26 março, 2017

ANAQUIM, Manuel - A MODERNA QUESTÃO DO HYPNOTISMO. [Por]... Bacharel formado em theologia. Coimbra, F. França Amado - Editor, 1895. In-4.º (24cm) de 156, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo do final de oitocentos sobre o hipnotismo, questão momentosa na época, que médicos, curiosos e religiosos se encarregaram de divulgar através de várias obras publicadas, e que haveriam de manter aceso o interesse neste tema ao longo das primeiras décadas do século XX.
Muito valorizado pela dedicatória manuscrita do autor.
"Já não é nova a pretensão de naturalisar tudo quanto a crença e a razão nos apontam como superior á natureza; todavia o horror ao sobrenatural, que hoje é endemico, foi systematisado no seculo de Semler, d'Eichhorn e do Dr. Paulus, diffundido e vulgarisado no de Strauss e Rénan, e actualmente exerce com toda a franqueza e liberdade a sua acção demolidora no vasto laboratorio das descobertas scientificas, onde lhe servem não só os dados positivos e inconcussos, posto que sempre mal interpretados ou desfigurados, mas ainda e fanaticamente os mais recentes e indefinidos eurekas.
De toda a parte e de todos os cantos do mundo sabio surgem hora a hora novos ataques ao sobrenatural, qualquer que seja a esphera da sua comprehensão; não existe talvez já pedra alguma d'aquelle maravilhoso edificio, que não tenha soffrido os golpes traiçoeiros da moderna sciencia. [...]
Não conheço trabalho algum feito ex-professo, sobre a questão hypnotico-prophetica; isto, porém, não significa que eu tenha a tola pretensão da originalidade; ja ha muito tempo foi dito: nihil sub sole novum; pois nada mais farei do que estabelecer o confronto entre os dados hypnoticos, que a sciencia actualmente nos fornece, e a historia do prophetismo biblico, assás conhecida, embora desenrolada de fórma a evidenciar bem a sua differenciação profunda e o seu antagonismo radical pelo menos ao presente."
(excerto da introdução)
Indice:
Introducção. Parte hypnotica: - Historia do hypnotismo; O que é o hypnotismo? - Processo de hyonotisação e condições de hypnotisabilidade; - Phenomenos geraes do hypnotismo; Perigos do hypnotismo. Parte prophetica: Conceito, mecanismo e historia do prophetismo biblico. Parte hypnotico-prophetica: Approximações hypnotico-propheticas; Inverosimilhança da solução hypnotico-prophetica. Additamento.
Manuel Anaquim (1871-1936). "Figura destacada do clero do Patriarcado de Lisboa, tendo sido cónego e desempenhado funções de Vigário-Geral. Clérigo respeitado entre republicanos, teve papel destacado como teólogo e consultor no Concílio Plenário Português, realizado entre 24 de Novembro e 3 de Dezembro de 1926, em Lisboa." Publicou diversas obras sobre moral e religião; foi director do jornal Notícias da Covilhã.
(fonte: books.google.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa com leve "sombreado" no pé, e pequena falha de papel no canto inferior dto.
Raro e muito curioso.
35€
Reservado

25 março, 2017

O VOLUNTARIO DA ROTUNDA. Narrativa Historica da Revolução. Lisboa, Bibliotheca do Povo, 1910. In-8.º (22cm) de 100 p. ;il. ; B.
1.ª edição.
Obra publicada sob anonimato, ainda em 1910, pouco depois da implantação da República. Trata-se do relato romanceado da Revolução de 5 de Outubro de 1910, abrangendo os episódios históricos que lhe estão associados, com particular destaque para a resistência oferecida pelos revoltosos na Rotunda.
Apesar da narrativa configurar algum cunho ficcional, a prosa, poderosa e crua, por certo baseada em relatos 'vivos', dá uma outra perspectiva dos acontecimentos - por sinal muitíssimo curiosa -, a visão popular dos factos.
Livro Ilustrado no texto com bonitas capitulares, vinhetas tipográficas e fotogravuras da época.
"- Que vem a ser isto? perguntou ao chegar ao largo a alguns populares.
- Começam a bombardear o palacio das Necessidades.
Então, a despeito da sua edade e da sua prudencia , essa curiosidade que a tanta gente victimou por se irem metter quasi entre os contendores, fez com que o mestre, em logar de ir para casa, se dirigisse para os pontos mais altos do bairro da Lapa, a vêr se d'alli descobria o terrivel espectaculo.
Viu com effeito dois navios de guerra o S. Rafael e o Adamastor disparando tiros para o lado da cidade.
Junto d'elle n'uma culminencia proxima do Pau da Bandeira, havia muitos outros espectadores, a quem um recemchegado d'Alcantara contou o enthusiasmo dos gritos, e vivas á Republica, que partiam d'aquelle revoltado bairro, a cada rombo que as granadas abriam na real morada, e que se a tropa que a defendia d'alli marchasse sobre os revolucionarios do quartel de marinheiros, sahiriam dois mil homens ao seu encontro.
Quando o mestre prestava attenção a estes dizeres, ouviu-se o ribombar de canhões no outro lado da cidade, e logo escutou esta inquietadora nova. A bateria de Queluz tomára posição junto da Penitenciara e travára-se um duello com os defensores do quartel de artilharia 1 e com o campo dos revolucionarios."
(excerto do Cap. IV, O dia 4 de outubro)
Matérias:
I - O placard do «Seculo». II - No Chinquilho. III - A primeira noite da Revolução. IV - O dia 4 de outubro. V - Noite medonha. VI - A proclamação da Republica. VII - Viva a Republica! VIII - O foragido do Quelhas. IX - O governo saudando os heroes da Rotunda. X - O funeral dos martires.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis, sujas, com defeitos.
Muito raro.
35€

24 março, 2017

A SERRA DE S. MACÁRIO EM S. PEDRO DO SUL : apontamentos de um «carola» pelo S. Macário - PAISAGENS IGNORADAS DE PORTUGAL. [S.l.], Edição  do Dr. António Henriques de Sousa, 1967. In-8.º (19cm) de 22, [2] p. ; [2] f. il. ; [1] mapa desd. ; B.
1.ª edição.
Interessante monografia sobre a Serra de S. Macário - a sua história e lendas associadas - e a zona envolvente.
Ilustrada com fotogravuras a p.b. no texto, e a cores em separado. Contém ainda um desdobrável com um mapa da região estudada.
"Nos confins das freguesias de Sul e S. Martinho das Moitas, concelho de S. Pedro do Sul, eleva-se um monte, denominado Monte de S. Macário, um contraforte da serra da Gralheira que se estende de nordeste para sudoeste, entre os rios Paiva, Sul e Vouga, dando origem às serras da Arada, Manhouce e da Freita, esta já nos limites de Arouca. [...]
O S. Macário é venerado em duas capelinhas existentes no cimo do monte que tem o seu nome, como uma altitude de 1.060 metros e distando uma da outra cerca de 300."
(excerto de A Serra de S. Macário)
Matérias:
- Explicação prévia. - A Serra do S. Macário. - Belezas da Serra. - A Pena, sua Ribeira e Portal do Inferno. - Serra do Tamão outro Portal do Inferno. - A Cova da Serpe (lenda). - Monumentos. - Acesso.
Exemplar em bom estado de conservação. Capas algo sujas. Vestígios antigos de humidade numa das estampas extra-texto.
Raro.
15€

23 março, 2017

COELHO, José Manuel - OS MARCIANOS EM BRAGA (Uma história de Rádio). Porto, Edições do Litoral, 1989. In-8.º (20,5cm) de 167, [1] p. ; mto il. ; B. Colecção Os Protagonistas / 1
1.ª edição. 
A 30 de Outubro de 1988, a Rádio Braga, uma emissora pirata da capital do Minho, realizou uma emissão-homenagem dedicada a Orson Welles no 50.º aniversário da transmissão da peça teatral A Guerra dos Mundos que se assinalava nesse dia. Um colaborador da rádio elaborou uma adaptação do texto, que foi gravado com recurso a efeitos sonoros incipientes e vozes de outros colaboradores da estação - administrativos, técnicos e jornalistas. A emissão foi anunciada em jornais locais e do Porto e na própria antena. Não obstante a divulgação da iniciativa, tal como com Welles, 50 anos antes nos EUA, a transmissão provocou várias manifestações de pânico entre os ouvintes, com tentativas de fuga e revolta documentadas na imprensa nos dias seguintes.
Trata-se, na verdade, de uma curiosíssima história de rádio-ficção científica contada na 1.ª pessoa pelo idealista, produtor e participante da farça radiofónica que no final de 1988 assustou e pôs em pé de guerra a cidade de Braga, provocando desacatos e ameaças à integridade física do autor e dos seus colaboradores.
Ilustrada com inúmeras reproduções de capas e artigos de jornais da imprensa escrita - nacional e estrangeira - que noticiaram este assunto.
"Era um domingo de manhã, chuvoso e enevoado. Muitas famílias estariam na missa, muitos homens nos campos de futebol em jogos amadores. Mas muitos outros bracarenses estavam a ouvir rádio, uma emissora pirata a emitir em Braga há três anos, que resolveu homenagear Orson Welles. Porque era dia 30 de outubro de 1988 e se completavam 50 anos sobre a celébre emissão da Guerra dos Mundos que aterrorizou meia América, a Rádio Braga pôs os marcianos a aterrar em Cabanelas. E, tal como 50 anos antes, muitas pessoas não perceberam o carácter ficional da emissão e entraram em pânico. Muitas iniciaram um processo de fuga tendo como destino a Galiza, criando filas nos postos de abastecimento. Outras pessoas esconderam-se e outras ainda começaram a ligar para a rádio para perceber a veracidade dos acontecimentos. A história foi contada nos jornais do dia seguinte e chegou mesmo aos quatro canto do mundo."
(fonte: https://mediascopio.wordpress.com/category/sociedade/)
Apesar de relativamente recente, dado o seu indubitável interesse e a sua curta tiragem, a presente obra é já encarada como uma peça de colecção do género, um 'clássico', com grande interesse bibliográfico para a história da Ficção Científica e da Rádio em Portugal - e da região minhota em particular, dada a dimensão regional que atingiu, provocando o pânico na população e posto em causa os meios e a actuação da Protecção Civil que, apanhada de surpresa pela 'brincadeira', "meteu os pés pelas mãos".
José Manuel Coelho nasceu a 1 de Maio de 1956 em Braga. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, exerce a docência no ensino secundário desde 1980. Dinamizador de diversas actividades culturais em áreas adstritas ao Teatro e ao Cinema, inicia em 1986 a sua colaboração na Rádio, alcançando notória dimensão através da realização de A Guerra dos Mundos, adaptação radiofónica da obra homónima de H.G. Wells. 
Índice:
I - História de uma Homenagem. II - Reflexões. III - O Jovem Orson Wells. IV - H.G. Wells: Breves Notas. ANEXO I. A Guerra dos Mundos: Guião Original da peça radiofónica (Rádio Braga, 30 de Outubro de 1988). ANEXO II. A Guerra dos Mundos e a Imprensa.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito apreciado.
35€

22 março, 2017

PEREIRA, Henrique Gregório - PEQUENAS LIÇÕES DE HIGIENE. Bragança, Edição do autor, 1936. In-8.º (19cm) de 109, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso livrinho sobre higiene popular. Publicado em Bragança, nos primórdios do Estado Novo, serviam o propósito do regime na divulgação dos cuidados de saúde.
"Nem o muito dinheiro, nem as maiores glórias bastam para a nossa felicidade. É indispensavel a saúde.
A doença vem sempre acompanhada de sofrimento e com êste é impossivel o bem-estar. [...]
Não há riqueza que compense o sofrimento, não há fortuna capaz de substituir a saúde.
Quando estamos doentes pomos de lado tôdas as alegrias e preocupações. Só nos interessa combater a doença, afastar a possibilidade de passarmos o resto da vida sempre a sofrer e arredar a própria morte para o mais longe possível. É que a saúde é a única garantia da vida e por isso lhe atribuímos um valor superior a tudo." [...]
Há uma ciência, isto é, um conjunto de conhecimentos que nos ensina como havemos de proceder na defesa da saúde e para a conservação da vida. É a Higiene.
Tôdas as ciências, tôdas as artes, tôdas as indústrias devem ter em vista o bem-estar da Humanidade - e portanto tôdas elas contribuem para um fim comum que é a saúde do corpo e do espírito - sendo assim auxiliares e subsidiárias da higiene."
Índice:
- Higiene geral. - Higiene individual. - Higiene colectiva. -  Higiene da habitação. - Higiene mental. - Higiene social e moral.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
10€

21 março, 2017

VERDUN : Argonne (1914-1918). Prix: 12 Francs - Publié sous le patronage de Ministère de l'Instruction Publique et des Beaux-Arts et du Ministère des Affaires Étrangères. Clermont-Ferrand, Michelin & Cie, Propriétaires-Éditeurs, 1928. In-8.º (22cm) de 176 p. ; [1] planta ; mto il. ; E.
Guia Michelin dos campo de batalha da Grande Guerra. Edição em francês, no original, totalmente impressa sobre papel couché. O presente roteiro é dedicado a Verdun, onde se travou, em várias fases, uma das mais longas e importantes - sangrentas e destruidoras, batalhas do conflito.
Ilustrado com inúmeras fotogravuras de aspectos da batalha, das trincheiras e da destruição provocada pelos bombardeamentos em monumentos e zonas habitacionais. Contém ainda croquis e mapas das zonas de guerra, um deles em separado, ocupando 2 folhas.
"L’Œuvre du Souvenir des Défenseurs de Verdun
Ossuaire de Douaumont
Œuvre de guerre autorisée par décision ministérielle du 3 décembre 1919
Sur le champ de bataille de Verdun, des millions d'hommes se sont heurtés dans un duel de géants ; 400.000 soldats français sont tombés là, sur un front de 20 kilomètres.
Une Association s’est constituée dans le dessein d’ériger un Ossuaire, sur un point culminat, au centre du champ de bataille que l’œil pourra de là embrasser tout entier.
L’emplacement choisi est situe entre le forte de Douaumont et l’ouvrage de Thiaumont (voir les pages 86 á 89 de ce Guide). Le Comité de patronage est présidé par M. Raymond Poincaré.
L’Œuvre, placée sous la présidence d’honneur du maréchal Pétain, est présidée par S. G. Mgr Ginisty, évêque de Verdun.”
(excerto do preâmbulo)
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal e na lombada.
Exemplar manuseado, em bom estado geral de conservação.
Raro.
20€
Reservado

20 março, 2017

DURÃO, S. J., Paulo - AS MULHERES NA PAIXÃO DE JESUS. Braga, Livraria Cruz, 1949. In-8.º (22cm) de 38 p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Curiosa conferência onde o autor, à luz da história, procura interpretar psicologicamente algumas das figuras femininas que intervieram no drama sangrento da Paixão de Cristo.
Ilustrada no final com um bonito desenho floral em separado.
"A primeira mulher, que vemos mencionada, no relato histórico da Paixão de Jesus, é, como diríamos hoje, uma senhora da primeira sociedade: nada menos que a esposa do Procurador romano, [Pôncio Pilatos]. [...]
É, na verdade, simpática a aparição desta figura. A sua intervenção, embora discreta, revela, antes de mais nada, certo apreço pela pessoa de Jesus, a quem denomina justo, e desejo de que seu marido não coopere na condenação daquele inocente. No meio do vociferar rancoroso dos inimigos do Senhor esta doce voz dum coração feminino constitui, não só um contraste flagrante, mas também um reconfortante exemplo.
Mas quem era a mulher de Pilatos?
Como explicar esta intervenção?"
(excerto de A mulher de Pilatos)
Intervenientes no drama:
- A mulher de Pilatos. - As filhas de Jerusalém. - Dois grupos no calvário: O grupo mais distante [Maria Madalena (mais tarde integraria o 'grupo mais próximo'); Maria, Mãe de S. Tiago Menor; Salomé.]; O grupo mais próximo [Maria Madalena; Maria, Mãe de Jesus]. - A Verónica.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa apresenta pequena mancha no canto superior dto. A f. rosto tem inscrição: Homenagem dos Editores.
Muito invulgar.
15€

19 março, 2017

CAMACHO, Brito - MOÇAMBIQUE : problemas coloniais. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, [1926]. In-8.º (18,5cm) de 256, [2] p. ; E.
1.ª edição.
Preciosa monografia sobre Moçambique, fruto das observações e reflexões do autor ao longo dos dois anos (1921-1923) em que desempenhou o cargo de Alto Comissário na colonia.
"Possuimos colonias ha seculos; temos colonias espalhadas por todo o mundo, e se nem todas teem o mesmo alto valor intrinseco, não há uma só que não tenha um apreciavel valor de posição, para nos servirmos duma linguagem emprestada. [...]
Para que o paiz se interesse, a valer, pelas colonias, é condição indispensavel... conhecel-as. Vagamente ele sabe que possuimos terras, imensas terras, na Africa, na Asia, na Oceania, tendo perdido ha bons cem anos as que possuiamos na America e constituem hoje um Estado independente, uma das mais florescentes republicas do Novo Mundo. [...]
Se o futuro de Portugal está nas colonias, é necessario que o Paiz as conheça, saiba o que elas valem, como centro produtor de materias indispensaveis á actividade industrial da Metropole, sendo ao mesmo tempo centro de consumo de quanto a Metropole lhes pode fornecer, e elas são incapazes de produzir."
(excerto do prefácio)
Índice:
- Prefácio. - Aptidões culturaes do Solo. - O assucar. - Um contrato. - A fisionomia da terra. - Madeira e lenha. - Os minerais. - Gados. - A população. - A assistencia aos indigenas. - A preguiça indigena. - Trabalhadores e salario. - Poligamia.
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro na pasta frontal e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

18 março, 2017

FERREIRA, Reinaldo - HOMENS DO DIA E MULHERES DA NOITE. [Memórias do reporter X]. Lenine - Mussolini - Raquel Meller - Rasputine - Mata-Hari. Porto, Albatroz Editora, 1926. In-8.º (19,5cm) de 207, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Curioso conjunto de curtas biografias de algumas das mais marcantes figuras do século XX, - pela pena inconfundível do Repórter X.
Ilustrado com uma caricatura de cada um dos biografados.
"Como daí, da bancada dos leitores poucos serão os que me surpreenderam nesta labuta infernal, quotidiana, que dura já há dôze anos, atafulhando quartos de papel, escrevendo pelos eléctricos, pelos cafés, nos bufetes de estação e nos «fumoirs» dos barcos; nesta lufa-lufa de viagens, neste vai-vem da gare que me conduz ao Mundo e da gare que me conduz de novo a esta terra - vivendo como uma «pelota» basca que é atirada contra a parede e que volta à «raquette» que a expediu - é preciso que eu os previna, que as minhas «memórias» são apenas reportagens, reportagens que se espalharam, como cartas de jogar lançadas ao vento e hoje se reunem em baralhos.
Dessas reportagens, o maior número são as inéditas, as proibidas, as que eu fiz na antecipada certeza de que não seriam bem acolhidas pelos jornais. São as «fotos» impressionadas à franco-atirador; surprezas dos alçapões; bisbilhotices e inquéritos conseguidos nos subterrâneos da minha vida de reporter andante; - «clichés», em suma, que estiveram guardados na «camara escura» das malas, à espera da oportunidade para o banho da revelagem."
(excerto do preâmbulo, Memórias?)
Índice:
Memórias? [Preâmbulo]. Rasputine: I - A Pasta das Surprêzas; II - O russo do calabouço 8; III - O malefício; IV - O enigma; V - O assassinato do Homem Imortal. Raquel Meller: I - Aquela que as rainhas invejam; II - O segrêdo de Raquel. Mussolini: I - História e heroísmos da imprensa clandestina; II - "Ela", e o Ditador; III - A espionagem do Ditador; IV - A história e o segrêdo dos quatro atentados. Mata-Hari: I - A revisão do processo; II - Onde encontrei Mata-Hari; III - A vida-folhetim de Mata-Hari; IV - As vítimas da espionagem- Lenine: I - Lenine, eremita...
Reinaldo Ferreira, sob o pseud. Repórtex X (Lisboa, 1897 - Lisboa, 1935). “Considerado desde cedo como um prodígio do jornalismo, Reinaldo Ferreira já era reconhecido como repórter importante aos 20 anos. Viveu e trabalhou na Espanha, na França e na Bélgica. Diz-se que a sua invulgar imaginação era fortemente impulsionada pela morfina, vício por si mesmo assumido em 1932 no volume Memórias de um ex-morfinómano, escrito depois de uma desintoxicação. Muito cedo deixou que a sua imaginação mistificasse os leitores, apresentando ficção como realidade. Por exemplo, escreveu uma reportagem sobre a União Soviética sem nunca lá ter ido, e publicou uma série de cartas no jornal O Século, sob o pseudónimo Gil Goes, sobre um crime macabro que teria ocorrido na Rua Saraiva de Carvalho, em Lisboa. Em 1930, fundou o jornal Repórter X, designação que já usava como pseudónimo. O jornal granjeou sucesso com grandes tiragens. Era pois uma conhecida figura no meio jornalístico e literário da época, tendo sido amigo íntimo de Mário Domingues. Destacou-se também como produtor e realizador, tendo fundado uma produtora cinematográfica e dirigido três longas-metragens: O groom do Ritz, O táxi 9297 e Rito ou Rita. Publicou dezenas de volumes de ficção policial e de aventuras, assim como folhetos semanais com a mesma temática. Criou várias personagens marcantes, nomeadamente O mosqueteiro do ar (1933), personagem que se assemelhava com o Super-homem norte-americano, embora tenha surgido antes (a primeira banda-desenhada do Super-homem seria apenas publicada em 1938).”
(Fonte: http://fcsh.unl.pt/chc/romanotorres)

Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente oxidadas.
Invulgar.
15€

17 março, 2017

OLIVEIRA, P. Miguel de & NEVES, P. Moreira das - A PADROEIRA DE PORTUGAL : notas e documentos. Lisboa, Edições Letras e Artes, 1940. In-8.º (18,5cm) de 54, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Monografia sobre Nossa Senhora de Fátima (ou N. Sra da Conceição), Padroeira de Portugal, publicada na sequência das comemorações do duplo centenário da Fundação e da Restauração de Portugal, celebrado em 1940.
Ilustrada com bonitas vinhetas.
"É vastíssima a bibliografia mariana portuguesa. Mas sente-se a falta dum volume cómodo e breve, em que o leitor não tenha de prevenir-se contra o elemento lendário, aliás tão curioso, nem se exponha a fatigar-se com intrincadas análises eruditas.
A Padroeira de Portugal apresenta-se com a simplicidade que, no pensamento dos autores, foi propósito.
Verdades que andavam misturadas com devotas ilusões, notas esparsas, documentos abandonados ou mal conhecidos, de tudo aqui ficará um pouco, mais em louvor da Virgem da Conceição do que em jeito de lição de história religiosa e nacional."
(excerto da introdução)
"O dogma da Imaculada Conceição foi-se precisando na doutrina da Igreja por um esfôrço secular de tradição cristã. Nos primeiros séculos, os escritores eclesiásticos dão claro testemunho da elevada santidade da Virgem Maria e afirmam cada vez mais solenemente a sua absoluta pureza, mas não fazem referência expressa àquele mistério.
Só na Idade Média, com o aparecimento da festa da Conceição de N. Senhora, surgiram controvérsias teológicas sôbre as quais a Igreja evitava pronunciar-se, mas que contribuíram notàvelmentte para o esclarecimento da doutrina."
(excerto de História do dogma)
Índice:
- História do dogma. - Origens da festa. - Primícias do culto em Portugal. - A eleição da Padroeira. - Breve de Clemente X, confirmando a eleição. - Novos testemunhos da devoção portuguesa. - Lápides votivas. - Em louvor da Padroeira.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Dedicatória (não dos autores) na f. anterrosto.
Raro.
15€
Reservado

16 março, 2017

OLAVO, Carlos - A VIDA TURBULENTA DO PADRE JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO. Lisboa, Livraria Editora Guimarães & C.ª, [1938]. In-8.º (19cm) de 284, [4] p. ; B.
1.ª edição.
Biografia de José Agostinho de Macedo (1761-1831), padre malandro e patusco, panfletário, poeta e temível polemista, autor de algumas das mais belas peças da nossa literatura de 'escárnio e maldizer'.
"Será talvez curioso saber, para determinar a origem dêste meu trabalho, a razão porque pensei, escolhi e estudei a personalidade de José Agostinho de Macedo, velha figura literária com mais dum século de túmulo, quási esquecida, quási apagada nas sombras que a luz dos tempos vai deixando nos recantos da história.
Essa razão é simples. Um dia, há uns anos atrás, numa hora vertiginosa em que o jornalismo me tentou, tive a idéia de escrever um livro sôbre os jornalistas e panfletários portugueses... [...]
José Agostinho estava destinado a ser o primeiro da série, não só por motivos de ordem cronológica, mas ainda pela riqueza dos factores de reconstituição. E realmente, êle é uma das personagens mais interessantes da nossa história literária porque, além de polemista, foi poeta, prègador, epistológrafo, dramaturgo, crítico e dominou a sua época pela fôrça quási incrível da sua personalidade.
Acresce que é uma figura pitorescamente anedótica, envolvida de episódios, cortada de detalhes sugestivos, facetada de aventuras variadas, que se bem que pertencendo a um passado morto é susceptível de interesse e atenção dos vivos."
(excerto do preâmbulo)
Índice:
Preâmbulo. - A primeira aventura. - José Agostinho em Lisboa. - De convento em convento. - Expulso da religião. - Intermezzo. - Retrato. - Os amôres de José Agostinho. - Vida e idéias literárias. - Vida e idéias políticas. - Doença e morte de José Agostinho. - A posteridade. - Obras consultadas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

15 março, 2017

GOMES, Adelino & CASTANHEIRA, José Pedro - OS DIAS LOUCOS DO PREC [do 11 de Março ao 25 de Novembro de 1975]. Prefácio de Gonçalo M. Tavares. [Lisboa], Expresso : Público, 2006. In-4.º (27cm) de 431, [1] p. ; mo il. ; E.
1.ª edição.
PREC (Processo Revolucionário em Curso). Importante subsídio para o estudo do denominado "Verão quente de 75".
Livro impresso em papel de superior qualidade, profusamente ilustrado com desenhos e fotografias da época a p.b. e a cores.
"Em 2005, o Expresso e o Público revisitaram oito meses e meio que mediaram entre a tentativa de golpe de 11 de Março e o 25 de Novembro de 1975.
Concebidas e desenvolvidas em inteira autonomia, as duas iniciativas editoriais empenharam-se em apurar, com rigor, a cronologia noticiosa daquele período. A selecção dos factos fez-se, quase sempre, a partir da imprensa escrita do tempo. [...]
Os textos publicados em cada um dos jornais são facilmente reconhecíveis: os do Expresso abrem cada capítulo, à maneira de uma entrada longa ou de um artigo-síntese; os do Público narram os desenvolvimentos noticiosos quotidianos, de que vão apresentando uma espécie de revista de imprensa. [...]
Entre Abril de 1974 e Abril de 1976, data da aprovação da Constituição, seguida da vitória presidencial de Ramalho Eanes sobre Otelo Saraiva de Carvalho, os portugueses viveram, seguramente, os tempos mais exaltantes da segunda metade do século XX.
O secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, entre outros, viu o Portugal do imediato pós 25 de Abril como um caso perdido para o então chamado "mundo livre".
Nesse período, em particular entre 11 de Março e 25 de Novembro de 1975 - a cuja narração jornalística o presente livro precede -, o País encontrou-se, por mais de uma vez, à beira da guerra civil."
(excerto da introdução)
Encadernação editorial policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€
Reservado

14 março, 2017

LIMA, J. Garcia de - A MULHER PERANTE AS LEIS. Solteira - Casada - Divorciada - Viuva - Binuva e Mãe : Direitos - Deveres - Obrigações - Regimen dotal. Legislação e Jurisprudencia. Lisboa, Edição da Biblioteca d'Educação Nacional, [1914]. In-8.º (18,5cm) de 94, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Importante subsídio legislativo. Colecção de leis reguladoras da vida feminina, promovidas pelo regime republicano saído da Revolução de 5 de Outubro implantado poucos anos antes.
Sumario:
- Do domicilio da mulher casada. - Do casamento. - Das Doações. - Doações feitas por terceiros aos esposados. - Das convenções dos conjuges em relação a seus bens. - Do poder paternal. - Interrupção da sociedade conjugal. - Da separação das pessoas e simples separação dos bens. - Regimen dotal. - Do Divorcio. - Apanagio das viuvas. - Das segundas nupcias. - Das fianças que a mulher póde prestar. - O que é vedado á mulher sem autorisação do marido. - Direitos e obrigações dos conjuges. - Filhos legitimos ou perfilhados. - Investigação da paternidade ou maternidade ilegitima. - Alimentos e socorros ás mães dos filhos ilegitimos. - Da mulher comerciante e direitos da mulher casada com falidos. - Adulterio. - Bigamia. - Interdição, Etc.
Exemplar por abrir, em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
Com interesse para a história da República.
Sem registo na Biblioteca Nacional (BNP).
20€

13 março, 2017

OLIVEIRA, Maurício de - LEOTTE DO REGO. No primeiro centenário do nascimento de um marinheiro ilustre : reportagem de uma vida. Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, 1967. In-4.º (24,5cm) de 167, [5] p. ; XXXV p. il. ; [2] p. il. ; il. ; B.
1.ª edição.
Apreciada biografia do Almirante Leotte do Rego (1867-1923), ilustre marinheiro e prestigiada figura da República.
Muito ilustrada no texto e em separado, a p.b. e a cores, com fac-símiles, desenhos e fotogravuras.
Livro duplamente valorizado pelas dedicatórias autógrafas do autor, e do filho mais velho do biografado, Luís Leotte do Rego.
"Foi um homem honrado que não fez fortuna, mas deixou a lição da sua vida a filhos, netos e bisnetos. Serviu com honradez a Monarquia e a República, não se aproveitando de nenhum dos regimes."
(fonte: naval.blogs.sapo.pt)
"Completará este ano um século de existência - se fosse vivo - alguém que se revelou personalidade de singular evidência na vida pública e no meio naval deste país: Jayme Daniel Leotte do Rego, oficial ilustre da Armada, combatente das campanhas de Moçambique, governador ultramarino, parlamentar fogoso, chefe militar austero, comandante das forças navais na primeira Grande Guerra e, a par de tudo isso, homem honrado e cidadão possuidor de uma alma generosa e das mais belas virtudes cívicas."
(excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
40€

12 março, 2017

VAZ, Salema - TERRA DE NINGUEM. Redondilhas da Grande Guerra. Por… (2.ª edição). Lisboa, Livraria Central - Editora, 1929. In-8º (20,5cm) de 60, [4] p. ; il. ; B.
Bonita edição impressa em papel encorpado, ilustrada com belíssimas vinhetas a p.b. e desenhos a vermelho no texto.

"Ás mães e noivas portuguezas, que souberam amar a sua terra no sacrificio aos entes queridos"

(dedicatória impressa)

"Hei-de ir p'ra guerra; é o meu fado!
Sou um poeta-soldado,
Hei-me morrer a cantar!
As cordas da minha lyra
(Que p'lo passado suspira)
Não, não se hão-de enferrujar."

(excerto de A uma Madrinha de Guerra)

Índice:
- Hora de Redempção. – A uma Madrinha de Guerra. – Ai!... Quem me déra ser carta! – Carta a Maria.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas algo sujas, com defeitos; contracapa apresenta pequena falha de papel no canto inferior esquerdo.
Invulgar.
Indisponível

11 março, 2017

FELGUEIRAS, Guilherme - OS SALOIOS : gupo étnico de Lisboa suburbana. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso por Ramos, Afonso & moita, Lda., Lisboa], [1980]. In-4.º (26cm) de 20 p. ; il. ; B. Separata do Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa : III Série - N.º 87 - 2.º Tomo - 1980
1.ª edição independente.
Estudo etnográfico e etimológico sobre os saloios e a sua origem. Curioso trabalho sobre os habitantes naturais das zonas rurais dos arredores de Lisboa, ilustrado com 11 bonitas estampas e fotogravuras a p.b. distribuídas por sete páginas.
"Certo núcleo de campónios naturais dos arrebaldes de Sintra, Loures e Mafra tem merecido o reparo de críticos, desde tempos distantes. Notados pelos traços diferençáveis, forte personalidade, exteriorizações de sentimento, temperamento laborioso, maneira peculiar de viver e de se expressarem. Quase sempre, porém, essa análise é feita dum modo inexacto e deformador, explorando em sorridente recorte escarninho aquele feitio simplório e astucioso, aquele modo embaraçado mas ganhuceiro como sabem levar a água ao moinho, explorando o negócio sempre com lucros materiais assegurados."
Guilherme Felgueiras (1890-1990). “Formado pela Escola Nacional de Agricultura em Coimbra, dirigiu as zonas florestais da Mata de Leiria e Serra do Gerês e desempenhou cargos de diretor das Escolas Gonçalves Zarco e Profissional de Agricultura de Paiã.
No domínio etnográfico Guilherme Felgueiras destacou-se pela sua produção bibliográfica em torno das tradições populares no âmbito da vida agrária e da arte popular.
Sobre o domínio da Filologia e Etnografia publicou, em 1930, o estudo sobre a Terminologia agrícola - Linguagem dos Campos, dando continuidade, em 1935, aos trabalhos de Anfiguris populares e Lexicologia pecuária, e em 1941 sobre As Aliterações e os Trocadilhos na Lírica Popular. Em 1940 colaborou em «Vida e Arte do Povo Português» com o artigo A faina do campo, alusivo à vida rural, destacando o estudo sobre os sistemas de elevação e distribuição de águas de rega, processos e técnicas agrárias, hagiografia popular, feiras e romarias, entre outros temas.

A sua produção etnográfica privilegiou, com igual interesse, outros domínios de investigação, nomeadamente, as temáticas do traje popular e os processos e técnicas tradicionais e seus contextos de produção, como o ferro e a olaria.”(fonte: www.matrizpci.dgpc.pt)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

10 março, 2017

ANSÚR, Alfredo - LEONOR DE BRAGANÇA. Por... Lisboa, Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, Impressor da Casa Real, 1873. In-8.º (22cm) de 72, [4] p. , E.
1.ª edição.
Drama histórico sobre D. Leonor de Bragança, primeira mulher de D. Jaime, o 4.º Duque de Bragança, e por este assassinada num acesso de ciúme.
Obra dedicada pelo autor a Sua Magestade El-Rei o Senhor D. Luiz.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Manuseado; lombada com desgaste evidente.
Invulgar.
10€

09 março, 2017

RIBEIRA, João da - PELOS POVOADOS DA SERRA (aspectos portugueses). [Prefácio de Júlio Xavier Júnior]. Chaves, Tip. e Papelaria Mesquita, 1935. In-8.º (19cm) de  [8], 188, [4] p. ; B.
1.ª edição.
João da Ribeira é o pseudónimo literário do Pe. João Vaz de Amorim, antigo pároco de Bouçoães (ou Bouçoais), freguesia do concelho de Valpaços.
Obra impressa em Chaves. Curiosa colecção de memórias do autor sobre aspectos etnográficos da sua terra e das suas gentes.
Muito valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"Por estas altas e agrestes paragens, depois de meados de novembro, no geral, póde-se considerar também chegado o rigor do inverno. Caem fortes aguaceiros, sopram furiosamente rijas ventanias e pelas cumiadas das serras começam a alvejar extensos lençóes de neve.
É então chegado o tempo triste do inverno!
Com a safra das castanhas e as sementeiras dos centeios, acabam-se os afazeres agricolas e é depois disso que esta boa gente, já livre dos pesados labores, frequenta com mais assiduidade as feiras regionais, algumas délas sem dúvida de assás e reconhecida importancia. Mas, d'entre todos esses grandes mercados públicos, tem certamente logar primacial a afamada Feiras dos Santos, que se realisa anualmente em Chaves, no último dia de outubro e no primeiro de novembro - dia este em que a igreja também celebra a Festa de todos os seus bem-aventurados celestiais.
Depois de 15 de outubro, começam a aparecer os ciganos, cujas caravanas, vindas da Terra Quente ou lá dos confins do distrito de Bragança, invadiam todas estas aldeias e povoados. Era uma multidão de maltrapilhos, uma promiscuidade indecente de homens, mulheres, cães enormes, jumentos cobertos de chagas asquerosas e cavalos lazarentos e estropiados.
As mulheres, criaturas repelentes que lustravam os cabelos profundamente negros com banha de porco, vestiam muitas saias de grandes rodas, umas sôbre as outras, e andavam esmolando de porta em porta, com voz lamurienta e importuna, transportando os filhos no imundo regaço, entalados entre os chales em cruz e os peitos fartos e tumidos. Tudo pediam no patamar das escadas, ásportas das casas: castanhas, batatas, pão, geropiga, gorduras para a sôrda, etc."
(excerto do Cap. XII, Os ciganos - A Feira dos Santos)
Indice:
I - O primo Anastacio. II - A caminho da Serra - O Templo Romanico. III - O Senhor Felizardo Ventura - A casa do Ladário. IV - Uma arraia há trinta anos - A Florinda do Adro. V - No presbiterio da Serra - O meu primeiro dia de escola. VI - O meu regresso a férias - A matança. VII - Os oficios fúnebres - As Domingas - O tio Simão. VIII - A Laurinda da Capela não fez excepção - Outro Casamento - O Farpelinhas. IX - Os serviçais da nossa casa. X - As Solenidades da Senhora da Fonte. XI - As ceifas - Fructos da terra são bençãos de Deus. XII - Os ciganos - A Feira dos Santos. XIII - A Festa do natal - A ceia e o serão da consoada - O meu lindo presépio.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa manchada, com defeitos; Lombada com falha de papel de relevo; sem contracapa.
Raro.
Com grande interesse etnográfico e regional.
35€
Reservado

08 março, 2017

MARTINS, Manuel de Oliveira - PILOTOS DA BARRA DE VIANA DO CASTELO : 100 Anos de História (1858/1958). [Prefácio de José Carlos de Magalhães Loureiro]. Viana do Castelo, CER : Centro de Estudos Regionais, 2010. In-4.º (23cm) de 199, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Livro impresso em papel de superior qualidade, muito ilustrado com retratos e fac-símiles, e fotografias a p.b. do porto de Viana, dos estaleiros e de navios e veleiros que se dedicaram à faina bacalhoeira, incluindo o Gil Eanes e o Santa Maria Manuela.
Tiragem: 500 exemplares.
"Em Pilotos da Barra de Viana do Castelo. 100 Anos de História (1858-1958), Manuel de Oliveira Martins oferece-nos um fresco da vida desses homens da barra vianense, resgatando uma memória sócio-profissional que, no contexto da produção regional, ainda não tinha merecido atenção. Esse é um dos seus méritos: inscrever estas memórias na memória da cidade, promovendo a identidade e o reconhecimento social que lhe é devido."
(excerto do prefácio)
"O primeiro contacto que o navio tem com o porto é feito através do piloto da barra. O piloto é o primeiro interlocutor que o capitão ou mestre do navio tem à chegada a um porto.
Como primeiro emissário, cabe-lhe desempenhar várias tarefas cometidas a outras entidades. Desempenha um papel polivalente; é fiscalizador, inspector sanitário e autoridade marítima e portuária, para além do essencial da sua missão que é a segurança da navegação. [...]
Ao longo dos tempos, o papel do piloto da barra revestiu-se sempre duma importância fundamental na relação navio/porto e vice-versa, tendo sido sempre considerado um elemento imprescindível e primordial na actividade portuária."
(excerto do Cap. II, O piloto da barra, primeira entidade a entrar a bordo)
Índice:
Prefácio. Introdução. I - As origens dos pilotos; Enquadramento legal. II - O piloto da barra primeira entidade a entrar a bordo; Os pilotos de Viana face aos regulamentos; O serviço de vigia; A vertente militar dos pilotos; Os pilotos e as guerras mundiais; Os pilotos e a imprensa; Outras atribuições dos pilotos; Os pilotos e o salvamento marítimo; Guardas de saúde; Boletins de saúde; Transgressões e penalidades; Louvores e censuras; Acidentes de pilotos em serviço nas barras; Os pilotos mor. III - As barras; Faróis-Marcas-Balizas-Sinais; As cheias; O temporal de Março de 1888; Outros temporais; Sinistros na barra. IV - As obras portuárias; Imposto para as obras da barra; Estaleiros Navais; Os navios; Embarcações de pilotos; Companhias e Armadores; Agentes e consignatários. CONCLUSÃO: Anexos - I. Regulamento Geral dos Serviços de Pilotagem; II. Decreto n.º 11.111 de 19-09-1925; III. Decreto n.º 24.931 de 10-01-1935; IV. Decreto n.º 41.668 de 07-06-1958; V. Regulamento Geral de Sanidade Marítima; VI. Relação de Pilotos; VII. Movimento da Navegação; VIII. Mapa dos navios de comércio da praça de Viana do Castelo; IX. Capitães do Porto de Viana do Castelo (desde 1838). GLOSSÁRIO. FONTES E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
Manuel de Oliveira Martins (n. 1947). Nasceu em Vale de Cambra e, desde muito novo, é um apaixonado pelo mar, motivo pelo qual decidiu seguir a carreira de Oficial da Marinha Mercante. Tendo exercido durante quase 20 anos a função de Piloto da Barra de Viana do Castelo, o autor contribui, através desta publicação, para a divulgação da vida portuária e, particularmente para o conhecimento daquela profissão. Nas duzentas páginas deste livro registam-se, pela escrita e imagem, algumas das memórias e das histórias vividas por estes homens do mar, entre meados do século XIX e meados do século XX.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
25€

07 março, 2017

VIEIRA, Affonso Lopes - O POVO E OS POETAS PORTUGUESES. Conferência  lida pelo autor no Teatro D. Maria II em 12 de Janeiro de 1910. Lisbôa, [s.n. - imp. Typ. «A Editora», Lisboa], [1910]. In-8.º (19,5cm) de [2], 62, [4] p. ; B.
1.ª edição.
"Se deitarmos os olhos para os longes da nossa vida nacional, e virmos com elles percorrendo as jornadas da nossa tradição e da nossa literatura, veremos sobresair, do remoto tempo aos nossos dias, a persistência poética da raça, resistente através da obra empreendida quase com método em Portugal - a obra da sua desnacionalização. O povo português afirmou sempre, no seu folclore e nos livros dos seus escritores, o fundo étnico que enobrece a feição peculiar do sentimento colectivo.

E essa afirmação do caracter étnico, que representa na alma dos povos o mesmo valor da afirmação do caracter moral nos individuos, constitue, ainda hoje - a nossa melhor esperança. Portugal desmembra-se no seculo XII do reino galaico-leonês, por um movimento da alma popular, e não por via da ambição heroica de Affonso Henriques. Ao coração do primeiro rei aflue a aspiração de independência que anima o povo que o elege para chefe, e este aparece-nos como o síntese guerreira do sentimento nacional, de ha muito vibrante a apto a expandir-se."
(excerto da conferência)
Afonso Lopes Vieira (1878, Leiria - 1946, Lisboa). "Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, vindo depois para Lisboa onde exerceu o ofício de redator da Câmara dos Deputados até 1916, tendo deixado o cargo para se dedicar exclusivamente à atividade literária.
Na juventude interessa-se pelos clássicos da literatura à poesia e colabora com jornais manuscritos, da época. Em 1897 publica o seu primeiro livro de poesia “Para Quê?”, começando então um longo período dedicado à literatura, em especial à poesia, que só culminará por volta de 1940.
A vasta obra de Afonso Lopes Vieira não se limita à poesia, colaborando também em conferências de valor artístico, dedica-se igualmente à causa infantil e colabora em publicações periódicas."

(Afonso Lopes Vieira, in 'Antologia Poética')
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Atingido pela humidade, sobretudo na contracapa e nas três últimas folhas do livro.
Invulgar.
10€