26 abril, 2017

OS AÇORES, A I GUERRA MUNDIAL E A REPÚBLICA PORTUGUESA NO CONTEXTO INTERNACIONAL : Angra do Heroísmo | Ponta Delgada | Horta : 4 a 8 de abril - ATAS DO COLÓQUIO INTERNACIONAL. [Ponta Delgada], Governo dos Açores : Presidência do Governo : Direção Regional da Cultura, 2012. In-8.º (22,5cm) de 492, [4] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada nas páginas do texto reproduzindo desenhos, pinturas e fotogravuras da época.
"Só a entrada na guerra permitiu à República Portuguesa a sua consagração internacional e fê-la participar na Conferência de Paz de Paris em 1919 como potência vencedora, a última vez que tal aconteceu. Por muito discutíveis que tivessem sido os motivos para o empenho militar na guerra ao lado dos Aliados, houve um objectivo que se manteve sempre claro e constante: a República Portuguesa ganhava assim o direito a participar na conferência de Paz que regularia a organização da sociedade europeia e mundial.
A política, primeiro, e a historiografia subsequente depois, erigiram a manutenção das colónias como o grande objectivo da entrada na I Guerra Mundial. Porém, a história da participação portuguesa na Conferência e Paz de 1919, demonstra que foram sobretudo objectivos de carácter económico e financeiro que guiaram a delegação portuguesa em Paris, primeiro presidida por Egas Moniz, ministro de Sidónio Pais, e depois de Março por Afonso Costa. Entre esses objectivos contam-se: a participação no Conselho Executivo da SDN, o pagamento de reparações e indemnizações de guerra por parte da Alemanha, a distribuição da tonelagem da sua marinha mercante, o perdão da dívida de guerra contraída, - ou, pelo menos a ligação do seu pagamento à liquidação das reparações por Berlim - junto da Banco de Inglaterra no valor de 22 milhões de libras. [...]
Os Açores, perdida a centralidade que a I Guerra Mundial trouxera e restaurado o isolacionismo norte-americano logo depois da paz, debatiam-se, enfraquecidos internacionalmente no fim do regime republicano parlamentar pela autonomia e pelo regionalismo. E não bastava a Madeira querer..."
(excerto da conferência de abertura, por José Medeiros Ferreira)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

25 abril, 2017

GAMEIRO, E. da Silva - ASTRONOMIA NÁUTICA. Pelo capitão de fragata... antigo professor da Escola Naval, professor da Escola Náutica. Lisboa, Edição do Autor, 1964. In-8.º (22,5cm) de 97, [16] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Muito ilustrada com tabelas, fotogravuras e desenhos esquemáticos.
Exemplar n.º 1630 de uma tiragem não declarada.
"A Astronomia é um dos mais velhos, progressivos e aliciantes ramos da Ciência.
O mistério do Cosmos, manifestando-se no deslumbrante espectáculo da sucessão dos dias e das noites e na beleza incomparável do firmamento, atraiu desde sempre a imaginação dos homens. Eles conceberam sucessivas teorias tendentes a explicar o complexo movimento dos astros, num constante desejo de conhecer mais profundamente o que se passa para além do planeta em que habitamos.
Sem o conhecimento das leis que regem esses movimentos não teria sido possível sequer ao Homem explorar a Terra e deslocar-se em segurança e precisão sobre a sua superfície. [...]
A Astronomia, ciência que estuda os astros, apresenta um campo extremamente vasto de problemas e de conhecimento e pode ser portanto abordada sob os mais variados aspectos.
A Astronomia Náutica, de que se ocupa o presente trabalho, confina-se ao estudo dos problemas de Astronomia que interessam à prática da navegação astronómica."
(excerto do Cap. I - Preliminares, Astronomia Náutica)
Índice:
1 - Preliminares. 2 - Coordenadas. 3 - Movimentos da Terra. 4 - Corpos celestes. 5 - Medição do tempo. 6 - Determinação da altura dos astros. 7 - Transformação de coordenadas. ANEXO - Extractos do Almanaque Náutico. Índice alfabético. 
Encadernação inteira de tela com ferros gravados a seco e a outo na pasta frontal e na lombada.
Muito invulgar.
20€

24 abril, 2017

MORAIS, Carlos de - BUARCOS. Figueira da Foz, Escola Gráfica, Abril de 1944. In-8.º (21cm) de [12] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de poesias sobre Buarcos, homenagem do autor a esta bonita vila piscatória do concelho da Figueira da Foz.
Opúsculo muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Carlos de Morais ao poeta Silva Tavares.
"Buarcos é uma terra encantadora que se olha sempre com deleite de alma. / Batida pela luz puríssima das alvoradas,lembra uma filigrana urdida por lavrante de amorosos geitos; aureolada pelos reflexos doirados dos poentes recorda um esmalte precioso, emoldurado por nuances de Arco-Irís onde o azul cobalto do mar predomina, realçando-lhe as belezas naturais."
(excerto do preâmbulo)
Exemplar brochado em bom esdtado de conservação.
Muito invulgar.
15€
Reservado

23 abril, 2017

BENSABAT, José Jacob - A VERDADE DOS FACTOS OCORRIDOS NA VILA DA ERICEIRA NA OCASIÃO DA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA. Por... ex-Delegado Marítimo do Porto desta Vila. Prefácio de Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão. [S.l.], Liga dos Amigos da Ericeira, [1990]. In-8.º (20cm) de VIII, 33, [5] p. ; [6] f. il. ; B.
Opúsculo publicado por ocasião do 80.º aniversário do embarque da Família Real na Praia dos Pescadores (Ericeira) rumo ao exílio; reproduz com fidelidade o texto editado originalmente em 1929.
Ilustrado com 6 fotogravuras extratexto.
"Umas vezes deturpada pelo facciosismo político e outras pela visão romântica do acontecimento, a partida do Rei D. Manuel II surge através de uma narrativa que procura ser fiel à verdade dos factos. Foi seu autor um dos personagens que teve um papel mais activo na preparação do embarque, por ser o delegado marítimo no porto da Ericeira. Funcionário adstricto ao Ministério da Marinha, coube a José Jacob Bensabat dar as instruções e executar as principais tarefas que se ligaram à condução da Família Real para bordo do iate D. Amélia. Mais do que uma testemunha verídica, ele foi a personagem central da complexa movimentação de que a Ericeira se tornou o cenário, com a partida para o desterro de um rei jovem e portador das maiores esperanças.
O opúsculo A Verdade dos Factos comprova uma série de factos que ao tempo foram postos em causa e que são da maior impirtância para compreender a atitude da Coroa face à revolução triunfante. Antes de mais, que D. Manuel II não pretendeu fugir às obrigações reinantes, ao contrário do que os seus adversários políticos então propalaram. Era intenção do Monarca dirigir-se à cidade do Porto, para ali arvorar o pendão da resistência à República nessa manhã aclamada nos Paços do Conselho da capital. O embarque da Ericeira não correspondeu, pois, a uma fuga às responsabilidades, porque traduzia uma forma de resistência que as circunstâncias posteriores, pela decisão do comandante do iate de seguir para Gibraltar, impediram de se concretizar. [...]
Muito haveria a referir sobre a importância da narrativa de José Jacob Bensabat que, no dizer de Jaime Lobo e Silva, autor dos Anais da Vila da Ericeira, «é o único relato verdadeiro do embarque da Família Real para o exílio». Em presença das muitas versões que então correram sobre o acontecimento, a maior parte delas sem qualquer veracidade, o antigo capitão do porto da Ericeira entendeu, em 1929, registar o seu testemunho de homem de consciência tranquila."
(excerto do prefácio)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

22 abril, 2017

RATTAZZI, Madame - L'OMBRE DE LA MORT. LE ROMAN D'ALINE. Par... Paris, Librairie des Bibliophiles, 1875. In-8.º (17,5cm) de 172, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Edição original de um livro de poesias de Maria Rattazzi, que entre nós ficou conhecida pela obra Portugal à vol d'oiseau (Portugal de relance) - "uma curiosa perspectiva do Portugal do final do século XIX, resultado da sua permanência e viagens pelo país. Uma obra que aquando da sua publicação foi responsável por uma verdadeira tempestade, na qual se envolveram, entre outros, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental e Ramalho Ortigão".
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa da autora.

"Immobile et muet, sous la roche escarpé,
Un Vieillard  est assis, près du gouffre entr'ouvert.
Sa tunique de lin, sévèrement drapée,
Reflète la blancheur se son front découvert.

Ce n'est pas Caliban, dont le souffle de flame
Sur les flots soulevés promène la terreur;
Ce n'est pas Ariel, que Miranda réclame
Quand il a de Neptune apaisé la fureur.

C'est la Génie aimé de cette solitude.
Il dompte le tempête; et, sûrs du lendemain,
Les matelots, qu'il guide avec sollicitude,
A travers les écueils se tracent un chemin.

L'Océan n'a pour lui ni secret ni mystère;
Son regard pénétrant plonge dans l'orizont;
Son esprit entrevoit les destins de la terre,
Et le doute jamais n'obscurcit sa raison."

(excerto de L'Ombre de la Mort, Cap. I)

Maria Rattazzi (1831-1902), cujo nome de família era Maria Letizia Studolmire Wyse, nasceu na Irlanda e era sobrinha-neta de Napoleão. Durante algum tempo adoptou o apelido do segundo marido, Urbano Rattazzi. Publicista, romancista, poetisa, autora de textos dramáticos e tradutora. Esteve em Portugal em 1876 e em 1879, onde conviveu com figuras do meio político e cultural. Após o seu regresso a França publicou o polémico Portugal à vol d'oiseau : portugais et portugaises (1879), com tradução para português no ano seguinte, em 1880.
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.

Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Peça de colecção.
45€
PINTO, Maia - O ESFORÇO MILITAR DE PORTUGAL NOS ÚLTIMOS MESES DA GUERRA (1914-1918). [Por]... (Tenente-coronel de Artilharia). Porto, Manuel Maia Pinto, 1960. In-8.º (19,5cm) de 104, [8] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Livro publicado pelo filho do autor em preito à memória de seu pai. Trata-se de um conjunto de crónicas de Maia Pinto publicadas no jornal republicano "O Norte", no decorrer do ano de 1919, e que dizem respeito à acção do 3.º Grupo de Bateria de Artilharia (G. B. A.), de que foi comandante, em França, durante os últimos meses de 1918.
Ilustrado com um retrato do autor em extratexto.
Edição em tiragem muito reduzida (200 exemplares).
"Quando as tropas portuguesas sofreram o violento embate alemão, em 9 de Abril, estavam em véspera e, pode dizer-se, já em vias de rendição. Creio que nenhuma tropa aliada se conservou tanto tempo seguido na linha como algumas das nossas.
Esta circunstância e a falta de oficiais e graduados tornou necessária a retirada total das nossas forças muito para a retaguarda a fim de se reorganizarem e reconstituírem. O desbarato e as perdas de 9 de Abril mais acentuaram essa necessidade.
Por deslocações sucessivas veio o C. E. P. a concentrar-se em Dévres (1.ª div.) e Samer (2.ª div.) e mais tarde em Ambeleteuse. [...]
Nos vastos areais se organizaram e instalaram os acampamentos de tropas que vinham chegando; os oficiais que puderam alugaram e instalaram-se pelas casas da vila.
Os alemães prosseguiram a sua grande e última ofensiva.
Detida ao norte pela resistência heróica no monte Kemel que lhe cortava o caminho Harzebrouck- Calais, suspensa na nossa antiga frente na altura em que estivera o quartel general do C. E. P. (St. Venant), prosseguia temerosa e inquietante em direcção de Amiens e Paris.
Esse período de dúvidas e ansiedade passaram-no as tropas portuguesas em Ambeleteuse.
Esse período de dúvidas e ansiedade passaram-no as tropas portuguesas em Ambeleteuse.
Para muitos foi um período de desespero vendo esfumar-se, olvidar-se e anular-se todo o nosso esforço, pela inacção absoluta em que nos encontrávamos. Esses sonhavam e esforçavam-se pela reconstituição de qualquer parcela que fosse representar na frente o nome de Portugal.
No meio do desnorteamento e depauperamento moral de Ambeleteuse, um grupo de boas vontades consegue reorganizar a 1.ª divisão portuguesa que via instalar-se na área onde tinham sido organizadas as nossas primeiras forças, antes de seguirem para as linhas, em 1917. Dessa 1.ª divisão fez parte o 3.º G. B. A., unidade que não sofrera as violências do 9 de Abril, por ter, como outros, sido rendida pouco antes daquele dia, mas que tinha já dado demoradas provas na frente."
(excerto do Cap. II, A acção do 3.º G. B. A. depois de 9 de Abril)
Índice:
Biografia. Ao Leitor. I - O esforço militar de Portugal nos últimos meses da guerra. II - A acção do 3.º G. B. A. depois do 9 de Abril. III - Preliminares da marcha. IV - O 3.º G. B. A. nas antigas posições da estrada de La Bassée. V - Nas linhas de Armentières. VI - Em perseguição. VII - A caminho da Bélgica. VIII - A mudança de posição. IX - A propósito de A acção do 3.º G. B. A. Uma carta do Dr. Eduardo Pimenta. X - Ainda o 3.º G. B. A. Respondendo à carta do Dr. Eduardo Pimenta. XI - Ainda a propósito do 3.º G. B. A. Outra carta do Dr. Eduardo Pimenta. Nota final da Redacção.
Carlos Henrique da Silva Maia Pinto (1866-1932). "Foi um oficial de Artilharia do Exército Português e político republicano do período da Primeira República Portuguesa que, entre outras funções de relevo, exerceu os cargos de deputado à Assembleia Nacional Constituinte de 1911, governador civil de Viana do Castelo (1914), ministro das Colónias (1921) e presidente do Ministério (primeiro-ministro), acumulando com a pasta de ministro do Interior (1921).
Nasceu no Porto, filho de Henrique Pinto, juiz da Relação do Porto, e de Carolina Amélia da Silva Maia Pinto. Depois de ter frequentado os estudos secundário no Liceu do Porto, frequentou os estudos preparatórios na Escola Politécnica de Lisboa e ingressou na Escola do Exército em 1886, na qual se formou como oficial de Artilharia no ano de 1892.
Ainda aluno da Escola do Exército já se revelara defensor dos ideais republicanos, participando activamente nas iniciativas da Liga Patriótica do Norte e nas manifestações nacionais de repúdio À cedência portuguesa às exigências do ultimato britânico de Janeiro de 1890.
Já oficial no activo, colocado em unidades militares do Norte de Portugal, entre 1894 e 1897 tomou parte em diversas conjuras fracassadas contra o regime da Monarquia Constitucional Portuguesa que se tentaram organizar naquela região na sequência da Revolta de 31 de Janeiro de 1891. Paralelamente colaborou com diversos periódicos republicanos, com destaque para O Povo, de Viana do Castelo, onde publicou violentos artigos antimonárquicos assinados com as iniciais M. P., mas cuja autoria lhe era já publicamente atribuída. Paralelamente, desenvolveu uma importante acção de propaganda republicana no interior dos quartéis por onde andou, secundado por outros oficiais e por sargentos e praças que com ele alinhavam.
Criou no Regimento de Artilharia n.º 5 um núcleo republicano que após a implantação da República Portuguesa foi instrumental para suster, sob o comando de Carlos da Maia Pinto, uma das tentativas de contra-ofensiva monárquica a partir do Norte.
Nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte que se realizaram em 1911, Carlos Maia Pinto foi eleito deputado, tendo participado nos trabalhos que levaram à aprovação da Constituição Portuguesa de 1911.
Entre 21 de Março e 5 de Setembro de 1914 exerceu as funções de governador civil do Distrito de Viana do Castelo .
No posto de tenente-coronel foi integrado no Corpo Expedicionário Português enviado para França no decurso da Primeira Guerra Mundial, tendo aí comandado uma bataria integrada com forças inglesas e francesas.
Atingiu o posto de Coronel.
A 17 de Maio de 1919 foi feito Comendador da Ordem Militar de Avis; a 28 de Junho de 1919 foi feito Comendador da Ordem Militar de Cristo.
Mantendo-se sempre na ala mais radical do movimento republicano, na sequência da "Noite Sangrenta" de 19 de Outubro de 1921, Maia Pinto, então com o posto de coronel, foi convidado para integrar o governo presidido pelo também coronel Manuel Maria Coelho, para a pasta de ministro das Colónias, mas não chegou a tomar posse. O governo então formado foi efémero, durando apenas 18 dias, tendo pedido a sua demissão a 3 de Novembro. Com a queda do executivo, coube a Maia Pinto assumir as funções de chefe do novo executivo que tomou posse a 5 de Novembro.
Novamente a instabilidade política, e em particular as repercussões do assassinado de Machado Santos, António Granjo e outros republicanos ocorrida na "Noite Sangrenta", que retiravam qualquer resquício de legitimidade ao governo, provocou uma rápida erosão da sua base de apoio e Maia Pinto foi obrigado a demitir-se a 16 de Dezembro, apenas 40 dias depois de ter tomado posse.
A 5 de Outubro de 1922 foi elevado a Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis.
Já na situação de reserva e a viver no Porto, em 1925 foi detido por participar num comité de apoio à Revolta de 19 de Julho de 1925, uma tentativa de sublevação com o intento de derrubar o Parlamento e forçar novas eleições, liderada por José Mendes Cabeçadas e Jaime Baptista."
(fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
25€

21 abril, 2017

GALLICO, Paul - THE SNOW GOOSE. By... Illustrations by Peter Scott. London, Michael Joseph, 1958. In-4.º (25cm) de 54, [2] p. ; [4] f. il. ; il. ; E.
Conhecida história infantil, múltiplas vezes reeditada, impressa em inglês - no original. Edição magnificamente ilustrada com bonitos desenhos no texto e belíssimas estampas em separado.
"The great Marsh lies on the Essex Coast between the village of Chelmbury and the ancient Saxon oysterfishing hamlet of Wickaeldroth. It is one of the last of the wild places of England, a low, far-reaching expanse og grass and reeds and half-submerged meadowlands ending in the great saltings and mud flats and tidal pools near the restless sea.
Tidal creeks and estuaries and crooked, meandering arms of many little rivers whose mouths lap at the edge of the ocean cut trough the sodden land that seems to rise and fall and breathe with the recurrense of the daily tides. It is desolate, uttery lonely, and made lonelier by the calls and cries of the wildfowl that make their homes in the marshlands and salting - the wildgeese and the gulls, the tteal and widgeon, the redshanks and curlews that pick their way trough the tidal pools. Of human habitants there are none, and none are seen, with the occasional exception of a wild-fowler or native oysterfishermen, who still ply a trade already ancient when the Normans came to Hastings."
(excerto do Cap. I)
Encadernação em tela com ferros gravados a prata na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Dedicatória manuscrita na f. anterrosto (não do autor).
Invulgar.
10€

20 abril, 2017

MACHADO, Herlander Alves - DESPEDIMENTO SEM INDEMNIZAÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE UM TRABALHADOR DO BANCO NACIONAL ULTRAMARINO EM 27.11.74 COM 25 ANOS DE SERVIÇO. Documentos. [S.l.], [Edição do Autor - imp nas Oficinas Gráficas Manuel A. Pacheco, Lda., Lisboa], [1974]. In-4.º (23cm) de 74, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Processo contra o autor - funcionário superior do B.N.U. durante 25 anos - que culminaria com o seu despedimento/saneamento sem qualquer compensação ou indemnização. Importante peça jurídica para a compreensão das relações laborais durante o período conturbado que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.
Herlander Alves Machado (n. 1927). Ingressou nos quadros do pessoal do Banco Nacional Ultramarino em 1 de Agosto de 1949. Licenciou-se em Letras (História e Filosofia) em 1955, completando em seguida o Curso de Ciências Pedagógicas de 1959. Foi professor do Ensino Técnico Oficial durante 12 anos.
Trabalhou, desde 1949, na Contabilidade, no Contencioso, na Inspecção do Continente e Ilhas, no Serviço de Estudos Económicos, na Secretaria Geral e no Serviço de Pessoal (onde permaneceu desde 8-1-68 até 7-6-74, apesar de ter formulado sucessivos pedidos para ser transferido para outras funções). Tendo obtido aprovação em todos os concursos internos, percorreu a escala hierárquica estabelecida até atingir o posto de Director de Serviços.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente manchadas por acção da luz.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

19 abril, 2017

LOURES NO TEMPO E NA MODA. Exposição etnográfica : 17 de Julho a 16 de Novembro 1992.  Realização dos textos do catálogo - Ana Paula Assunção, Francisco Sousa e Eugénia Correia. [Loures], Museu Municipal de Loures : Departamento Sócio-Cultural : Câmara Municipal de Loures, 1992. In-4.º (27x27cm) de 48 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Livro muito ilustrado com bonitos desenhos e fotogravuras.
"Fala-se da(s) moda(s) entre finais do século XIX (1870) e princípios do seguinte (1906), tendo presente todo o contexto de mudança que envolveu o indivíduo e a sociedade foi o pretexto para esta abordagem da Etnografia Local Saloia, pondo o acento no ritual da moda que embora apresentando traços próprios e tradicionais para os Saloios, não deixou, no entanto, de ser contaminada pelo contacto obrigatórios como o «outro» com quem se relacionou no espaço público ou privado, na oficina, no comércio, no campo, na cozinha, no salão ou teatro, ou na política. [...]
Para este tema - a procura da inovação é obrigatória - a História tinha de apresentar o diálogo da aproximação, o reflexo deste naquele, do laço na touca, do chapéu no barrete, do sapato na bota.
Espaços comuns mas também individuais e/ou privados.
Paralelamente, as Cidades vão-se afirmando; o município é o espaço onde o cidadão se identifica com o Poder; as estradas aproximam gentes e costumes, o comboio traz as notícias de Paris, a cultura, enfim, a moda."
(excerto de Considerações gerais)
Matérias:
I - Considerações gerais. II - A cidade e o campo - traços gerais de hábitos, memórias. Debaixo da Regeneração, a caminho do Capitalismo; A euforia da alta burguesia: uma história de hábitos; Memórias de Loures; O campo está na moda; A moda às mãos da modista, do alfaiate. III - Sobre o gosto e o trajar : os alfacinhas e os saloios. Fins do séc. XIX - Inícios do séc. XX. Sobre o trajo; Sobre a moda; Sobre a difusão dos gostos e da moda; Sobre os alfacinhas e os saloios - o seu trajar. IV - Modos de trajar na região saloia. Período de 1870 a 1906: Características gerais do trajo; Variações do trajo deste período; Descrição detalhada de alguns trajes: o testemunho da peça de vestuário e da fotografia.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

18 abril, 2017

NINY, Henrique Jorge - INQUÉRITO HABITACIONAL. Organizado pela Direcção Geral de Saúde Pública - Inspecção de Sanidade Terrestre - em colaboração com o Instituto Nacional de Estatística. Estudo crítico por... Inspector-adjunto. Lisboa, Ministério do Interior, 1941. In-4.º (25,5cm) de 302, [2] p. ; [14] f. desdob. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo levado a cabo em Lisboa, incidindo com algum pormenor em quatro freguesias: Santos, Camões, Belém e Arroios.
Ilustrado no texto com quadros, tabelas, plantas e fotografias a p.b., muitas delas em página inteira, e em separado, com 14 mapas em folhas desdobráveis.
"Foi da escolha do Ex.mo Director Geral a terra em que se realizou o trabalho, a cidade de Lisboa, e dentro desta cidade, de enorme área, a escôlha das zonas a que êle se limitaria, uma vez que for falta de verbas e de pessoal seria impossível que êle fosse completo. Pensou S. Ex.ª que essas áreas deviam ser formadas por freguesias, e designou quatro, duas na parte central e duas na parte periférica da cidade, cada grupo formado por uma freguesia muito antiga e outra de desenvolvimento relativamente moderno. Foram, e respectivamente, Santos e Camões, e Belém e Arroios. [...]
Pareceu-nos sempre que se devia limitar a investigação ao que desde logo se reconhecesse possível verificar em cada habitação, em cada fogo, qualquer que fôsse a condição social da família."
(excerto do preâmbulo, Algumas palavras...)
"As aglomerações urbanas - como a vida humana - têm um desenvolvimento natural que necessita de ser vigiado. Não basta que as suas casas tenham um belo aspecto estético, não chega que as suas ruas, irrepreensìvelmente simétricas ou quebradas com curvas harmoniosas, deixem antever soberbas perspectivas, torna-se necessário que o seu médico-sanitarista lhe proporcione tôdas as condições de salubridade indispensáveis á vida e ao bem estar dos seus habitantes. [...]
As cidades, no seu crescimento progressivo, apresentam à dobadoira do tempo, problemas sempre novos e complexo de demandam, como na medicina, e cada vez mais, uma especialização mais profunda. A civilização com seu frenético dinamismo traz, constantemente, novas concepções e idéias de tal variedade e mutabilidade que a sua aplicação exige a conjugação dos conhecimentos dos vários ramos da higiene pública.
Como os homens, as urbes definham-se e adoecem e a terapêutica não deve restar apenas sintomática, tem de ir às origens para debelar o mal e tem ainda de marcar a profilaxia para que, no futuro, o morbo não reapareça. O aglomerado não vive só uma geração, tem de perdurar robusto, firme, acolhedor, para albergar sucessivas gerações, e para bem desempenhar esta missão hospitaleira o seu meio tem de ser saüdável. É então que a salubridade dita as suas leis, marcando as directrizes da habitação quanto à sua implantação, orientação, materiais de construção, disposição de compartimentos, iluminação, ventilação, instalações sanitárias, etc., proporcionado, enfim, casa salubre."
(excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa rasgada na diagonal, conservando o pedaço para posterior restauro.
Raro.
A BNP possui apenas um exemplar registado na sua base de dados.
Com interesse urbanístico.
30€

17 abril, 2017

PINTO, Fortunato Correia - O AGITADOR (romance). Lisboa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, editor, 1906. In-8.º (20cm) de 392, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Romance histórico sobre o Ultimatum e de tudo o que se lhe seguiu.
“De Fortunato Correia Pinto (18??-19??), professor primário, republicano, conhece-se apenas uma obra de ficção, hoje ignorada quer enquanto texto literário quer enquanto documento: O Agitador. […]
O título certeiro coloca O Agitador do lado dos republicanos de acção revolucionária surgidos em 1890 e que se opunham ao directório do partido, maioritariamente legalista. Segundo a apresentação “A Quem Ler”, O Agitador foi escrito em 1900 e estava pronto a imprimir-se desde então, mas embaraços vários só permitem editá-lo em 1906. O texto de apresentação visa estabelecer o romance como fiel aos acontecimentos reais vividos pelo autor ou de que teve conhecimento. […]
Neste romance, a ausência duma transfiguração do real pelo universo imaginário próprio da literatura faz com que O Agitador pareça em boa parte um panfleto político ficcional.
A acção do romance começa no dia em que o país tem conhecimento do ultimato e da sua aceitação pelo governo, 12 de Janeiro de 1890.”
(fonte: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/8814.pdf)
"Era ao anoitecer do dia 12 de janeiro de 1890.
O sol acabava de sumir-se na linha sinuosa da costa e um ambiente pesado, humido e frio succedia á poeira luminosa que a pouco e pouco fora desapparecendo na direcção do oceano, deixando a cidade immersa em desalegre penumbra e varrida pela brisa algida e cortante.
O Tejo, inquieto, ruidoso e monotonamente melancholico, mas sempre impressionavel, parecia cantar, n'uma melopêa triste, a historia d'esta ridente cidade, desta filha dilecta que já mias d'uma vez vira abatida, flagellada, reduzida á ultima extremidade, e que, graças a elle, resurgia do proprio abatimento e cada vez mais se engrandecia, enfeitava e aformoseava, tornando-se soberba e garrida, forte e importante, bella e inimitavel. [...]
Começavam a accender-se os candieiros, e sob aquella luz amarellenta e mediocremente diffusa, a multidão, sombria e revolta, formigava pelas ruas e pejava as praças.
Fallava-se alto, gesticulava-se colericamente, dizia-se sem rebuço o que se sentia, sem medo da policia, sem receio de compromettimentos.
A Inglaterra era coberta d'insultos, a realeza e os governantes eram atacados rancorosamente, empregando-se contra elles os epithetos mais ultrajantes."
(excerto do Cap. I, A colera popular)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com pequenas falhas no corte superior.
Raro.
Com interesse histórico.
35€

16 abril, 2017

CALVÃO, G. Alpoim & PEREIRA, Sérgio A. - CONTOS DE GUERRA. Lisboa, [s.n. - imp. A. Gutenberg, Chaves], 1994. In-8º (21cm) de 159, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Relatos da Guerra Colonial pelo comandante Alpoim Calvão.
"Parece-me pois, oportuno relatar, ainda que de forma muito incompleta e pontual, o que foi a guerra para a grande maioria das unidades combatentes, a nível de Companhia do Exército ou de Paraquedistas e de Destacamento de Fuzileiros.
Por isso, o relato não trata das grandes linhas políticas e estratégicas, de complicados planos militares e de desenvolvimento económico, de vedetas parlamentares e combatentes antifascistas. Fala apenas de Marinheiros e de Soldados e dos sargentos e oficiais que directamente os comandaram. Creio que a esmagadora maioria do milhão de homens que passou pelas fileiras, no antigo Ultramar Português, se pode reconhecer nas palavras deste livro. [...]
Aos que, desertores na frente de combate ou refractários às incorporações - ínfima percentagem e lamentável excepção, graças a Deus! - durante anos, nas emissoras estrangeiras, insultaram e procuraram desmoralizar o Povo Português representado pelos seus Soldados, manifesto a expressão da minha pena, tanto mais profunda quanto mais alto tenham subido nas novas estruturas sociais e políticas surgidas a seguir ao 25 de Abril de 1974."
(excerto da introdução)
Guilherme Almor de Alpoim Calvão (1937-2014). "Foi um dos oficiais mais condecorados das Forças Armadas, nasceu a 6 de janeiro de 1937, em Chaves, viveu em Moçambique, frequentou a Escola Naval e esteve várias vezes na frente de combate na guerra colonial. De fuzileiro a capitão de mar-e-guerra, fez várias comissões no Ultramar, recebeu, por exemplo, duas Cruzes de Guerra. Depois da guerra, Alpoim Calvão iniciou outra cruzada, de oposição ao regime democrático pós-25 de Abril de 74. Alpoim Calvão recusou-se a participar no movimento militar que levou à revolução de 25 de Abril de 1974, apesar de ter sido convidado. Calvão foi, aliás, fundador do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), responsável por uma série de assaltos e atentados bombistas a sedes do PCP no Verão Quente de 1975. O comandante participou no falhado golpe de Estado de 11 de março de 1975, sobre o qual escreveu um livro, editado em 1995, «O 11 de Março - peças de um processo». Na sequência da participação neste golpe, Alpoim Calvão foi expulso das Forças Armadas, com outros 18 militares, entre os quais o general António de Spínola. Foram reintegrados três anos mais tarde. Continuou, contudo, com uma forte lealdade ao general Spínola e acompanhou-o no exílio. Passou por Espanha e Brasil até regressar a Portugal. [...] Mas, esse não foi o único momento polémico da carreira de Alpoim Calvão. Em 1970, comandou a «operação Mar Verde» que consistiu numa invasão da Guiné-Conacri, uma operação que, segundo descreveu o próprio em entrevista à Lusa, em 1998, teve duas vertentes: libertar os prisioneiros de guerra portugueses e «destruir os meios navais do PAIGC e da República da Guiné».
(in www.tvi24.iol.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
15€

15 abril, 2017

CORDEIRO, Luciano - VIAGENS. Hespanha e França. Lisboa, Imprensa de J. G. de Sousa Neves, 1874. In-8.º (19cm) de 240 p. ; B.
1.ª edição.
Apreciado livro de viagens do autor com forte componente cultural. Numa apreciação do livro, escreveu Antero de Quental, não sem relevo, e alguma mordacidade: “Tendo o Sr. Cordeiro escrito tanto, sobre tantos assuntos, altos, profundos e até graves, este livro, ligeiro como é, vagabundo e escrito a correr, parece-nos o seu melhor livro!”
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa de Luciano Cordeiro a Sousa Viterbo.
"Primeiro volume das crónicas de viagem onde o autor regista as impressões da sua viagem pela Europa, plenas de notações pitorescas, apontamentos históricos, reflexões acerca da arte e dos costumes das regiões visitadas, relatos dos seus encontros com Fauvel, Renan e Mendes Leal. No capítulo inicial, "Em que o autor dá razão do livro", Luciano Cordeiro explica as suas motivações e a gestação da presente obra: "Cobri ao mesmo tempo a mesa de folhas, de pedras, de fotografias, de contas de hotéis, de guias e de catálogos: - recordações saudosas, modestas, extravagantes, ridículas talvez, mas excelentes pontos de referência onde reforçar a memória na deliciosa retrospeção desta há tanto ambicionada e tantas vezes desesperançada viagem."
(fonte: infopédia)
Luciano Baptista Cordeiro de Sousa (1844-1900). “Nasceu em Mirandela a 21 de Junho de 1844 e morreu em Lisboa a 24 de Dezembro de 1900. Escritor, historiador, político e geógrafo português, fez os seus primeiros estudos no Funchal, Ilha da Madeira, onde se fixou com a família. Licenciado em Letras em 1867, tornou-se professor de Filosofia e Literatura no Colégio Militar de 1871 a 1874. Foi diretor temporário do periódico Revolução de Setembro em 1869. Em 1875 fez parte da comissão encarregada do projeto de reforma do ensino artístico e formação dos museus nacionais. Fundador da Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1876, desenvolveu neste âmbito uma extensa atividade. Desempenhou cargos governativos ligados ao ensino. Fundou a Revista de Portugal e Brasil e o jornal Comércio de Lisboa. Era filiado no Partido Regenerador e foi deputado pelo círculo de Mogadouro na legislatura de 1882-1884 e pelo de Leiria em 1884. Foi um administrador, em nome do governo, da Companhia dos Caminhos de Ferro da Zambézia, até à sua morte, tendo sido substituído neste posto pelo seu irmão, José Maria Cordeiro. Deve-se-lhe o impulso à propaganda africanista e ao movimento colonialista. Notabilizou-se pela acérrima defesa dos interesses de Portugal em África tendo ficado célebre a sua atuação quer no Congresso de Geografia Colonial que se realizou em Paris em 1878 quer na Conferência de Berlim em 1884. A sua extensa ação editorial conta com obras publicadas no campo da crítica literária, da história, das questões coloniais, da economia e da política.”
(fonte: www.geocaching.com)
Exemplar brochado, por aparar, em razoável estado geral de conservação. Envelhecido. Capas frágeis com defeitos. Mancha de humidade desvanecida junto ao corte lateral das folhas, visíveis nas primeiras folhas do livro.
Raro.
20€

14 abril, 2017

LOPES, António Rodrigues - A SOCIEDADE TRADICIONAL ACADÉMICA COIMBRÃ : introdução ao estudo etnoantropológico. Coimbra, [s.n. - comp. e imp nas oficinas da Gráfica de Coimbra, Coimbra], 1982. In-4.º (23cm) de 328 p. ; [7] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo antropológico sobre a comunidade estudantil coimbrã.
Ilustrado com quadros, gráficos, tabelas e mapas no texto, e com sete fotogravuras a p.b. em separado.
"O Autor viveu os primeiros vinte e quatro anos da sua existência em Coimbra, dos quais a maior parte na Alta medieval conimbricence. Ali se imbui do espírito sui generis do Universo Académico, designadamente o romantismo boémio e o singular estilo cultural praticado pelos estudantes.
O estudo que ora se publica esteve em reserva mental desde a sua juventude, era pois inevitável que adquirisse forma depois de ter concluído a sua licenciatura em Ciências Antropológicas e Etnológicas.
Pela primeira vez, supomos, a análise antropológica aborda o fenómeno da Sociedade Tradicional Académica coimbrã, ao revelar aspectos inusitados (etnocídio), desfazendo nebulosas interpretações ou equívocos levianamente expressos e pior aceites, deturpando a realidade que teve lugar na Lusa-Atenas.
A pesquisa aborda aspectos sócio-políticos, institucionais e metodologias do ofício da Antropologia, nomeadamente os contornos da Comunidade Académica, com o objectivo de fazer compreender o que até aqui se tem negligenciado.
Obra inédita, fruto da tentativa bem conseguida, de sacar uma investigação sistemática, foi reforçada pela observação participante do autor.
Precioso ensaio para o público universitário, e também excelente manual para não especialistas. Trabalho inovador no meio português e também leitura aliciante pela perspectiva diacrónica, ao desenhar o perfil da estrutura institucional do que foi a Sociedade Tradicional, que não se modelou em nenhuma outra."
(excerto da apresentação de António S. R. Minga)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

13 abril, 2017

SOUSA, Alfredo Botelho de - MARINHA E DEFESA NACIONAL (doutrina). [Por]... Tenente de Marinha, Senador. Coimbra, França & Armenio : Livreiros - Editores, [1912]. In-8.º (19cm) de 326, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante e premonitório trabalho sobre a preparação naval portuguesa, ainda "jovem" República, para a conflagração mundial que se adivinhava.
"Como relator do orçamento de marinha, cabia naturalmente ao autor o dever de expôr à Câmara a nossa situação actual em materia de armamentos navais, e demonstrar e necessidade que se nos impõe de procurarmos, por todos os meios ao nosso alcance, dotar o país com os necessarios elementos de defesa. [...]
O fim em vista foi mostrar a necessidade de uma preparação metodica e contínua, feita durante a paz, mas sem perder de vista que se destina à guerra. Esta preparação será o melhor meio de evitar a guerra, mas será tambem a única maneira de a fazermos com êxito, quando causas extranhas à vontade da nação nos levem a recorrer a este meio de dar solução aos conflitos internacionais."
(excerto do prefácio)
Índice:
Prefácio. I - Pacifismo e arbitragem. II - Necessidade de cuidarmos da nossa defesa. III - Politica nacional e politica naval. IV - Alianças. V - Marinha e politica interna. VI - Marinha, politica e finanças. VII - Poder maritimo. VIII - Marinha mercante. IX - Para que nos serve uma marinha. X - Educação popular. Propaganda. XI - Despesas improdutivas? XII - Estrategia do tempo de paz. XIII - Método a seguir na determinação dos elementos de defesa. XIV - Considerações finais. 
Alfredo Botelho de Sousa (Ponta Delgada, 1880 – Lisboa, 1960). Foi um oficial da Armada Portuguesa e um prestigiado político e intelectual que se destacou como estudioso de estratégia naval e como historiador do desenvolvimento naval português. Deputado às constituintes de 1911 e Senador até 1915. Foi membro da delegação portuguesa à Conferência da Paz (1918-1919). Terminou a sua carreira no posto de vice-almirante.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Dedicatória autógrafa na f. anterrosto dos editores ao Dr. Artur de Barros Lima.
Raro.
Indisponível

12 abril, 2017

NUNO ÁLVARES PEREIRA : Herói e Santo. Colóquio realizado no encerramento do jubileu da Igreja de Santo Condestável em Lisboa. Lisboa, Paróquia de Santo Condestável, 2009. In-4.º (23,5cm) de 77, [3] p. ; B.
1.ª edição.
"Para concluir o ano de celebrações jubilares dos 50 anos da inauguração da igreja, realizou-se um colóquio em torno da figura do nosso padroeiro Santo Condestável. São as comunicações aí proferidas que agora se reúnem e se dão à estampa neste pequeno volume."
Índice:
I - Apresentação - nos 50 anos da Igreja de Santo Condestável, por Padre José Filipe Agostinho. II - Condestável, Herói e Santo n'Os Lusíadas, por Justino Mendes de Almeida. III - Valor militar e espiritualidade no Santo Condestável, por Carlos Bessa. IV - D. Nuno Álvares Pereira passou por Fátima, por Luciano Cristino. V - Nun'Álvares - um santo Carmelita, por Fernando Guedes. VI - Um santo para o nosso tempo, por Henrique Barrilaro Ruas. VII - Comentário ao poema «Nun'Álvares Pereira» de Fernando Pessoa, por Aires A. Nascimento.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

11 abril, 2017

CARTA DOS ESTUDANTES EXPULSOS À UNIVERSIDADE : Março de 1966. Amnistia para os estudantes expulsos. [S.l.], [s.n.], [1966]. In-8.º (20,5cm) de 39, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Publicação clandestina, razão pela qual não contém informações sobre a autoria do texto, local e responsável pela sua impressão. Inclui em apêndice a relação dos estudantes punidos - por Faculdade ou Instituto - e a respectiva pena aplicada.
"É num momento grave da vida da Universidade que são castigados, duma assentada, 181 estudantes; - não fora a anterior e comprovada crise universitária, bastaria este facto para mostrar aos cépticos - ou aos demasiado convencidos - que alguma coisa está mal na Universidade Portuguesa. Os 181 estudantes agora punidos, conscientes de que "algo vai mal", trabalharam para construir uma Universidade nova e melhor, uma Universidade capaz de servir os que nela estudam e o País que a sustenta.
Esta carta tem por fim único permitir à Universidade - aos Universitários - e ao País, chegar a uma conclusão sobre a crise universitária portuguesa, sobre o que é que está mal numa Universidade que castiga dos seus alunos; numa Universidade que em vez de formar quadros os impede de se formarem.
Esta carta pretende ainda levantar dois problemas e informar as pessoas de boa fé para que, em consciência, os possam resolver: é conveniente para um País que luta com uma aflitiva falta de técnicos e de quadros superiores impedir 181 jovens de prosseguirem os seus estudos? É moralmente certo impedir de estudar 181 estudantes apenas porque eles tiveram a coragem de pôr o dedo numa ferida que há muito sangra - a crise universitária portuguesa?
Vamos pois tentar explorar as razões e os motivos que nos levaram a actuar no sentido duma renovação Universitária. Focaremos sucessivamente e por ordem de prioridade as nossas preocupações: os aspectos pedagógicos, a vida circum-escolar da Universidade, a actuação Ministerial contra toda e qualquer actividade reformadora."
Matérias:
1 - Aspectos pedagógicos: A - O acesso à Universidade; B - A qualidade do ensino. 2 - Problemas circum-escolares. 3 - A actuação governamental. 4 - Apelo dos estudantes expulsos à Universidade.
Bibliografia utilizada. Apêndice I - Relação dos estudantes expulsos. Apêndice II - Decreto-lei n.º 44.357. Apêndice III - Moção do Conselho Escolar da Faculdade de Ciências de Lisboa; Moção do Conselho Escolar da Faculdade de Medicina de Lisboa. Apêndice IV - Introdução. O Grupo de Estudos sobre o Estatuto Universitário e Legislação Circum-Escolar [nomes que o integram]. Carta ao Presidente da República assinada por 47 professores e doutores das Universidades Clássica e Técnica de Lisboa.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
15€

10 abril, 2017

EBO, Isabel de Jesus dos Santos - A GEOPOLÍTICA DA DROGA. [Nota introdutória do Prof. António de Sousa Lara]. Lisboa, Universidade Técnica de Lisboa : Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, 2008. In-4.º (24cm) de 306, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo; o presente trabalho consiste numa abordagem às actividades do narcotráfico, partindo de princípio (hipótese) que "a luta contra a droga é uma disputa por territórios, entre Estados e máfias de droga".
Ilustrada no texto, a p.b. e a cores, com fotografias, tabelas, gráficos, mapas e desenhos esquemáticos.
"A droga e a toxicodependência que provoca, constituem um dos maiores flagelos da actualidade. A produção, transformação, armazenamento, transporte, distribuição, a grosso e a retalho, de substâncias estupefacientes ilegais estão sempre associadas à criminalidade e, muito em especial, a constituição e manutenção de associações criminosas. Porém, a questão assume, hoje em dia, uma faceta ainda mias preocupante: a ligação entre estas actividades marginais, o terrorismo e a subversão. Os préstimos ligados ao financiamento da corrupção e da subversão de estados, democráticos ou não, eleva esta questão para o nível dos problemas que directamente interferem com a segurança, a qual cada vez mais distingue menos as fronteiras entre os domínios interno e internacional. [...]
A tese de mestrado que agora se publica, tem o mérito de abordar a questão da droga numa perspectiva de relações internacionais, explicando a volatilidade das rotas de transporte e comercialização respectivas, as cumplicidades estabelecidas entre a produção e a comercialização com organizações terroristas ou de crime organizado, a impressionante vantagem económica e financeira que tal empreendimento produz para aqueles que nela se envolvem, e abre a via para o estudo de outras matérias, igualmente importantes, como sejam as da lavagem de dinheiro das "quintas colunas" que o tráfico de droga estabelece dentro dos países consumidores, designadamente ao nível das próprias autoridades, para já não falar do cortejo interminável de desgraças e de infelicidades que produz ao nível das famílias, dos cidadãos em particular, dos jovens, dos emigrantes, dos marginalizados, dos cadastrados e das próprias pseudo-elites."
(excerto da Nota introdutória)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar, dada a tiragem reduzida.
20€

09 abril, 2017

PADRÕES DA GRANDE GUERRA. Discurso proferido pelo coronel Sá Cardoso, presidente da Comissão Executiva dos Padrões da Grande Guerra na sessão soléne comemorativa do "9 de Abril" realisada na Escola Militar. O produto liquido reverte para a Subscrição Nacional dos Padrões da Grande Guerra. [S.l.], [s.n. - imp. na Tipografia Central : Alvaro de Souza, Porto], [1922?]. In-8.º (20cm) de 15, [1] p. ; B.
1.ª edição.
A Comissão dos Padrões da Grande Guerra protagonizou os fenómenos de maior sucesso na intenção do Governo Republicano na sagração da memória nacional. No dia 3 de Dezembro [de 1921] reuniram-se na sala nobre da Escola Militar, sob a presidência do General Gomes a Costa, alguns combatentes que formariam a base da origem da Comissão dos Padrões da Grande Guerra que, durante quinze anos, iria proceder ao levantamento dos padrões da Grande Guerra."
(fonte: http://www.portugal1914.org/portal/pt/historia/instituicoes/item/5204-comiss%C3%A3o-dos-padr%C3%B5es-da-grande-guerra)
O presente opúsculo reproduz, seguramente, uma das primeira intervenções públicas sobre os Padrões da Grande Guerra que foi dado à estampa, senão mesmo o primeiro. Trata-se do discurso do coronel Sá Cardoso proferido na Escola Militar por ocasião das celebrações do aniversário da Batalha de La Lys, julgamos que, em 1922, poucos meses após a formação da CPGG.
Junta-se uma bonita folha volante desdobrável (22x29cm) - distribuída na Sessão Solene(?) -, impressa em papel encorpado, com um poema inédito de António Correia de Oliveira - "Padrões da Guerra" - datado de Abril de 1922, cuja existência se desconhecia (não vem referenciado em nenhuma fonte bibliográfica) e que ilustra de forma indelével a associação do poeta a esta nobre causa.
"Monumentos como os que projectamos, fazem-se com tres coisas: Pedra - Bronze - Sangue!
O Sangue já lá está.
Correu á farta em terras de Africa, em Moçambique e em Angola. E tanto foi, que só não tingiu de vermêlho as terras de Africa, porque estão de ha muito habituadas a recebe-lo e a guarda-lo!
Em França, também brotou ás golfadas do peito de seis mil portuguêses que por lá ficaram. E na Flandres, como em Africa, ele amassará as terras que hão de servir de alicerce á pedra portuguesa, extraída das entranhas do paiz e ao bronze dos nossos velhos canhões; pedra e bronze que trabalhados por operarios portugueses, sob a patriotica inspiração dos nossos artistas, se transformarão em monumentos tão magestosos e empolgantes, pela sua simplicidade e grandeza, que obriguem todos, nacionais e estrangeiros, que num futuro longinquo, visitem terras de Portugal, o Alem-Mar português ou a Flandres a descobrir-se para saudar este pequeno paiz, que, ao passo que outras nações, grande e pequenas, eram compelidas á lucta para resistirem á arremetida alemã, ele, o nosso Portugal, tão pequeno em territorio e tão minguado de recursos, não hesitava em ombrear com uma das mais poderosas nações do mundo, os Estados Unidos da America, antecipando-se-lhe até na intervenção na guerra!
Guerra tão cruel e tão feroz, como jámais a humanidade, nos seus seis mil anos de existencia, poude vêr!"
(excerto do Discurso)
Exemplar em brochura + 1 folha volante, ambos, em bom estado de conservação.
Raro conjunto.
Com interesse histórico.
50€
Reservado

08 abril, 2017

LARCHER, Capitão Jorge das Neves - MONUMENTOS DE PORTUGAL. Alcobaça e Batalha : Batalha, o Templo da Pátria. 2.ª edição profusamente ilustrada, correcta e aumentada. [S.l.], [s.n. - imp. nas oficinas de Litografia Nacional, Porto], 1927. In-4.º (23,5cm) de [14], 38 p. ; [6] f. il. ; B.
Edição trilíngue (português/francês/inglês) ilustrada em separado com seis estampas, incluindo a maquete do Monumento a erigir em Lacouture - França, da autoria do escultor Teixeira Lopes, e o Lampadário «Chama da Pátria», projecto de Mestre António Augusto Gonçalves, executado por Lourenço Chaves de Almeida.
Contém, no interior do livro, o bilhete postal de inscrição da CPGG para a Subscrição Nacional.
"A Comissão dos Padrões da Grande Guerra, constituída por oficiais da Marinha de Guerra e do Exército, antigos combatentes da Grande Guerra, no Mar, em Angola, em Moçambique e na Flandres, vem trabalhando, ha anos, perseverantemente, com patriotica fé na realização do seu objectivo. [...]
Á  Comissão dos Padrões da Grande Guerra coube a iniciativa de comemorar a data de 9 de Abril - dia da Batalha do Lys - promovendo na Terra Portuguesa os Dois Minutos de Silencio, glorificação dos Mortos da Patria."
(excerto do prefácio)
"A Batalha ficou sendo o «Templo da Patria», onde repousam os herois desconhecidos, e onde todos os anos, na data de 9 de Abril, devemos ir em romagem, juncar de flores os seus tumulos e perante Eles, recobraremos a fé nos destinos duma Patria Grandiosa, e ensinando aos nossos filhos, as grandes virtudes civicas dos seus antepassados, e fazendo-lhes despertar o nobre sentimento do amor pela Patria, sob aquelas venerandas abobadas.
A data escolhida para a peregrinação nacional á Batalha, a realizar todos os anos, não podia ser mais acertada, porque o 9 de Abril, é uma data verdadeiramente grandiosa para nós portugueses, porque nos tráz á memoria os mais belos actos de abnegação e heroismo praticados pelos soldados portugueses nos campos sangrentos da Flandres.
O 9 de Abril é uma bela e comovente epopeia inspirada pela bravura dos nossos heroicos serranos, que nas terras da Flandres, em reduzido numero, numa luta desigual e tremenda contra o mais formidavel exercito do mundo se bateram com lealdade e valentia, defendendo palmo a palmo o sector que lhes estava confiado e resistindo á brutal invasão das tropas alemãs, com uma forte e admiravel resistencia, que orgulha e enaltece a raça portuguêsa.
E quando, já gastas, as nossas munições, nesse combate violento e pavoroso; quando deixou de se ouvir o canhão honitroante e o matracar das metralhadoras, esses punhados de bravos portugueses, que os exercitos estrangeiros tão dignamente heroificaram, lançaram-se com galhardia para uma terrivel luta de corpo a corpo, opondo as avalanches de tropas inimigas a sua carne coberta de sangue e gloria.
Sublime holocausto dos soldados de Portugal, que uma vez em terras estrangeiras, souberam manter as gloriosas e nobilissimas tradições do exercito português e morrer no seu posto de honra, acarinhados até ao ultimo momento, pelas saudades da Patria distante."
(excerto de Batalha, Templo da Patria)
Exemplar brochado em razoável estado de conservação. Afectado por diversas manchas de humidade nas capas e no corte lateral, onde as folhas apresentam um ligeiro esboroado.
Raro.
15€

07 abril, 2017

REGO, José Teixeira - NOVA TEORIA DO SACRIFÍCIO. Lisboa, Assírio & Alvim, 1989. In-8.º (22cm) de 203, [5] p. ; il. ; B.
Conjunto de ensaios histórico-filosóficos sobre Religião.
"Teixeira Rego (1881-1934) escreveu a sua nova teoria do sacrifício em fascículos entre 1912-1915 publicados como artigos na revista Águia. Três anos depois foram editados em livro na Renascença Portuguesa [cujo registo a BNP não possui]. Este trabalho foi levado a cabo na condição de autodidata com todos os riscos que isso comporta.
A sua teoria do sacrifício tenta contestar as teses do fervoroso portuense Roberto Guilherme Woodhouse (1828-1876) presidente da Associação Católica em 1872 que tentava adequar as teorias evolucionistas com o livro dos Génesis. Teixeira Rego serve-se das investigações que se tinham começado a desenvolver com a história comparada das religiões a partir do final século XIX. Ao ler os seus textos saltam imediatamente à vista a sua cultura e a abrangência de pontos de interesse, de curiosidade e de leituras. No caso que aqui nos atém, Teixeira Rego tenta aplicar ao texto genesíaco os novos conhecimentos da história comparada das religiões. A este nível considerámo-lo verdadeiramente inovador na medida em que conseguiu sair do panbabilonismo da exegese bíblica de então e espelhar o texto bíblico numa enorme variedade de tradições literárias e culturais que não apenas as do médio oriente antigo2 , contexto mais próximo (e normalmente até o único) a ser considerado quando se trata de aplicar os métodos histórico-críticos ao texto bíblico. A teoria do sacrifício de Teixeira Rego tenta compaginar os pontos comuns de várias tradições culturais e literárias. [...]
A sua grande tese, enquanto mitólogo e filósofo da história comparada das religiões, leva-o a considerar o mito apenas do ponto de vista fenomenológico enquanto repetição ritual de uma ação, «a reprodução mais ou menos alterada de um facto»."
(fonte: http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/19008/1/A%20teoria%20do%20sacrif%C3%ADcio%20de%20Teixeira%20Rego%20revisitada.pdf)
"O rito do sacrifício, já de si singularíssimo, ainda apresenta de estranho o ser praticado por todos os povos, desde os tempos mais remotos até hoje. A causa, pois, que o determina deve ser universal, impressionante, terrível, para produzir tal duração e generalidade. As hipóteses tendentes a explicá-lo, embora algumas engenhosíssimas, com indiscutíveis verosimilhanças, tais as de Tyler, Robertson Smith e escola de Durkheim, têm o direito comum de justificarem o sacrifício em alguns povos somente, pois que não é de crer que as mesmas aproximações, mais ou menos remotas, mais ou menos subtis, fossem feitas em toda a parte; e, se se recorre à irradiação dessas ideias do povo ou povos que as pensaram para os restantes povos, não se vê em tais ideias suficiente importância e evidência para serem universalmente adoptadas com um cerimonial rigoroso e complexo, e acatadas com o máximo respeito."
(excerto do Cap. I, O problema do sacrifício)
José Augusto Ramalho Teixeira Rêgo (1881-1934). "Nascido em Matosinhos em 1881, conviveu desde jovem com algumas das mais importantes figuras do círculo intelectual portuense, tornando-se discípulo de Sampaio Bruno e aprofundando a sua predileção intelectual no âmbito das línguas orientais, da filosofia, da religião e dos temas da cultura geral em sentido lato. Diretor do jornal "O Debate" e membro da "Renascença Portuguesa", movimento cultural que despontara no Porto, estreitou laços de amizade com Leonardo Coimbra, de quem partiu o convite para exercer o magistério na recém-criada Faculdade de Letras do Porto. A sua entrada como Professor Contratado do 2.º Grupo (Filologia Românica), em 1919, rodeou-se de polémica nos meios académicos portugueses, uma vez que José Teixeira Rêgo apenas possuía os estudos liceais. Porém, essa questão foi facilmente resolvida com os argumentos de se tratar uma nomeação governamental e de se basear no critério legal do reconhecimento da idoneidade científica e cultural do candidato."
(fonte: sigarra.up.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta canto sup. dto vincado.
Invulgar.
15€

06 abril, 2017

OLIVEIRA, Alberto d' - POEMAS DE ITÁLIA E OUTROS POEMAS. Lisboa, Tip. da Emprêsa Nacional de Publicidade, 1939. In-4.º (23cm) de [2], 109, [5] p. ; [5] f. il. ; E.
1.ª edição.
Livro de poesia impresso a duas cores, em papel encorpado de superior qualidade, e ilustrado em separado com 5 estampas a p.b., incluindo o retrato de Isabel Maria, a neta do autor, a quem este dedica a obra.
Muito valorizado pela dedicatória autógrafa do poeta ao Prof. Sobral Cid.

"Tinhas de ser qual és, calado e triste,
Misterioso, ascético, tenaz,
Para reger um povo que da Paz
Há que tempos nem sabe se ela existe...

Já, com verbo facundo e lança em riste,

Outros tentaram a missão falaz:
Mas, com promessas boas e obras más,
Maior cáos nos fizeram, como viste.

Tu então, ao dilúvio das palavras
Opões barreira sólida, e entretanto
A gleba acordas, e em silêncio a lavras...

E eis logo o prado em flor, o oiro das messes!
?Quem és tu, Salazar, ou mago ou santo,
Que assim nos ressuscitas e engrandeces?..."

(excerto de Salazar)
"Ó Cidade da Luz! Perpétua fonte
De tão nítida e virgem claridade,
Que parece ilusão, sendo verdade,
Que o sol aqui feneça e não desponte...

Embandeira-se em chamas o horizonte:
Um fulgor áureo e róseo tudo invade:
São mil os panoramas da Cidade,
Surge um novo mirante em cada monte.

Ó luz ocidental, mais que a do Oriente
Leve, esmaltada, pura e transparente,
Claro azulejo, madrugada infinda!

E és, ao sol que te exalta e te corôa,
- Loira, morena, multicôr Lisboa! -
Tão pagã, tão cristã, tão moira ainda..."

(Lisboa)

Alberto d’Oliveira (1873-1940). Escritor e diplomata português.“Frequentou a Universidade de Coimbra, onde fundou, com António Nobre, a revista Boémia Nova cuja polémica com a publicação fundada por Eugénio de Castro, Os Insubmissos, funcionou como pedra de toque para a afirmação dos movimentos simbolista e decadentista em Portugal. Colaborador da Revista de Portugal, fundada por Eça de Queirós, o nome de Alberto de Oliveira está umbilicalmente ligado, porém, ao movimento neogarrettista, cujo programa enunciou na coletânea de ensaios Palavras Loucas, onde preconiza, nomeadamente em "Do Neogarrettismo no Teatro", sob a figura tutelar de Garrett, exaltado pelo seu papel na defesa do nacionalismo, na recuperação da literatura popular enquanto fonte genuína da cultura portuguesa, no renascimento do drama e da poesia nacional, o abandono de modelos culturais estrangeiros, a defesa do que é nacional, a recolha da literatura oral de tradição popular, a recuperação do drama e romance histórico, o retorno ao rusticismo e à vernaculidade, vetores que viriam a plasmar-se de forma exemplar na própria produção poética de Alberto de Oliveira. Tendo, no início dos anos 20, dirigido o semanário monárquico e integralista Acção Nacional (1921), dedicou-se, nos últimos anos de vida, à redação de páginas de memórias sobre o período em que foi cônsul no Brasil e sobre figuras literárias com quem privou como Eça de Queirós ou António Nobre."

(fonte: infopédia)
Bonito exemplar da biblioteca do Prof. Sobral Cid revestido de uma bonita encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Muito invulgar.
35€