdade mediaminica, de que elle é dotado.
Taxem, embora, de mystica ou derisoria em fface da sciencia positiva, essa hypothese é a unica que póde explicar de modo comprehensivel e satisfactorio todos os factos a que nos temos referido, e que, sem ella, continuarão a ser problemas impenetraveis e insoluveis."
(Introducção, por J. L. de Almeida Nogueira, Lente cathedratico da Faculdade de Direito de S. Paulo)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa frágil com defeitos - alguns escritos e falhas de papel. Sem contracapa.
Raro.
20€

19 agosto, 2016

PACHECO, Luiz - MANO FORTE : dezassete cartas de Luiz Pacheco a António José Forte. Transcrição e apresentação de Bernardo de Sá Nogueira. [Lisboa], Alexandria, 2002. In-8.º (19,5cm) de 168, [8] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Ilustrada com fac-símiles da correspondência em página inteira, ao longo do livro.
Desta primeira edição de MANO FORTE [dezassete cartas de Luiz Pacheco a António José Forte, transcritas e apresentadas por Bernardo de Sá Nogueira], edição Alexandria, fez-se uma tiragem de mil exemplares sobre papel Renovaprint de 90 g., numerados de 1 a 1000, e uma tiragem especial de cento e trinta exemplares sobre papel Renovaprint de 120 g., cartonados, assinados pelo autor, dos quais cem numerados de 1 a 100, e trinta, reservados a bibliófilos e numerados de I a XXX, com estojo e encadernação em tela. Impressão e acabamento nas oficinas gráficas da Editorial Minerva, no mês de Fevereiro de 2002.
Exemplar da tiragem especial (43/100), assinada pelo autor.
"Imagens escritas, traçadas à máquina e à mão em carta e postal e enviadas, entre 1961 e 1966, pelo editor-escritor Luiz Pacheco, de Lisboa, Cacilhas, Almoinha (Santana - Sesimbra), Macieira (Sertã), Porto, Setúbal e Caldas da Rainha, ao poeta António José Forte, em Vieira do Minho, Tomar, Portalegre e Santarém; onde se fala da vida (altos, baixos, ramerrame), dos amores, dos amigos e dos inimigos, da escrita (de uns e de outros), de livros, folhetos, postais (lidos, escritos, publicados) e da edição como forma de guerra (principalmente pela sobrevivência), talvez ccom sonhos de fama ou outros, mas tentando sobretudo agarrar o dia a dia - com (ou sem) pessoas, sonhos, vinho, lecas, miragens, textos; textos fortes feitos de  palavras fortes, ao serviço de ideias fortes."
(apresentação)
"Nos anos em estudo, António José Forte dirigia uma biblioteca do Serviço Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian. [...]
Ao longo de todo o período em questão, só muito raramente Luiz Pacheco se esquece de enviar cumprimentos a Amélia, mulher de António José Forte.
Nesta época Luiz Pacheco viveu sucessivamente com duas irmãs - Maria do Carmo (1959-1962) e Maria Irene Matias (1962-1967) -, mães dos seus filhos Luís (n. 1959) e Adelina Maria (n. 1961), a primeira, e Paulo (n. 1963), Maria Eugénia (n. 1964) e Jorge (n. 1965), a segunda.
Em 4 de Outubro de 1961, LP tinha um quarto na Rua Almirante Barroso, 7-1º, "só para este mês. Claro!" (carta II). Regresso a uma rua com recordações, onde vivera alguns anos antes, em meados de cinquentas, no número 44-6º esquerdo. Tudo perto da Estefânia da sua meninice.
Aí LP diz ter quatro empregos. 1 - revisor-chefe na Seara Nova: 2 - revisor-paginador-chefe na Revista Portuguesa de Economia e Finanças; revisor-literário-chefe na Editorial Livros do Brasil; 4 - revisor-aprendiz no jornal "O Século". Três deles, porém, seriam mais empregos em perspectiva que outra coisa: "de todo este grande futuro, só comecei ainda a trabalhar na Seara". Menos de um mês depois, em 1 de Novembro (carta III), informa AJF que perdeu em Lisboa "os empregos todos, com certa alegria"."
(excerto da nota prévia)
Luiz Pacheco (1925-2008). Escritor, editor, polemista, epistológrafo e crítico de literatura português. "Era capaz das loucuras mais desapiedadas, mas também de actos de grande generosidade. Pessoa cheia de contrastes e incoerências, tinha uma enorme facilidade para relacionar-se com os outros e, depois, para cortar relações. Impulsivo e inconstante, aparecia e desaparecia de repente. Capaz de prescindir de tudo e de começar do zero, durante anos viveu em pensões manhosas, de onde muitas vezes era expulso por falta de pagamento. Era um especialista em dívidas e em não as pagar. Conheceu a miséria, o vício e a degradação. Gostava de estar perto dos marginais e das ovelhas ranhosas, porque com aqueles que não têm nada a perder conhecem-se melhor os labirintos da alma humana. Fundador da Editora Contraponto, conhecia bem o campo da edição e o meio das Letras, onde fervilhavam as intrigas e as capelinhas, e contra tudo isso lutou, recusando-se a participar na engrenagem dos manejos literários. Desmascarou os falsos prestígios e maltratou alguns intocáveis da cultura. Alguns viam Pacheco como um apocalíptico, um herdeiro da tradição dos grandes inconformistas. Mas foi simultaneamente um produto do próprio meio literário. Capaz de aparecer nu no meio do Montijo ou de pijama no Largo do Carmo, no 25 de Abril, em torno de Luiz Pacheco criou-se uma lenda, histórias e boatos que circulavam e que quase nunca se incomodou em desmentir, porque, como alguém disse, essa era a melhor forma de chegar a génio."
(www.fnac.pt, apresentação da obra Puta Que os Pariu - A Biografia de Luiz Pacheco)

Encadernação editorial em tela revestida com sobrecapa de protecção, impressa com uma fotografia de Luiz Pacheco da autoria de Luís Ochôa.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
65€

18 agosto, 2016

GUSMÃO, Lapas de - VISÃO DA GUERRA. Lisboa, Emprêsa Nacional de Publicidade, 1932. In-8.º (19cm) de 302, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"Ninguem pretenda ver nêste livro intuitos que êle não tem, mas simplesmente o que êle é: um pedaço arrancado à vida de campanha, em França, durante a Grande Guerra."
Índice:
I - Em vesperas. II - A entrada. III - O rancho na primeira linha. IV - A primeira ronda. V - Uma noite de clube. VI - O fuzilado. VII - Atribulações de dois alferes de linha. VIII - Uma patrulha como muitas. IX - A «censura». X - Na defesa. XI - De regresso de licença. XII - Em repouso. XIII - Durante o jantar. XIV - De volta à trincheira. XV - O morteiro pesado. XVI - No apoio. XVII - No ataque. XVIII - A batalha. XIX - Depois... XX - No solo da Pátria. XXI - E para quê?
Joaquim Lapas de Gusmão (1886-1962). “Jornalista, escritor, Combatente da Grande Guerra em África e França, condecorado com a Cruz de Guerra. Colaborou nos jornais A Pátria, do Porto, e na Capital, Lucta, O Intransigente, O Século e Diário de Notícias, de Lisboa. Publicou entre outros, os volumes «Visão da Guerra», «A Guerra no Sertão», em que descreve o que viu em França e África, o drama em 3 actos «O Mutilado», a tragédia em um acto «Uma noite» e o ensaio filosófico «Matéria e Vida»."
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas cansadas com defeitos. Contracapa apresenta falha de papel no canto superior esq. Escrito parcialmente removido na f. anterrosto.

Muito invulgar.
Com interesse histórico.

Indisponível

17 agosto, 2016

LEITÃO, Fernando Rodrigues - O CUMPRIMENTO DAS PENAS NO ULTRAMAR PORTUGUÊS. Luanda, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia Angolana], 1968. In-8.º (19,5cm) de 158, [10] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo sobre o sistema prisional Ultramarino. Monografia ilustrada no texto com fotogravuras de diversas instituições prisionais.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"Há anos escolheramos para dissertação de licenciatura um tema subordinado ao estudo dos Serviços Prisionais no Ultramar. Esta tarefa permitiu, a conselho de pessoas amigas, que agora pudessemos publicar o presenta trabalho. Para isso serviu-nos de base o estudo referido que foi remodelado com um novo capítulo, dando-se-lhe um novo arranjo com certas alterações que sofreu, e actualizando-o com a mais recente legislação em vigor. [...]
A nossa época é essencialmente adequada à meditação do valor dos territórios em relação à Metrópole. Uma época de perfídia política, em que se faz tudo para desagregar nações, dá azo para pensar na importância das parcelas Ultramarinas em relação à Mãe Pátria."
(excerto do preâmbulo, Palavras prévias)
"Não nos é fácil estudar e citar as penas que do respectivo direito consuetudinário todos os diversos povos, que habitam o solo pátrio ultramarino, aplicavam. Mas poderemos formar uma ideia revelando as penas que alguns povos utilizavam.
Geralmente, no direito gentílico, as penas principais são a morte, a escravidão, as indemnizações, as penas corporais, o desterro, a maldição, as violências e as penas menores."
(excerto da Introdução, I - Referência histórica sobre a evolução da pena)
Matérias:
Palavras prévias. INTRODUÇÃO: I - Referência histórica sobre a evolução da pena. II - O crime. Factores sociais que influem  na delinquência. A individualização das penas.
O ESPÍRITO SOCIOLÓGICO NO REGIME DAS PRISÕES: I - O serviço social nas prisões. Tutela - Importância da técnica do Casework Social. - O Sistema conhecido pela Probation.
O TRANSPORTE DE CONDENADOS: I - O degredo em Portugal: passado e história. II - As duas correntes opostas de opinião sobre o degredo.A colonização penal. III - Extinção do degredo e criação de estabelecimentos especiais no Ultramar. IV - A Reforma Prisional e a Lei Orgânica do Ultramar, de 27 de Junho de 1953. A Reforma Prsional (Decreto-Lei n.º 26 643, de 28 de Maio de 1936. V - Extensão da Reforma Prisional ao Ultramar. O Decreto-Lei n.º 39 997, de 29 de Dezembro de 1954. VI - Aspectos especiais do problema prisional nas Províncias da Guiné, Angola, Moçambique, Timor e Estado da índia. VII - Construções prisionais. VIII - O trabalho prisional. IX - Classificação de delinquentes. X - Legislação recente.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas e lombada sujas, com defeitos. Últimas folhas com sinais de humidade.
Raro.
Indisponível

16 agosto, 2016

LOPES-VIEIRA, Affonso - «MARQUES» (Historia d'um perseguido). Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1903. In-8.º (19cm) de 164 p. ; B.
1.ª edição.
Romance revelador da faceta anarquista do autor à época. No ano seguinte, em 1904, traduz um conhecido texto de Kropotkine - Á Gente Nova.
"Publicado em 1903, Marques (Historia d’um perseguido), de Afonso Lopes Vieira, revela-se um texto de enigmática singularidade no percurso literário do então jovem autor, o que talvez explique que João Gaspar Simões, defendendo que a novela «no género, e para a época, (...) é uma obra-prima», logo acrescente, desalentado, que «aí ficará ela até aos nossos dias ignorada de todos».
(fonte: http://www2.dlc.ua.pt/classicos/modernidade.pdf)
Sobre esta obra, diz-nos ainda João Gaspar Simões: "Raúl Brandão, Patrício, Mário de Sá-Carneiro, Almada, o próprio Almada da Engomadeira, mestres da ficção portuguesa da primeira metade do século, foragidos do realismo, avatares da ficção em que o real se torna poético, como que foram beber a esta fonte oculta da novelística nacional. O "Marques", de Afonso Lopes Vieira, é uma obra prima do género".
"Marques não era Marques: - era Marcos. Mas toda a gente lhe chamava Marques!
Marcos soffrêra com salivações amargosas na bocca esta corrupção do seu nome, e com uma vontade de lhes bater, nelles - a quem ninguem estragava os nomes.
Mas não batêra nunca...
- Adeus, oh Marques!
Ficára Marques para todo o sempre."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. anterrosto. Capas apresentam picos de acidez.
Raro.
Indisponível

15 agosto, 2016

KROPOTKINE, Pedro - Á GENTE NOVA. Versão de Affonso-Lopes Vieira. Lisboa, Livraria Editora: Viuva Tavares Cardoso, 1904. In-8.º (19cm) de 31, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Exortação à juventude do russo Piotr Kropotkin - célebre ideólogo do movimento anarquista mundial -, em versão traduzida por Afonso Lopes Vieira, ilustrativo de um aspecto menos conhecido da vida do poeta português.
A tradução do folheto de Kropotkine, cujas cópias subsistentes o autor tentou posteriormente recolher, é legitimada algo parodicamente: «Não tenho que me envergonhar. De resto, essa brochura explica-se ainda por uma paixoneta que tive pela sobrinha de Kropotkine que conheci em Paris. Não me arrastou ela até Londres?».
"É á gente nova que eu hoje quero falar.
Que os velhos, - os velhos de coração e de espirito, - ponham de parte, pois, esta brochura, para não fatigarem inutilmente os olhos com uma leitura que nada lhes dirá.
Supponho que vos aproximaes dos dezoito ou vinte annos; que acabastes agora a vossa aprendizagem ou os vossos estudos; que ides entrar na vida. Tendes, creio eu, o espirito desembaraçado das superstições que procuraram incutir-vos; não temeis o diabo e não ides ouvir curas e pastores. Sobretudo, não sois janotas, tristes productos de uma sociedade moribunda, que passeiam nas ruas as suas calças á moda e as suas faces de macacos, e que nesta idade não teem já senão appetites de gozo, custe o que custar...; acredito, pelo contrario, que tendes o coração muito no seu logar, e eis porque vos falo.
Uma pergunta, sei-o bem, a vós proprios fazeis:
- Que vou eu ser?"
(excerto do Cap. I)
MEDINA, João - AFONSO LOPES VIEIRA : anarquista. Introdução e notas de... Lisboa, Edições António Ramos, 1980. In-8.º (21cm) de 97, [3] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo de João Medina sobre a faceta anarquista de Afonso Lopes Vieira. Ilustrado com um retrato do poeta.
"A evolução estético-ideológica de Afonso Lopes Vieira, a sua marcada inflexão conservadora, embora inconformista e sempre anti-salazarista, tendem a fazer esquecer a especial atmosfera um tanto nihilista, para não dizer libertária, que rodeia as suas primeiras produções literárias, nomeadamente um estranho livro invulgar que publicou em 1904, a novela «Marques». Colega e amigo do anarquista e bombista Alberto Costa, o Pad Zé coimbrão, com ligações de amizade e até profissionais com o tipógrafo e revisor anarquista Alexandre Vieira, tradutor de Kropotkine, o autor de Náufrago deixou-se fortemente impregnar por uma especial atmosfera finissecular composta de nihilismo, toslstoísmo, acracia e certas ideias eslavas muito em voga, que parece estar na base do seu romancezinho de 1904. Empenhado posteriormente em valores de casticismo e de «reaportuguesamento» anti-republicanos e, em geral, antidemocráticos, sequaz moderado das hostes do Pelicano, que ele mesmo, num banquete de homenagem a Sardinha, definira como «antiquários fanáticos», Lopes vieira deixa transparecer na sua obra de 1904, escrita quando tem ainda apenas vinte e sete anos e publicada no mesmo ano em que traduz Kropotkine, um ideário que só muito dificilmente se imagina conjugável com o do poeta e critíco que se empenhava em restituir à língua portuguesa o Romance de Amadis, dos Lobeiras, e a Diana de Jorge de Montemor, ao mesmo tempo que colaborava na revista Lusitânia e militava com crescente ardor contra a República, a ponto de se ver prisioneiro por algumas horas no Governo Civil, em 1921, por via dum poema Ao Soldado Desconhecido, de intenções claramente hostis à atitude política que ditara a nossa entrada na guerra de 14-18 ao lado das nações aliadas."
(excerto do Cap. II, A tentação anarquista)
Matérias:
I - Afonso Lopes Vieira anarquista: 1 - Estreia literária. 2 - A tentação anarquista. 3 - A novela eslava «MARQUES». 4 - Humilhados e ofendidos. Notas. II - Antologia: Da novela «MARQUES»: 1 - O nascimento de «Marques». 2 - O lusco-fusco lisboeta. 3 - A cidade do terramoto. 4 - Os sonhos do corcunda. 5 - Os varredores. 6 - Deus e os humilhados. 7 - O sonho de Marcos. 8 - Conto de Natal. Do livro de poemas «AR LIVRE»: 9 - À Cruz. Do «CONTO DE NATAL»: 10 - Um Pobre fala a Jesus.
Exemplares brochados em bom estado de conservação.
Invulgar conjunto.
Indisponível

14 agosto, 2016

GRAVE, João - FOGUEIRAS DE SANTO ANTÓNIO : cantares. Porto, Livraria Chradron de Lélo & Irmão, L.da, 1920. In-12.º (13cm) de 106, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Dedicada pelo autor "Ás môças da minha terra - Para cantarem nas danças".
Interessante obra de João Grave, por ventura, das menos conhecidas da sua extensa produção literária.

"Não procures subir alto,
Modera as tuas canseiras:
Há, muitas vezes beleza
Mesmo nas ervas rasteiras

A pomba que tu me envias
Vem pousar à minha beira
Trazendo o beijo da paz,
Como um ramo de oliveira.

É um destino ditoso,
O das pombas, afinal!
Já fôram as mensageiras
No Dilúvio universal"

(I, II e III)

João José Grave (1872-1934). “Foi um escritor e jornalista português. Autor de obras de ficção, crónica, ensaio e poesia. Como jornalista chefiou a redacção do Diário da Tarde e colaborou nos jornais Província, Século e Diário de Notícias e em vários órgãos da imprensa brasileira. Foi director da Biblioteca Municipal do Porto e dirigiu o dicionário enciclopédico Lello Universal. A nível literário, esteve inicialmente próximo dos naturalistas, notando-se influências de Emílio Zola. Depois enveredou pelo romance de costumes.”
Encadernação simples, cartonada, com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada cansada. Sem f. anterrosto.
Raro.
20€

13 agosto, 2016

NAVARRO, Arlete Lopes - FLORBELA OU A VITÓRIA DA BONDADE. Lisboa, Editorial Globo Limitada, 1942. In-8.º (18cm) de 170, [6] p. ; il. ; B. Col. Narrativas Infantis, II
1.ª edição.
Conjunto de três novelas de cunho histórico-lendário, dirigido aos mais jovens.
Livro belissimamente ilustrado no texto e em página inteira.
"No lindo palácio dourado do Rei Florentino, havia uma grande festa! Realizava-se a cerimónia da apresentação da princezinha às fadas que a iriam baptizar.
De todos os lados partiam gargalhadas e risos alegres, que, convergindo numa onda de alegria, espalhavam-se pelos salões. E o eco dessas risadas ia soar ao ouvido da populaça, dispersa pelo parque, que, numa gritaria ensurdecedora, repetia a mesma frase, proferida já, um incalculável número de vezes:
- Viva a princezinha!...
(excerto de A vingança da Fada-Negra)
Contos:
- Florbela ou a vitória da Bondade. - A Gruta Misteriosa. - A vingança da Fada-Negra.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas sujas. Vestígios antigos de humidade nas f. de guarda e de anterrosto.
Invulgar.
Indisponível

12 agosto, 2016

PRISCA : narração historica do reinado de Claudio : primeiro seculo da era christã. Traduzido do italiano. Rio de Janeiro, B. L. Garnier, Livreiro Editor : Paris, E. Belhatte, Livreiro, 1879. In-8.º (18cm) de [4], XI, [1], 448, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico sobre Santa Prisca, mártir do século I da nossa era. Desconhece-se a identidade do autor, assim como do responsável pela tradução. A Biblioteca Nacional não tem catalogado nenhum exemplar na sua base de dados.
"A vida que escolhemos em primeiro logar, he a da Virgem Martyr S. Prisca, nobre Romana, descendende da nobre familia cujo nome herdou; familia não só senatoria, mas consular, tendo mesmo seo Pai duas vezes desempenhado cargo durante o imperio, ella teve a fortuna de ser baptisada pelo Principe dos Apostolos e primeiro Santo Pontifice, S. Pedro. Soffreu o martyrio, talvez mais cruel do que nenhuma outra Virgem depois padecesse, e na tenra idade de treze annos.
Duas causas decidiram esta escôlha, ambas plausiveis. A primeira que se infere da historia e monumentos que nos restão, he ser ella a Protomartyr não só de Roma, mas da Igreja Romana. O que dá logar a descrever o principio desta Igreja á universalidade dos fieis agora ignorantes, os costumes gentilicos de Roma, e o contraste com os dos Christãos primitivos; de que resulta sobresahir melhor o heroismo desta Menina, que foi depois o exemplo das illustres virgens que floresceram nos tres seculos seguintes, as Bonosas, as Cecilias, Martinhas, Domitilias, Ignez, e outras semelhantes, e não teve Prisca antes de si exemplo que seguir. [A segunda causa tem que ver com o desencanto do autor por, em Roma, não estar assinalada a igreja de Santa Prisca e, encontrado o monumento, ter constatado a sua degradação.].
Conservaremos a excatidão historica; e referiremos os factos como então se passaram, e quando faltarem documentos individuaes, nos cingiremos aos geraes daquella epocha, sendo certo que a Protomartyr, podemos dizer a Primogenita da Igreja Romana, teria escrupulósamente executado as leis ecclesiasticas então em vigor."
(excerto da introdução)
"A 24 de Janeiro havia tres dias que Roma inteira exultava em festas e rogozijos por causa das honras de Augusto. Jogos, divertimentos, corridas, torneios, espectaculos de gladiadores, combates de féras, distribuição de pão, de dinheiro, outras dadivas havião embriagado a feroz plebe romana. O amphitheatro erigido expressamente para a festa, apezar de mui extenso, na ultima manhã estava todo cheio. Cedo entrou Augusto Caio Caligula, com séquito de senadores e libertos, contra seo costume, mostrava-se jovial e affavel; estrondósos vivas e palmas o acolhêram."
(excerto do Cap. I, Scenas de Roma (Era christã anno XLI))
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
15€

11 agosto, 2016

OLIVEIRA, Augusto Soares de - METRALHADORA VICKERS BERTHIER DE 7mm,7. Descrição. Organização dos Serviços e Combate. [Por]... Primeiro tenente. Lisboa, Imprensa da Armada, 1930. In-8.º (16,5cm) de 64, [2] p. ; [10] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo técnico sobre a Metralhadora Vickers 7mm,7.
Ilustrada com desenhos esquemáticos nas páginas de texto e com 10 estampas em separado, uma delas, em folha desdobrável.
"O fornecimento de metralhadoras ligeiras Vickers à Brigada de Artelheiros da Armada em 1926, levaram-me ao estudo desta arma, das condições do seu emprêgo e da sua adaptação à nossa marinha.
Resumiu-se êste estudo a uma méra curiosidade e possivelmente a uma aplicação dos princípios nos regulamentos que decerto iriam aparecer sôbre o emprêgo  dêste armamento, novo para a armada.
Própriamente sôbre espingardas metralhadoras, e a Vickers é uma espingarda metralhadora, não encontrei referências desenvolvidas nos livros citados [cuja lista é divulgada no interior], mas deduzi deles tudo que me pareceu adaptável a esta arma."
(introdução)
Metralhadora Vickers Berthier de 7mm,7 : descrição
"Compõe-se esta metralhadora das seguintes partes: Cano, caixa da culatra e dos maquinismos, culatra móvel, aparelho imflamador, extractor, ejector, aparelho motor, alimentador, maquinismo de repetição, aparelho de segurança, aparelho de pontaria, coronha e acessórios."
(excerto da descrição da arma)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse datada na f. rosto. Capa apresenta pequenas falhas de papel no terço superior, junto à lombada.
Raro.
20€