12 dezembro, 2017

PINA, Luiz de - IDENTIFICAÇÃO HUMANA EM PORTUGAL. HISTÓRIA E REALIZAÇÕES. Extracto do Arquivo da Repartição de Antropologia Criminal, Psicologia Experimental e Identificação Civil do Pôrto : Vol. IV, Fascículos 1.º e 2.º - 1936. Pôrto, Tip. da Enciclopédia Portuguesa, L.ᴰᴬ, 1936. In-4.º (23,5cm) de 28 p. ; B.
1.ª edição independente.
Curioso estudo biométrico sobre a identificação humana em Portugal e no estrangeiro, ilustrado com diversos casos nacionais e internacionais ao longo da história.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao conhecido escritor e publicista Tude Martins de Sousa.
"Não podendo historiar largamente a identificação judicial no estrangeiro , lembro sòmente que os seus primórdios se encontram nos singelos métodos de identificação morfológica e descritiva de casos antigos, como o de Martin Guerre, desaparecido em 1550 e aparecido 8 anos depois, voltando ao lar que deixára e gerando dois filhos na mulher que o reconhecera como seu marido. Porém, provou-se ser um estrangeiro impostor, pelos processos de identidade, aliás curiosos, do tempo; por isso foi queimado em 1560.
Tratava-se de Arnaldo Dutille, destronado naquela família pelo verdadeiro Martin, que apareceu vivo e são! [...]
Mas, façamos um pouco de história. Embora não tivesse ainda oportunidade de lê-los, os Regimentos que os capitães das naus portuguesas de quinhentos e seiscentos levavam, começavam por ordenar o alardo da gente, depois de recolhidos em Restelo, e o registo minucioso de cada pessoa com o seu nome, alcunha, estado, filiação, naturalidade e outros elementos de identificação, diz-nos o historiador Jaime Cortesão. São, como se depreende, os primeiros registos de identificação prática. Naturalmente, o mesmo se passava com a arregimentação dos soldados, o arrolamento dos presos, etc. [...]
Entremos agora na história mais chegada aos nosso tempos. Em 21 de Setembro de 1901 (Diário do Govêrno do mesmo mês e ano) era publicado um decreto sôbre o Novo Regulamento das Cadeias que, em seu artigo 77.º dizia: haverá nas cadeias um posto anthropometrico destinado não só ao estudo da anthropologia criminal, mas tambem a auxiliar os serviços policial e dos tribunaes na verificação exacta, tanto quanto possível, da identidade dos indivíduos que n'ellas derem entrada, ou forem detidos pelas autoridades administrativas ou policiaes."
(excerto do estudo)
Luís José de Pina Guimarães (Lisboa, 1901-1972). "Foi um médico, professor universitário e político português. Luís José de Pina Guimarães nasceu na cidade de Lisboa a 24 de Agosto de 1901. Concluiu na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra os estudos preparatórios médicos vindo a licenciar-se (1927) e depois a doutorar-se (1930) na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Nesta faculdade ocupou o lugar de assistente de Anatomia (1927), professor auxiliar de Medicina Legal, História da Medicina e Deontologia Criminal (1931) e de professor catedrático de História da Medicina e Deontologia Profissional (1944). Para além da docência foi Procurador-vogal do Centro de Estudos Demográficos do Instituto Nacional de Estatística, vogal da Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais, vogal da Comissão Nacional de História das Ciências, Vice-presidente do Conselho Regional da Ordem dos Médicos (1942-1944), Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto (1953-1955), diretor do Instituto de Criminologia do Porto e foi também o primeiro diretor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1961-1966)."
(fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito interessante.
15€

11 dezembro, 2017

PIMENTA, Alfrêdo - ESTUDOS SOCIOLOGICOS. Prefacio de Theophilo Braga. Lisbôa, Livraria Central de Gomes de Carvalho, 1911 [1913]. In-8.º (19,5cm) de 271, [1] p. ; E.
1.ª edição.
"Com o titulo de Estudos sociologicos, o Dr. Alfredo Pimenta reuniu em volume uma série de artigos politicos, que tiveram a sua urgente opportunidade e que hoje, alem do merito da sua comprovação doutrinaria, valorisam se como um importante documento historico. [...] Reconhecêmos a sua importancia applicando em Portugal essa doutrina [o positivismo de Comte] nas Soluções positivas da Politica portugueza, e sob o ponto de vista artistico no ideal da continuidade humana na Epopêa da Visão dos Tempos.
A improvisação jornalistica, quasi sempre animada pelas bellezas de estylo, adquire o seu verdadeiro destino social e sobrevive ao momento transitorio, quando é illuminada pelo criterio sociologico. No livro do Dr. Alfredo Pimenta, está representado esse periodo de instabilidade governamental e dissolução dos partidos do empirismo politico a que a Revolução de 5 de Outubro de 1910 pôz termo definitivo; mas os successos que ahi se consignam foram apreciados sob o ponto de vista sociologico, ficando por isso hoje integrados na crise que determinou a transformação do regimen da sophismação da Carta outorgada em um estado social democratico."
(excerto do prefácio)
Matérias:
- Da Magistratura. - A Politica. - A Publicidade do voto. - Republica. - Eleições municipaes. - Evolução e Revolução. - A pena de morte. - Balanço. - Congresso municipalista. - O congresso republicano de 1909. - Divorcio. - Divagando. - Latet anguis. - Catholicos. - A Ditadura. - Conservadores. - Jornalismo. - A obra. - A morte de Ferrer. - A verdadeira doutrina. - Caminho politico. - Christo. - A questão religiosa. - O alcoolismo e a questão social. - A acção do positivismo. - A Moral positiva. - Instrucção e Educação.
Encadernação cartonada recente com dourados na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Ausência da f. anterrosto.
Ex-libris de Luís de Castro Santos na f. de dedicatória.
Invulgar.
15€

10 dezembro, 2017

TAVARES, Silva – TRINCHEIRAS DE PORTUGAL. Tiragem especial, de homenagem á colonia portugueza, no Brazil. 4.ª edição remodelada. 6.º milhar. Espinho, Liv. E Tip. Violeta Primorosa : F. Alves Vieira, 1925. In-8.º (20cm) de 92, [4] p. ; B.
Ilustrado com bonitas vinhetas a assinalar o final de cada poema.
“Este livro é o fruto duma grande ansiedade de cantar o espírito da nossa Raça; o seu fogôso temperamento; a sua nobre sensibilidade e a pureza da sua alma. Escrito para depôr em reverencia no Altar da Patria, os seus assuntos são os rasgos do nosso Povo e, nomeadamente, a sua expressão de alto sacrifício e heroicidade, na grande guerra, que assolou o mundo.”
(excerto do prefácio da 1.ª edição)

Há na frente portuguesa,
sempre beijado de luz,
um Cristo, imerso em tristeza,
sobre tosca e negra cruz.

Ergue-se dentre os escombros
duma capela arrazada…
A neve cobre-lhe os hombros.
Silencio… Noite fechada!

Tem cinco Chagas Divinas
e sofreu a vida inteira,
p’ra que elas fôssem as Quinas
que estão na nossa bandeira!...
[…]
Soldados: - P’la noite enorme
refazei-vos das canceiras,
que a sentinela não dorme:
- véla o Cristo das Trincheiras!

(excerto do poema Nas trincheiras)

Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

09 dezembro, 2017

PIMENTA, Alfredo - CARTAS POLITICAS DE SUA MAGESTADE EL-REI O SENHOR DOM MANUEL II. Colligidas por... Com um prefacio de «um monarchico». Lisboa, [Centro Typographico Colonial] - depositaria - Portugalia, 1922. In-4.º (23cm) de [2], 47, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de cartas de D. Manuel II dirigida a diversas personalidades, datadas de 1909 até 1920, onde são abordados, entre outros temas, o clima social vivido antes da revolução de Outubro, o período pós-revolucionário, a conflagração europeia e a assinatura do armistício.
"As Suas cartas teem uma lucidez que encanta, e affirmam uma profundidade de pensamento que impressiona. Nem rethoricas, nem banais. São cartas de um Rei que pensa, e conhece muito bem a responsabilidade da Sua missão. Rei de Portugal, para Elle só ha portuguezes. No dia em que mataram Miguel Bombarda, havia assignatura. El-Rei estava á Sua Secretária, assignando os diplomas do Estado. Nisto, entra um official ás ordens, e dá a noticia, empregando, para definir o assassinado, uma expressão depreciativa. El- Rei poisou a pena, ergueu os olhos do diploma que acabara de assignar, e observou: «porque chama isso ao Bombarda? porque é republicano? Não é razão. Todos têem o direito de ser o que quizerem..."
(excerto do prefácio)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas sujas, ligeiramente oxidadas. Assinatura de posse na capa.
Raro.
Com interesse histórico.
10€

08 dezembro, 2017

MENEZES, Ayres Pinto de Souza Mendonça e – O MESTRE DE CALATRAVA : romance historico. Por… Lisboa, Typographia de Francisco Xavier de Souza, 1848. In-8.º (15,5cm) de [8], VI, 77, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Edição memorável. Considerado um dos primeiros romances históricos portugueses, foi também a primeira obra publicada pela casa livreira, também ela histórica, – Parceria António Maria Pereira.
“A «Livraria A. M. Pereira» (mais tarde «Parceria») fundada por António Maria Pereira em 1848, é considerada a mais antiga casa editora portuguesa. A primeira obra editada foi o romance histórico «O Mestre de Calatrava» de Aires Pinto de Sousa e Menezes (numa edição de 300 exemplares que custavam 7$200 réis).”
(fonte: aps-ruasdelisboacomhistoria)
"O derradeiro dia de Outubro, do anno do Senhor de 1468 - tinha findado: já o sino da cathedral annunciára a hora das trindades: com o cerrar da noite, tinha acabado o tumultuar da antiga Toledo: tudo ahi jazia em profundo silencio, quebrado apenas pelas brisas nocturnas, que perpassando pelos torreões ameados, similhavam longos gemidos de quem carpe desventuras.”
(excerto do texto)
Aires Pinto de Sousa Mendonça e Meneses (Cambeses, Monção, 1804-Lisboa, 1850). “Oriundo da família dos viscondes de Balsemão, Aires Pinto de Sousa de Mendonça e Menezes foi militar até à Convenção de Évora-Monte (1834), tendo sido depois colaborador de vários jornais literários e, especialmente, do periódico político «A Nação». Publicou alguns poemas, sob a forma de opúsculos, e quatro novelas históricas: O Mestre de Calatrava, D. Maria Telles de Menezes, Ruy de Miranda e Duplessis e o seu Castelão, este último editado postumamente. Faleceu com tuberculose, deixando inacabados diversos escritos.”
(fonte: pedroalmeidavieira)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos. Falha de papel no canto superior esquerdo da capa frontal e na lombada.
Raro.
A Biblioteca Nacional possui apenas dois exemplares registados, um deles em versão microfilmada.
25€
Reservado

07 dezembro, 2017

MAGNO, David - LES-LOBES (Vizinhanças de La Couture). Derradeira resistência portuguesa na Batalha de La Lys (Memórias). [Prefácio de Júlio David J. Gonçalves Magno]. [S.l.], [s.n. - imp. na Tip. dos Impressos Explicativos, Tarouca], [1967]. In-8.º (22cm) de 221, [10] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada em página inteira com fotogravuras, fac-símiles e mapas, e quadros nas páginas de texto.
"Soou a minha hora...
Desde Tancos, o labor intenso de muitos meses de instrução, culmina em Julho. Ninguém recebe com indiferença, a ordem de partida para o front. O antigo condiscípulo, capitão Joaquim Augusto Geraldes, apadrinha-nos nesta eventualidade.
De Riez Bailleul abalamos para as trincheiras de Neuve Chapelle. Praças e oficiais, de batalhão de Aveiro, despedem-se de um bando, de madames e mesdemoiselles...
Entre as francesas há muitas belgas a quem os azares do flagelo europeu fizeram abandonar os lares e os seus haveres. Filhas da guerra ou refugiadas, para aí andam ao alcance dos gazes asfixiantes, das granadas e dos soldados. Surpreendidas pela invasão prussiana, de 4 de Agosto de 1914, só algumas certezas guardam...As suas casas desmoronaram sob o fragor dos obuses... Os pais, irmãos ou noivos caíram fusilados pelos pelotões... Elas já não têm ais, nem tão pouco lágrimas para chorar."
(excerto do Cap. I., Nas trincheiras da Flandres)
Matérias:
- Nas trincheiras da Flandres.
- Debaixo do vendaval.
- O cerco de La Couture - 9 e 10 de Abril.
- O choque de Les Lobes - (Vizinhanças de La Couture) - 9, 10 e 11 de Abril.
- Após a batalha.
- Os equívocos de La Couture.
- Epopeia da Red House (Frente de Laventie).
- Documentos.
David José Gonçalves Magno (1877-1957). Oficial do exército, publicista e etnólogo português. "Nasceu em Lamego a 17 de Agosto de 1877 e morreu em Lisboa a 30 de Setembro de 1957. Seguiu a carreira militar, sendo promovido a alferes em 22 de Dezembro de 1906. Começou por se distinguir em Angola, ao conseguir avançar para o interior e impor a presença portuguesa na região dos Dembos Orientais. Combateu depois em França, durante a Primeira Guerra Mundial, onde por feitos em combate recebeu a cruz de guerra e a cruz de Cristo com palma. A sua acção no CEP não foi, contudo, consensual e isenta de polémica, pelo que pediu para ser julgado pelas acusações de que foi vítima, tendo sido absolvido e visto confirmados os seus serviços como relevantes. Mais tarde, na sequência da revolta de 3 de Fevereiro de 1927 foi deportado para o Sul de Angola, tendo antes passado pelos Açores e Guiné. Reabilitado foi promovido a major e em 14 de Março de 1932 optou por passar à situação de reserva.Paralelamente à sua carreira militar exerceu intensa actividade literária, sendo autor de diversas obras, algumas das quais escritas com base na sua experiência de guerra, para além de ter sido membro da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, da Revista Militar e da Comissão de História Militar."
(in http://www.ihc.fcsh.unl.pt/pt/recursos/biografias/item/4418-magno-david-jos%C3%A9-gon%C3%A7alves-1877-1957)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
25€

06 dezembro, 2017

AURORA, Conde d' - O PINTO - Infância, paixões e morte de um cacique eleitoral. - Romance. Porto, Livraria Tavares Martins, 1935. In-8.º de 191, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance satírico, sendo uma das mais apreciadas obras do autor.
"Fidaurgo - lhe cahamava tôda a gente.
A princípio era o «Filho do Fidaurgo do Paço», o «Fidaurginho»; o «Fidaurgo do Paço», mais tarde.
Depois, na aldeia, até na Vila de Oliveira, todos diziam apenas : o «Fidaurgo».
«Menino esteja quieto. Menino esteja calado!» - fôra tôda a sua educação.
Disseram-lhe o que se não deve fazer: educação negativa porque nunca lhe ensinaram o que se deve fazer.
Tinha mêdo ao Pai - fazia tudo às escondidas dêle.
Não era grande o respeito pela Mãi - e o Pai sempre a dizer «que os rapazes não devem andar metidos nas saias das mulheres».
A vélha criada que o desmamou morrera anos antes.
E sabendo mal a cartilha lá chegou finalmente - sadio de fruta verde clandestina e vinho e boroa por casa dos caseiros - à terrível idade de aprender no sistema métrico a medida do estere.
A Mãi, ralada de desgôstos, vivia coacta, no receio do Marido.
Senhora doente, de boa família, descendente de Ramiro 1.º Rei de Leão, e também, e muito provàvelmente, do Brigadeiro D. João de Amorim, heróico comandante da Praça de Monção em 1640, e de todos aquêles fidalgos de boa estirpe da ilustre Casa de Piães - onde Manuel Pinto de Faria Soares a mandara pedir em casamento pelo capelão de sua casa, conhecedor das terras que a Menina possuía no Concelho de Oliveira.
Manuel Pinto enchera-a de aflições e faltas de respeito.
Nunca mais ela vira as suas jóias desde o dia do casamento.
Andavam por casa e pela quinta, sem cerimónia, as jornaleiras e as moçoilas da aldeia a quem o sanguineo e bestial Senhor acenava o lenço."
(excerto do Cap. I e II)
José António Maria Francisco Xavier de Sá Pereira Coutinho, 2.º Conde de Aurora (Ponte de Lima, 29 de Abril de 1896 - Ponte de Lima, 3 de Maio de 1969). Escritor português. "Em 1919, por ocasião da Monarquia do Norte, partiu para o exílio tendo vivido em Espanha, no Brasil e Argentina. Em 1921, fundou o periódico “Pregão Real”. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi juiz do Tribunal do Trabalho. A sua obra reparte-se por vários géneros literários, caracterizando-se pela defesa dos valores culturais tradicionais dentro dos moldes estéticos do realismo, na senda de Eça de Queirós. Marcadamente nacionalista e claramente crítico em relação à Primeira República, o Conde d’Aurora dedicou ao Minho – aqui entendido como a região de Entre-o-Douro-e-Minho – grande parte da sua obra literária. Como ficcionista, publicou O Pinto, em 1935, trabalho que obteve o prémio de romance Eça de Queiroz e onde são desfibradas as particularidades do caciqueirismo político liberal."
(fonte: http://bloguedominho.blogs.sapo.pt/119202.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

05 dezembro, 2017

CAMPOS, Mário de – PORTUGAL NA QUADRELA FLAMENGA. Através duma velha amizade: das Cruzadas á Grande Guerra. Lisboa, Imprensa Nacional, 1920. In-8.º (19,5cm) de [4], 62, [2] p. ; B.
1.ª edição.
“1914-1918
Dedico estas páginas aos que na terra flamenga nobilitaram o nome português e o da escola de guerra que os fez soldados.”
(dedicatória impressa do autor)
“Consagrando o resultado das campanhas de Luís XIV, o tratado de Aix-la-Chapelle de 1668 incorporava no território francês, com um fragmento do Hainaut, a parte da Flandres francesa, e que hoje constitui, com pequena diferença, o departamento do Norte, tendo por capital a brilhante e gloriosa Lille.
Foi neste torrão, privilegiado pela natureza e pela história, que as tropas portuguesas, que se integraram na formidável Frente oposta pelos Aliados à brutal invasão teutónica, colaboraram, pelo seu heroísmo, neste drama sem precedentes que a historiografia já crismou com a designação, hoje clássica, de «Grande Guerra».
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa levemente oxidada, com assinatura de posse.
Muito invulgar.
15€

04 dezembro, 2017

COELHO, Maria Teresa Pinto - APOCALIPSE E REGENERAÇÃO: o Ultimatum e a mitologia da Pátria na literatura finissecular. Lisboa, Edições Cosmos, 1996. In-4.º (23cm) de 326, [2] p. ; [16] p. il. ; B.
1.ª edição.
Tese de doutoramento da autora elaborada ao longo dos três anos que lecionou na Universidade de Oxford.
Ilustrada em extratexto, a cores, com três cartas das possessões portuguesas na África Meridional que estiveram na origem do Ultimatum., - a de 1886, a proposta de demarcação territorial, em 1890 (recusada por Portugal) e a definitiva, em 1891. As restantes páginas incluem a reprodução de desenhos satíricos publicados na imprensa da época, visando ridicularizar a "agressora" Inglaterra.
"Este estudo analisa de que forma o Ultimatum britânico de 1890 foi transformado numa catástrofe nacional e até que ponto a literatura da época é reflexo desta visão."
(excerto da apresentação)
"Muito se tem escrito sobre o Ultimatum. Historiadores, sociólogos, estudiosos das relações internacionais e da história diplomática, críticos em geral se têm debruçado sobre o assunto. O que raramente tem sido abordado é o reflexo do Ultimatum na literatura da época. É esse o objectivo do nosso estudo. Embora se tenha procurado reconstituir brevemente o momento histórico não só com bibliografia secundários mas como com documentos e textos jornalísticos, foi sobretudo com base em textos literários que efectuámos a nossa leitura do acontecimento que tanto traumatizou Portugal nos finais do século passado."
(excerto do prefácio)
Exemplar em bom estado de conservação. Pequeno vinco na contracapa.
Invulgar.
25€

03 dezembro, 2017

PONTE, José de Passos – ORIGENS E RESPONSABILIDADES DA GUERRA DE 1914. Lisboa, Livraria Central Editora de Gomes de Carvalho, 1934. In-8.º (19cm) de 216, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Conferências realizadas na Universidade Popular Portuguesa, de Lisboa, nas noites de 11, 16 e 23 de Novembro de 1933.
“Quinze anos são decorridos desde que os canhões suspenderam a sua voz sinistra através da Europa ensangüentada, e apesar dessa documentação «abundante e autêntica», ainda há muita gente que continua com a mesma opinião formada em 1914 sôbre as origens e responsabilidades do grande crime que enlutou o mundo, influenciadas pelo espírito da Entente, segundo o qual a Alemanha foi a única e exclusiva responsável da guerra…”
(excerto do prefácio)
Matérias:
- As causas profundas da guerra. – Da guerra de 1870 à «Triplice-Aliança». – A política alemã depois de Bismarck. – A aliança franco-russa. – Da «Entente-Cordial» à «Triple-Entente». – A anexação da Bósnia-Herzegovina. – A questão marroquina. – Sob o signo de Poincaré. – As guerras balcânicas. – A caminho da Guerra. – A internacional sangrenta dos armamentos. – Julho de 1914. – A guerra! – As responsabilidades da Guerra e o Tratado de Versailles.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
Contém um recorte do Diário de Notícias sobre o caso de Scapa Flow – a destruição da esquadra alemã – que tanta polémica provocou na época.
Indisponível

02 dezembro, 2017

SALDANHA, Jozé da Natividade - POEMAS OFERECIDOS AOS AMANTES DO BRAZIL. Por seu autor..., Natural de Pernambuco, e Estudante do Terceiro Ano de Leis da Universidade de Coimbra. Coimbra, Na Imprensa da Universidade. 1822. In-8.º (14cm) de 136 p.
1.ª edição.
O autor, de índole irreverente, é dono de uma história de vida deveras empolgante. Na sua passagem por Portugal, enquanto estudante universitário em Coimbra, publicou este conjunto de poesias.


"Debaixo desta pedra inculta, e dura
Jaz de Pedro a consorte, Inez formoza;
Jazem tambem com ela em paz ditoza
A inocencia, a virtude, a formozura.

Não foi a cauza desa morte escura
Orrendo crime, culpa vergonhoza;
Seu delito foi ser de um Rei espoza,
Ser amada, e amar com fé tão pura.

As filhas do Mondego o cazo infando
«Longo tempo chorando memorárão»
As madeixas sutis desentrançando.

O Mondego gemêo: os Ceos troárão;
E os Amores dos labios se apartando
As duras setas palidos quebrárão."

A D. Inez de Castro

José da Natividade Saldanha (1795-1830). "Filho do vigário João José de Saldanha Marinho, nasceu em Pernambuco, em 8 de setembro de 1796. Com relação à sua morte, Sacramento Blake registra que ele teria falecido em Caracas, na Venezuela, afogado numa vala da rua, onde caíra em uma noite de chuva torrencial, em 30 de março de 1830. Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1823, aderiu ao ideário da Revolução Francesa. De volta ao Brasil, foi eleito secretário da Junta Governativa, permanecendo no cargo depois de proclamada a Confederação do Equador. Mas, em
novembro de 1824, restaurado o governo imperial, refugiou-se nos Estados Unidos, de onde seguiu para a Inglaterra e a França, sendo daí expulso como perigoso agente revolucionário. Apenas então fixou residência em Caracas, onde obteve licença para advogar depois de fazer os necessários exames, e também para trabalhar como professor de humanidades em Bogotá. Nesta época, travou contato com Simon Bolivar, chegando a se entrevistar com ele. Quando soube que havia sido condenado à morte por causa da revolução de 1824, mesmo ausente do país, enviou ao seu colega, Dr. Thomaz Xavier Garcia de Almeida, um dos juizes que o condenaram, a seguinte procuração:
«Pela presente procuração, por mim feita e assinada, constituo por meu bastante procurador na província de Pernambuco ao meu colega Thomaz Xavier Garcia de Almeida para em tudo cumprir a pena que me foi imposta pela comissão militar, podendo este morrer enforcado, para o que lhe outorgo todos os poderes que me são conferidos por lei». Caracas, 3 de agosto 1825. José da Natividade Saldanha.

Pela ênfase que deu aos assuntos liberais e nacionais, especialmente os de Pernambuco, a obra de José da Natividade Saldanha, tornou-se conhecida como precursora da independência, e tal epíteto também foi estendido ao autor. Sílvio Romero, conceituado historiador e crítico literário, ao comentar a obra do impetuoso escritor, afirma: Para tudo dizer sem rodeios, Saldanha tinha uma grande inteligência, cheio de entusiasmo pela pátria e repleta de desalentos por sua opinião e por sua origem; era quase negro e filho de um padre. Os preconceitos de seu tempo fizeram-no sofrer por isso e por suas idéias liberais. (Apud CAMARGO,1987).
(fonte: http://150.164.100.248/literafro/data1/autores/83/dados2.pdf)
Exemplar desencadernado em bom estado de conservação.
Muito raro.
125€
Reservado

01 dezembro, 2017

MAÇARICO, Luís Filipe - COM O MUNDO NOS PUNHOS: elementos para uma biografia de José Santa "Camarão". Prefácio: Vereador Pedro Feist. Lisboa, Câmara Municipal - Desporto, 2003. In-8.º (22cm) de 182, [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Biografia do famoso boxeur português que combateu em palcos nacionais e internacionais nos anos 20 e 30 do século passado.
José Soares Santa Camarão (Ovar, 1902 - 1968). "Pugilista da categoria de Pesos-pesados. Considerado o melhor pugilista português de sempre, media 2,02 metros, pesava 115 quilos e calçava o 49,5, pelo que tudo o que vestia e calçava tinha de ser feito por encomenda. Cedo se fez fragateiro, por obrigação do pai, tornando-se mais corpulento, característica que se impunha na faina do mar. Até que, um dia, faltou um lutador de boxe no Coliseu dos Recreios e o empresário Manuel Grilo preparou-o para combater, naquele que seria o início de uma carreira fulgurante. Convencido por Alexandre Cal, do Porto, deixou as fragatas em 1921 para se sagrar campeão de Portugal em todas as categorias, em 1925. Em nove anos de carreira desportiva - entre Abril de 1925 e Novembro de 1934, altura em que abandonou os ringues -, Santa Camarão competiu na Alemanha, Inglaterra, Brasil, França, Itália e Espanha, disputando um total de 97 combates oficiais de pesos-pesados, com 70 vitórias, três empates e 19 derrotas. Em 1930 viajou para os Estados Unidos, pátria do boxe, onde passou a ser conhecido como o "Homem Montanha de Portugal". Ainda pelos anos 30, o cinema imortalizou-o, lutando com os campeões do Mundo Max Bauer e Primo Carnera no célebre filme "Amor e Boxe/Liebe im Ring", sobre a vida do primeiro daqueles gigantes do ringue. Em 1934, regressou a Ovar, onde passou o resto dos seus dias vivendo dos rendimentos de uns prédios comprara no Porto, provenientes do que ganhou no boxe."
(fonte: jogos.centenariorepublica.pt)
"Mais conhecido por Santa "Camarão", terá começado a ajudar o pai nas fainas do Tejo, ainda adolescente, deixando-se mais tarde envolver pelo boxe, actividade que lhe traria a celebridade e o reconhecimento internacional.
Sagrando-se quase sempre vencedor, Santa "Camarão" é ainda hoje uma referência fundamental para todos aqueles que seguem e que se apaixonam pela vida desportiva. A determinação, a bravura, a coragem, a perseverança de Santa "Camarão", fizeram deste português um grande de Portugal, e inspiraram, e continuam a inspirar o imaginário de milhares de desportistas, amadores e profissionais..."
(excerto do prefácio)
Índice:
Prefácio. 1. Introdução. 2. A infância de José Soares Santa Camarão. 3. Fragateiro em Lisboa. 4. A compleição física e a incursão na luta livre. 5. Do convés ao ringue. 6. Folhetim Brasileiro. 7. Cinema na Alemanha. 8. O "Big" felow no Eldorado. 9. Regresso a Portugal e último combate. 10. A figura de Santa "Camarão" no imaginário popular. 11. Retorno a Ovar. 12. Amizades. convívios e... carnavais! 13. A velhice e a morte. 14. A memória dos ovarenses. 15. Considerações finais. Bibliografia. Agradecimentos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
15€

30 novembro, 2017

MONTENEGRO, Ayres - FISIO-PATOLOGIA DO AVIADOR : capacidade fisica para a aviação. Tese de doutoramento apresentada á Faculdade de Medicina de Lisboa. [Por]... Tenente medico da Escola Militar de Aviação. Lisboa, Imprensa Africana, 1919. In-8.º (21,5cm) de 67, [1] p. ; [3] f. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Obra pioneira sobre as condições físicas do aviador de combate, desenvolvida na Escola Aeronáutica Militar em Vila Nova da Rainha, e editada pouco tempo após o final da Grande Guerra. Trata-se do primeiro estudo que sobre este assunto se publicou entre nós. O autor agradece e dedica a obra a seus familiares próximos, aos Drs. José Maria Branco Gentil e Marck Athias, ao seu comandante, Major Cifka Duarte, e aos seus camaradas Cap. Ribeiro da Fonseca, Cap. Santos Leite, Cap. Alfredo dos Santos Silva, Cap. Carlos Esteves Beja, Ten. Paiva Simões, Ten. Sérgio da Silva, Alf. António Correia, Alf. Emílio de Carvalho, Alf. Jorge d'Ávila e Alf. António Dias Leite. Com uma menção também a seis condiscípulos e amigos.
Valorizado pela sua dedicatória autógrafa ao Coronel-Médico Justino de Carvalho.
Livro ilustrado com tabelas no texto e com 3 gráficos em separado:
1) Modificação da tensão arterial e do pulso produzidas pelo vôo n'um piloto de 28 anos, com 4 de aviação;
2) Modificações de pressão arterial e do pulso produzidas pelo vôo (Auto-observação);
3) Gráfico "Altimetro", relacionado com a variação da altitude.
"No momento historico que atravessamos, em que a aviação depois de se ter revelado militarmente como uma arma formidavel parece querer marcar num proximo futuro um logar de primacial importancia na vida de relação dos ovos, tudo quanto, por modesto que seja, se relacione com o assunto, deve, em meu entender sêr publicado.
Dentre os multiplos aspectos porque tem de sêr encarado, realça o que respeita á escolha do aviador sob o ponto de vista da sua capacidade fisica.
Para isso é indispensavel conhecer-se primeiro as condições a que está subordinado o aviador antes, durante e depois do vôo e em seguida estudar-se a natureza das suas reacções em face d'elas.
O que vae lêr-se é o esboço d'um trabalho que a falta de tempo, os meus recursos e a soma de dificuldades de toda a ordem que se anteolharam não me permitiram fazer de maior vulto. Aos elementos colhidos na dispersa e pouco volumosa literatura estrangeira sobre o assunto, junto os resultados da minha observação pessoal, colhidos nas impressões de varios vôos executados, os primeiros num Farman pilotado pelo Ex.ᵐᵒ Capitão Esteves Beja que interessado pelo meu trabalho poz generosamente á minha disposição a sua inescedivel pericia de aviador. Por isso lhe deixo consignada a expressão do meu reconhecimento.
Agradeço tambem ao ex.ᵐᵒ comandante da Escola de Aviação o tel-os consentido, e a todos os oficiaes, pilotos e observadores o terem-se submetido gentilmente ao meu interrogatorio."
(Introdução)
Matérias:
Introdução. Cap. I - Preliminares. - Mal das altitudes - Mal das montanhas. - Patogenia. Cap. II - Mal dos aviadores. - Pressão arterial: Pressão maxima; Descida. - Sensibilidade cutanea. - Reflexas tendinosas. - Hiperglicêmia. - Força muscular, resistencia á fadiga. III - Variações do pulso. IV - Capacidade fisica para a aviação: - Aparelho respiratorio; - Aparelho circulatorio; - Orgãos abdominais; - Sistema nervoso; - Ouvido; - Equilibrio; - Aparelho visual. Conclusões. Bibliografia.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa manchada. Com escritos, sobretudo a lápis, no verso da capa e na f. rosto.
Muito raro.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP), ou em qualquer outra fonte bibliográfica do nosso conhecimento.
Com interesse histórico e aeronáutico.
Peça de colecção.
Indisponível

29 novembro, 2017

MARQUES, Carlos Alberto - A SERRA DA ESTRÊLA. Por... Professor dos liceus e bolseiro da J. N. E. Coimbra, Coimbra Editora Lᵈᵃ, 1938. In-4.º (26cm) de 77, [3] p. ; [22] p. il. ; [5] mapas. ; B. Subsídios para o estudo da Geografia de Portugal, II
1.ª edição.
Estudo geográfico sobre a Serra da Estrela, trabalho pioneiro, ainda hoje considerada uma obra de referência sobre a matéria.
Ilustrado com 5 mapas (3 desdobráveis) e 22 páginas impressas sobre papel couché, em separado, contendo inúmeras fotogravuras com aspectos paisagísticos da serra.
"Alguns trabalhos publicados sôbre a Serra da Estrêla. - Superiormente organizada pela Sociedade de Geografia de Lisboa, efectuou-se em 1881 uma expedição científica à Serra da Estrêla, tendo sido publicados em 1883 uns relatórios da referida expedição que alguns cuidadosos bibliotecários juntaram em volume único e raro. Sôbre o facto que muito dignificou a Sociedade de Geografia passaram cinqüenta e sete anos, mais de meio século, portanto. E assim é que um tão largo espaço de tempo de progresso científico veio alterar, modificar, reformar, refutar, acrescentar ou diminuir conceitos, idéas, princípios e leis, opiniões, hipóteses e afirmações, nos ditos relatórios apresentadas e defendidas. [...]
Objecto do presente trabalho. - Sob o ponto de vista geográfico apenas, é que a Serra da Estrêla ainda não foi estudada. [...]
Tenta-se agora o estudo do maior relêvo orográfico do país, sob os pontos de vista físico, biológico e humano, que seja contributo, despretencioso embora, para o conhecimento da geografia de Portugal. [...]
As duas razões dêste estudo. - A primeira razão que nos levou a jordanear durante cinco meses, sob intempéries, pela Serra da Estrêla, foi, seguindo Termier, uma das razões da nossa vida, conhecer e transmitir aos outros o mesmo conhecimento para que se não diga que os portugueses «deram mundos novos ao Mundo» mas desconhecem o pátrio solo. A segunda razão foi ditada pela necessidade de levantar da ignorância atrevida tanto dizente e escrevente que reprovou, atacou e amaldiçoou a divisão provincial do país. De facto, não houve ignorante ou letrado que não manifestasse a sua opinião acêrca desta nova divisão administrativa, criado por decreto do primeiro de Janeiro de 1937."
(excerto da Introdução)
Índice:
Introdução. Capítulo I. Geografia física da Serra da Estrêla: 1 - Aspecto geológico. 2 - Orogenia, orografia e hipsómetria. 3 - Hidrografia - Potamologia e Limnologia. 4. Climatologia. Capítulo II. Geografia biológica e fisionomia geográfica: 1 - Fitogeografia. 2. Zoogeografia. 3 - Fisionomia geográfica. Capítulo III. Geografia humana: 1 - A população e a sua distribuição. 2 - Ocupação do solo. A) A habitação; B) Vias de comunicação. 3 - Agricultura e criação de gados. A) Agricultura; B) Criação de gados. 4 - Devastações animais e vegetais. A) Caça e pesca; B) Devastação vegetal. 5 - Explorações minerais e industriais. A) Explorações minerais; B) Indústrias. 6 - O comércio. A propriedade. Grupos profissionais. Bibliografia. Aditamento sôbre o turismo, na Estrêla.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manuseado, com defeitos na lombada e no corte das capas. Pequena mancha de humidade nas 3 últimas folhas do livro. Pelo interesse e raridade a justificar trabalho de restauro e encadernação.
Raro.
Indisponível

28 novembro, 2017

ULF, Axel - COMBÓIO À VISTA! Aventuras no Mar do Norte de um grumete alemão residente no estrangeiro. Por... Lisboa, Edições Alma, [1941]. In-8.º (21cm) de 40 p. ; il. ; B. Colecção Popular, VI
1.ª edição.
Curiosa história de guerra, publicada sob pseudónimo, com chancela da propaganda nazi.
Na novela, o "sueco" Sven, habitante em Estocolmo, é o protagonista. A sua condição de emigrante alemão não é inocente, muito menos coincidência. Trata-se de um apelo aos alemães espalhados pelo mundo, aproveitando para sugerir uma ligação entre os dois países - Suécia e Alemanha - que na realidade não se verificava, dada a posição neutral do primeiro no conflito.
Estas histórias "ligeiras" são muito interessantes, e a sua publicação traduz um salto qualitativo dos serviços de propaganda alemã face às edições oficiais, onde se revelavam as acções de guerra e o seu resultado no terreno, e se exaltava a Alemanha denegrindo a Inglaterra. Este meio de divulgação, procura de uma forma subtil atrair um público mais jovem, e (ou) os adeptos dos folhetins e romances de aventuras. De salientar ainda, que os desenhos, na capa e no interior (a p.b.), apresentam uma excelente qualidade gráfica e artística. Refira-se ainda, a título de curiosidade, que o editor - ALMA (ou A.L.M.A.) -, sediado em Lisboa, na Rua do Alecrim, limitava a sua produção livreira a publicações de cunho germanófilo.
"... Entretanto, tinha chegado o mês de Agosto, e Sven ouvia muitas vezes os marinheiros  falar de política. Muitos diziam que estava para breve uma guerra.
Mais depressa do que êle julgava, estalara realmente a guerra. Estavam ainda fundeados em Rotterdão, e esperavam pelo navio-cisterna «Ingwar» que devia trazer de África bronze para canhões. [...]
A meio daquela noite, Sven acordou e chamando por Olaf, disse-lhe: «Sabes?... quero ir para a Alemanha!»
Olaf, bêbedo de sono, respondeu-lhe: «Idiota!»
- «Não!» continuou Sven. «Isto não é nenhuma fantasia de idiota. Todos os rapazes alemães que estejam agora no estrangeiro, desejam regressar à pátria e combater na frente!»
- «Com que idade é que se pode ser soldado na Alemanha? Mas tu és sueco!» ripostou Olaf. - «Meus pais são alemães, e a-pesar-de eu ter vivido em Estocolmo durante nove anos, isso não quere dizer que deixei de ser alemão»."
(excerto do texto)
 Exemplar brochado em bom estado de conservação. Rubrica de posse na f. rosto.
Raro.
20€

27 novembro, 2017

ABREU, Bras Luis de - SOL // NASCIDO NO OCCIDENTE, // E // POSTO AO NASCER DO SOL. // S. ANTONIO // PORTUGVES. // LUMINAR MAYOR NO CEO DA IGREJA // ENTRE OS ASTROS MENORES NA ESPHERA DE FRANCISCO. // EPITOME HISTORICO, E PANEGYRICO // De sua admiravel Vida, & prodigiozas acçoens, // QUE ESCREVE, E OFFERECE // A' // SERENISSIMA, AUGUSTA, EXCELSA, SOBERANA FAMILIA // DA // CAZA REAL // DE // PORTUGAL, // CUJOS INCLYTOS NOMES, E COGNOMES SE FELICITAÕ, // & esmaltam com as Sagradas Denominações de // Franciscos, & Antonios. // POR MAÕ DO REVERENDISSIMO // ANTONIO TEIXEYRA ALVERES // Do Conselho de Sua Magestade, que Deos guarde, seu Dezembargador do Paço; // do Conselho Geral do S. Officio, Conego Doutoral na Sé de Coimbra, & Len- // te de Prima Jubilado nas duas Faculdades de Canones, & Leys, &c. // [POR] BRAS LUIS DE ABREU. // CISTAGANO, FAMILIAR DO S. OFFICIO. // EM COIMBRA: // Na Officina de JOSEPH ANTUNES DA SYLVA Impressor da Universidade; // & Familiar do S. Officio. // ANNO DE M. DCCXXV. [1725] // Com todas as Licenças necessarias, & Privilegio Real. In-4.º (28,5cm) de [32], 503, [2] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Biografia setecentista de Santo António.
Ilustrada no texto com bonitas capitulares, florões e vinhetas tipográficas, gravadas em madeira.
"A Prodigioza Vida de hũ Portugues Italiano; as memoraveis acçoens de hum Italiano Portugues; huma Historia Panegyrica de Sancto Antonio de Padua; he o que offerece aos Piedozos Devotos de Antonio, hum Devoto especial igualmente q dos Antonios, dos Piedozos. Jà aescreveraõ, entre outros muytos, os Boaventuras, os Antoninos, os Sedulios, os Rodulfos, os Mateos, Marianos, Florentinos, Uvadingos, Celenos, Barregios, Vitaes, Marcos, Conejos, ؏ Gonzagas. Mas com terem escripto tantos esta grande Historia, ainda està por idear a obra que vença a sua materia. Santo Antonio para tantos, implorado; he para nenhum, discorrido. Muytos o buscaõ, todos o achaõ, para o patrocinio; ninguem o acha tanto que o busca para a comprehençaõ. Deparador com couzas perdidas o cofessa o Mundo: huns perdem fe por elle, no que o veneraõ; estes ficaõ ganhados; outros com elle, no que discorrem; estes vaõ perdidos. O seu poder fas deparadas as couzas a quem o roga; a sua grandeza deixa parados os discursos de quem o elogia.
(excerto do preâmbulo, A quem ler)
Brás Luís de Abreu (1692-1756). "Para rectificar e adicionar o pouco que Barbosa nos deixou acerca deste escritor, registarei aqui o resultado obtido das investigações quanto á pessoa e feitos daquele distinto medico português. Resultado, cuja maior parte se funda em documentos que ainda existem, sendo o resto havido em tradições conservadas nos próprios lugares; e parece portanto dever merecer toda a confiança. D'essas tradições consta que Braz Luis de Abreu fora exposto em Coimbra, e não nascido em Ourem, como diz Barbosa no tomo I assignando-lhe por pais Francisco Luis de Abreu e Francisca Rodrigues de Oliveira, e dizendo mais que ele nascera a 3 de Fevereiro de 1692. Alguém lhe forneceu os meios para cursar em idade própria o curso de medicina da Universidade, no qual chegou a formar-se, e não há dúvida em que exercera depois a clinica na cidade do Porto, pois que ele mesmo se intitula medico portuense no frontispício do seu Portugal Medico de que logo falaremos. Diz-se que na primeira idade, em um brinco de rapazes, perdera um olho, o qual substituiu depois por outro de vidro, feito com muita arte, provindo-lhe daí a alcunha de olho de vidro por que era conhecido em vida, e que ainda se conservou muitos anos depois da sua morte. Casou pelos de 1718 com D. Josepha Maria de Sá, natural de Viseu e filha do doutor Antonio de Sá Mourão, e dela houve cinco filhas e três filhos. Passados quatorze anos depois que viviam juntos, o marido e a mulher por motivos que totalmente se ignoram, convieram em separar-se. Se algum dos nossos romancistas actuais se resolvesse a tratar o assumpto, afigura-se-me que a vida deste nosso médico, com os curiosíssimos incidentes que ficam apontados, lhe dariam sobeja matéria para a fábrica de uma composição onde, mediante a lição dos escritos que nos restam de Braz Luis, poderiam fundir-se habilmente espécies mui interessantes, pare daí resultar obra de cunho verdadeiramente nacional. Sol nascido no ocidente e posto ao nascer do sol. Sancto António Portuguez. Epitome histórico e panegírico da sua admirável vida e prodigiosas acções. Coimbra, por José Antunes da Silva 1725 fol. - E por segunda vez, Lisboa, por José da Silva da Natividade 1754. 4.° de XXIV-461 pag. Possuo um exemplar d'esta segunda edição, desconhecida de Barbosa e de que o Sr. Figaniere também se não fez cargo na sua Bibliogr. Hist. Custou-me 600 réis. Os exemplares da edição de fólio regulam, creio, de 800 a 960 réis. O estilo desta obra é de um culteranismo requintado: superabunda em conceitos metafóricos, e está portanto bem longe de servir de modelo: mas não deixa de ser um livro curioso, e se alguém tiver a paciência de o ler todo, parece-me que não dará por perdido o tempo que nisso empregar."

(Inocêncio T. I, pp. 395)
Encadernação da época inteira de pele com as pastas trabalhadas.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Cansado. Apresenta restauros toscos coevos na pasta frontal e no frontispício. Com falha de papel menor no pé da f. rosto, sem perturbar a mancha tipográfica. Pequeno orifício, à cabeça, nas primeiras 5 folhas. Manchado de humidade, junto das margens, ao longo da obra. Pelo interesse e raridade a justificar limpeza e trabalho de restauro.
Raro.
120€

26 novembro, 2017

REPRESALIAS SOBRE PRISIONEIROS DE GUERRA. Correspondencia trocada entre a Commissão Internacional da Cruz Vermelha e o Governo Britanico. Londres, Eyre and Spottiswoode, Limited. 1916. In-8.º (18cm) de 14, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio para a história dos prisioneiros da Grande Guerra.
"A Cruz Vermelha, a qual nos apraz dizer, muito tem progredido durante a presente guerra e largamente tem exercido entre os belligerantes, com a cooperação das potencias neutras, a sua benefica influencia, foi fundada com um objectivo - o da humanidade.
A sua creação foi inspirada pelo desejo de mitigar, até certo ponto, as cruezas da guerra, especialmente entre aquelles cujos ferimentos, embora sem serem fataes, os tivessem debilitado e incapacitado.
No decurso desta guerra, o vasto numero de combatentes tem produzido uma classe de infelizes de um typo, por assim dizer, novo, pois que se essa classe já antes existia, nunca chegou a attingir as suas actuaes proporções. Queremos referir-nos aos prisioneiros de guerra. Estes estão tambem invalidos, incapazes de resistir, e expostos á mercê do inimigo, que os forçou a render-se e supplicar lhes fossem poupadas as vidas.
O prisioneiro que consegue escapar incólume da batalha é certamente menos digno do que o soldado que foi ferido e se acha retido no leito do hospital. Comtudo, o captiveiro, esse exilio involuntario, longe da patria, longe dos seus, com os quaes só pode communicar raras e incertas vezes, combinando com o ocio forçado, produz torturas moraes que recrudescem á medida que a guerra se vai prolongando."
(excerto da correspondência)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
10€
Reservado