20 outubro, 2017

SILVA, António Sousa e - NOTAS ETNOGRÁFICAS (folclore). Subsídio para o estudo da influência da música na vida rural. [Por]... Da Sociedade de Geografia. [S.l.], [s.n. - Ofic. Gráf. Augusto Costa, Braga], 1948. In-8.º (20,5cm) de 42, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Pouco conhecido estudo sobre a música popular portuguesa, muito interessante e enriquecedor, por certo, integrando uma edição em tiragem diminuta.
Ilustrado com bonitas vinhetas tipográficas a assinalar o final da cada capítulo.
"A música regional tem uma liberdade mais ampla de processo do que a música culta, porque actua directamente e livre de restrições metódicas, sobre os nossos centros nervosos.
Num consórcio adorável com a poesia e a dança, não só amplia extraordinariamente as emoções, como exterioriza dentro de múltiplas formas, a sua qualidade específica, determinada pela influência dos fenómenos naturais das respectivas regiões.
O gosto por esta espécie de música, em Portugal, vem de longa data, assim no-lo atesta o passado por diversas provas, entre as quais são bem salientes as que se referem aos nossos troveiros que, de terra em terra, percorriam os palácios reais e da nobreza, cantando e declamando as suas típicas canções de amigo, de mal-dizer, de amor e outras trovas da época.
Hoje, como outrora, continuamos a sentir desde a infância, a suave e benéfica acção da música, sempre que qualquer facto memorável ocorre na nossa vida. E o povo, traduzindo, como sempre, através dela o seu contentamento, continua a cantar e a bailar, mantendo com a sua alegria buliçosa a tradicional animação multicor das lindas e garridas romaria de Portugal.
A música rural, que é uma modalidade sonora da bondade rústica, segreda-nos ao coração, ensinando com ternura infinita as mais delicadas e mimosas expressões do sentimento humano, desde a alegria que inebria e vivifica ao sofrimento que deprime e mata."
(excerto do Cap. II, Música regional (Canção popular))
Matérias:
I - Elogio da música (Ensaio de abertura). II - Música regional (Canção popular). III - Folclore: Província do Minho; No Gerez e Vieira; Em Vila Verde, Terras de Bouro e Braga; Em Amares; Na Senhora da Peneda; Póvoa de Lanhoso; Em Afife e Carreço; Em Viana, Barcelos e Ribeira de Lima; Cantigas do «Verdegar» da Póvoa de Lanhoso; Na Região de Basto. Cantares de Trás-os-Montes e Alto Douro: Mirandela e Valpaços. Douro Litoral: Marco de Canavezes. Na Beira. Na Estremadura. IV - Estrutura e estética (Tendências poéticas e melódicas).
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

19 outubro, 2017

PORTUGAL NA GRANDE GUERRA : «guerristas e antiguerristas». Estudos e Documentos. Apresentação de João Medina. Lisboa, Centro de História da Universidade de Lisboa : Instituto Nacional de Investigação Científica, 1986. In-4.º (24cm) de 139, [1] p. ; [2] f. il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com a reprodução do Panfleto contra a guerra e fac-simile da Carta inédita de Alexandre Vieira.
"Embora seja vastíssimo o acervo documental e memoralístico acerca da nossa intervenção na Grande Guerra, a verdade é que continua sendo escassa a produção propriamente historiográfica em torno desse complexo e tão decisivo período e processo político-militar da História da I República. São de facto raras, e bastante recentes, as obras que procuram situar a problemática do intervencionismo luso na Grande Guerra, o seu impacto directo sobre o regime entre nós então vingente, a questão africana conexa com a entrada de Portugal no conflito, etc."
(excerto da apresentação)
Matérias:
Apresentação de João Medina. I Parte - Estudos: - José António Sequeira Gonçalves, «O Coronel João Ortigão Peres, Adido Militar português em França».
- Luís Alves de Fraga, «Espionagem no Corpo Expedicionário Português».
- Maria Manuela Lima Santos e Olga Maria Vasco Ribeiro, «A AURORA e o antiguerrismo». II Parte - Documentos: - António Ventura, «Guerristas e antiguerristas - análise retrospectiva de um conflito». - Aniceto Afonso, «O MUTILADO ou uma voz incómoda». - Francisco Canais Rocha, «A guerra vista por um sindicalista: Perfeito de Carvalho».
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
15€

18 outubro, 2017

NORONHA, Dom Thomas de - TALES OF INDIA. By... Madras: Higginbotham & Co., 1910. In-8.º (18,5cm) de [6], 142, [2] p. ; B.
1.ª edição inglesa.
Publicado originalmente em português (1905), a presente obra é composta por quatro contos sobre a Índia portuguesa, tendo conhecido grande sucesso na época, culminando com a presente tradução para inglês.
D. Tomás de Noronha (1870-1934). "Bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, professor e escritor, etc. Fez o Curso Superior de Letras, de que foi aluno distinto. Em 1901 partiu para a Índia a ocupar o seu lugar de professor de alemão no liceu de Nova Goa. O sr. D. Tomás de Noronha tem colaborado em vários jornais, e nas Novidades de 25 de julho de 1906 publicou: Dois perfis (D. Maria Amália Vaz de Carvalho e Teófilo Braga). Em Coimbra é o seu nome muito conhecido, tendo ganho ali as gerais simpatias desde o seu tempo de estudante laureado. Foi ele o autor da peça de despedida do seu ano, A Barca dos RR, e nessa época publicou o Umbrano (Lisboa, 1899) elegia, em tercetos quinhentistas, e mais tarde outro livro de versos: Tempos perdidos. Quando esteve na Índia publicou (em 1905) um livro, com o título de Contos da Índia, que mereceu lisonjeiros artigos de toda a imprensa. O livro encerra quatro contos: O meu guia, O bacharel Crisóstomo, Milagres de S. Francisco e Rucuminó. Em 1906 publicou a sua Carta aos portugueses da Índia, sobre a «Assistência Escolar»."

(fonte: http://www.arqnet.pt/dicionario/noronhatomas2.html)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Lombada apresenta pequenas falhas de papel.
Raro.
30€

17 outubro, 2017

CASALS, Irene Maria Ricou - UM JOVEM HERÓI D'ÁFRICA : Eduardo Nuno Ricou Casals. Prefácio do Rev. P.e Nuno Archer, S. J. Porto, [s.n. - Tip. Colégio dos Orfãos], 1964. In-8.º (16,5cm) de [2], 55, [1] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Resenha biográfica em comovedora homenagem a Eduardo Casals, piloto-aviador português, abatido em Maio de 1963 nos céus da Guiné durante uma missão de bombardeamento. A autora - Irene Casals - é sua mãe. O final do livro é preenchido com testemunhos de camaradas de armas do malogrado piloto atestando a sua amizade e patriotismo.
Opúsculo ilustrado com dois retratos do biografado, um deles em extratexto.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas ligeiramente oxidadas.
Raro.
15€

16 outubro, 2017

CASIMIRO, Capitão Augusto - CALVÁRIOS DA FLANDRES (1918). Terceiro milhar. Porto, Renascença Portuguesa : Rio de Janeiro, Luso-Brasiliana, 1920. In-8.º (19,5cm) de [2], 213, [3] p. ; E.
Capa de Sousa Lopes.
1.ª edição.
"Efectivara-se, emfim, apesar de todos os esforços do nosso comando para o evitar, a Convenção de 21 de Janeiro de 1918. Estávamos a 6 de Abril.
A 1.ª Divisão, menos uma Brigada, (a 3.ª, como a 3 fôra combinado com o 1.º exército), começa a retirada para a região de Desvres. As tropas estão cansadas, diminuidas em número pelas baixas de Março e pelo envio nulo de reforços desde Dezembro, em moral pela falta de licenças, ausências de oficiais e o desinterêsse evidente dos que governam em Portugal.
O excesso de trabalho, as ordens e contra ordens dadas sôbre a rendição de tropas, as solenes promessas dum repouso largamente anunciado, nunca realisadas, juntam àquelas suas fôrças desintegradoras e desvairantes."
(excerto do Cap. I, 9 de Abril)
Matérias:
- Portugal e Flandres. - 9 de Abril. - Good Luck! Good Bye! - Calvarios da Flandres I. - Aviões ao luar. - Calvários da Flandres II. - Searas da Morte. - Prisioneiros. - Enfermeiras da Grande Guerra. - Oração Lusíada. - Da Aleluia e da Paz. - O rapto das Donzelas. - O imperativo dos mortos. - Depois do armistício. - A oração da trincheira. - Da Vitória.
Augusto Casimiro dos Santos (1889-1967). “Escritor e militar português. Após a conclusão dos estudos liceais em Coimbra, em 1906, integrou a Escola do Exército. Como oficial, participou na Campanha da Flandres (1917-18) durante a Primeira Guerra Mundial, o que lhe valeu várias condecorações e a promoção a capitão. Exerceu também o cargo de governador do Congo português, de secretário do Governo-Geral de Angola, em 1914, e acompanhou a missão de delimitação da fronteira luso-belga em África. Por se opor ao regime nacionalista, esteve preso na Ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, na década de 30, regressando a Lisboa, em 1936, graças a uma amnistia. Um ano depois, foi de novo reintegrado no Exército português, mas como reserva.
A experiência militar marcou a sua escrita, especialmente em Nas Trincheiras da Flandres (1919) e Calvários da Flandres (1920). Como autor de poesia, ficção e textos de intervenção, em que manifestava a sua filiação no ideário republicano, o escritor publicou ainda, entre outros livros, Para a Vida (1906), A Evocação da Vida (1912), Primavera de Deus (1915), A Educação Popular e a Poesia (1922), Nova Largada (1929) e Cartilha Colonial (1936), obra na qual manifestou o seu desejo patriótico de afirmação de Portugal no mundo. De referir que Augusto Casimiro foi colaborador da revista Águia e cofundador (1921), dirigente e redator (1961 a 1967) da revista Seara Nova, principal órgão de comunicação que se oponha democraticamente ao regime de Salazar e ao Estado Novo.”
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

15 outubro, 2017

PIMENTEL, Alberto - TÉLAS ANTIGAS. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira : Livraria editora e Officinas Typographica e de Encadernação, 1906. In-8.º (20,5cm) de 220, [4] p. ; [2] f. il. ; E.
1.ª edição.
Interessante conjunto de narrativas históricas.
Ilustrado com duas gravuras extratexto.
"Quatorze kilometros a nordeste de Braga, ergue-se sobre um morro escalvado, dominando um valle fertilissimo como todos os do Minho, o castello de Lanhoso, cujas ruinas memoram ainda hoje graves acontecimentos de secilos remotos. [...]
Em certa noite caliginosa do seculo XIII os povos do valle de Lanhoso accordaram ao clamor de uma voz que afflictivamente bradava:
- Santa Maria val! que anda fogo no castello!
O alviçareiro d'esta ruim nova era um azemel que ia partir com de noite para chegar a Braga ante-manhã.
Logo todos os habitantes da pobla, como sacudidos por uma corrente electrica, vestindo á pressa os grosseiros arbins e saios de burel, assomaram á porta de suas miseras sibanas cangadas de côlmo ou giesta e com espanto verificaram que do castello de Lanhoso sahiam grossos rôlos de fumo negro, que as labaredas conseguiam romper a espaços ensanguentando o ar.
A primeira impressão foi de terror, especie de terror sagrado, como se estivesse ardendo um templo, porque para todos os povos circumvisinhos aquelle castello era um monumento venerando, onde tragicos e pavorosos successos se haviam passado lá.
Corria a tradição de que, mais de oitenta annos antes, a rainha D. Tareja ali tinha residido e estivera sitiada por sua irmã D. Urraca de Leão e que depois da batalha de Guimarães ali jazera encerrada entre ferros por ordem de seu proprio filho por D. Affonso Henriques.
O povo, olhando para o alto, e vendo o castello, cuidava olhar ainda para um solio infeliz, onde lagrimas augustas haviam deslisado sobre a purpura real; e o respeito pela realeza era tamanho, que até nas suas desgraças ou excessos os villões a veneravam com supersticioso temor."
(excerto de Uma vingança medieval)
Índice:
- Duas favoritas. [D. Sancho I e a "Ribeirinha" e D. Maria Arias]. - Uma vingança medieval. - Um rei leproso. [D. Afonso II]. - Mordedura de vêspa. [D. Sancha Paes e Martim de Freitas]. - A lenda do pintor. [Vasco Fernandes (Grão Vasco)]. - Morte de el-Rei D. Duarte. - Uma traducção. - Poemas d'outrora: I. Romaria de S. Simão. II. Lenda de S. Frei Gil. III. Rei e pastor. IV. Amores de Braga. - Notas.
Encadernação em meia de percalina com cantos e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
25

14 outubro, 2017

SOUSA, Ernesto de - O QUE É O CINEMA. Lisboa, Arcádia, [1960]. In-8.º (18cm) de 228, [4] p. ; [8] p. il. ; il. ; B. Colecção Arcádia, Série Arte, 5
1.ª edição.
Obra curiosa sobre cinema, das primeiras e mais interessantes edições populares que sobre este assunto se publicaram entre nós.
Ilustrada com desenhos no texto, e em separado com fotogravuras a p.b. distribuídas por 8 páginas intercaladas no texto.
"A cultura cinematográfica é um facto recente em Portugal. Com efeito, a preocupação por um cinema encarado como forma de arte e meio de expressão, só nos últimos anos atingiu o grande público. Até então apenas se verificara o interesse isolado de alguns intelectuais. Quando há cerca de dez anos começaram a aparecer os cine-clubes por todo o país, este movimento correspondeu a uma necessidade generalizada, a uma vontade de conhecimento e cultura. Esta evolução do gosto e da consciência pública terá o seu reflexo num cinema português novo. É neste sentido que a Arcádia, ao editar «O QUE É O CINEMA», de Ernesto de Sousa, preenche uma lacuna no panorama editorial cinematográfico, apresentando uma obra de divulgação que se caracteriza por solicitar do leitor interesse activo pela matéria tratada.
De acordo com este princípio, «O QUE É O CINEMA» contém não só a exposição dos aspectos mais importantes do cinema, quer do ponto de vista técnico, quer estético e histórico, mas também uma informação bastante detalhada sobre os métodos de cultura para e pelo cinema. O leitor entrará em contacto com os problemas suscitados pela invenção do cinema nas suas implicações culturais e sociológicas, e ser-lhe-ão fornecidos os elementos para que se interesse activamente pela cultura cinematográfica e pela produção de filmes experimentais."
(Contracapa, Apresentação)
Ernesto de Sousa (1921-1988). "No início dos anos 40 estuda na Faculdade de Ciências, sem terminar o curso de físicoquímicas. Em 1946 inicia a actividade como crítico de arte na Seara Nova, e nos anos seguintes escreve também para a Vértice e Colóquio/Artes, entre outras publicações. No mesmo ano funda o Círculo de Cinema, primeiro cineclube português. Entre 1949-52 dá continuidade aos estudos em Paris: História do Cinema, Filmologia, técnica de som e aulas de iniciação às artes plásticas. Nesta primeira fase encontra-se principalmente comprometido com o Neo-realismo através da actividade crítica e cinematográfica, sendo importante destacar o filme Dom Roberto realizado em 1962. Os anos 70 são marcados por um novo interesse, a promoção das vanguardas em defesa do experimentalismo e o conceptualismo. Contacta com o movimento Fluxus, cruza-se em 1972 com Joseph Beuys na Documenta 5, e desenvolve uma forte amizade com Robert Filliou e Wolf Vostell, tornando-se uma figura frequente nos Encontros em Malpartida de Cáceres. Estas relações terão impacto no momento pós-25 de Abril quando comissaria a exposição Alternativa Zero (1977). Artista, cineasta, curador, crítico, professor e historiador de arte, Ernesto Sousa foi principalmente um agente catalisador no campo das artes plásticas, cinema e fotografia, promovendo a troca de informação entre o contexto português e internacional."
(fonte: http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/artistas/ver/133/artists)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. rosto.
Raro.
Sem registo na BNP.
20€

13 outubro, 2017

GALLIS, Alfredo - A BURLA DO CONSTITUCIONALISMO : autopsia á politica portugueza no actual momento historico. A pantomima, os pantomineiros e as pantominices do nosso mundo politico. Lisboa, Livraria Antonio Maria Pereira - Livraria editora, 1905. In-8.º (19cm) de 237, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Análise política da época em tom corrosivo. O autor, jornalista de fino humor, porventura terá ficado mais conhecido pelos romances de matriz erótica que publicou no final do século XIX, início do século XX.
"A obra do jornalista é ephemera embora civilisadora, e quem tiver assumptos de certa magnitude a tratar, e queira que elles perdurem na memoria dos povos, deve escolher de preferencia o livro ao jornal.
Eis o motivo porque em livro concretisei aquillo que muito facilmente poderis dizer em artigos jornalisticos... [....]
Desde que o jornal envaredou pelo campo da bisbilhotice do soalheiro, quer esse soalheiro seja um gabinete de ministro quer a humilde casa de um operario, a sua missão educativa e civilisadora ficou muito áquem do pensamento fundamental da creação da imprensa. [...]
Escreve-se sem sciencia nem consciencia, n'uma nojenta disciplina brutal que causa asco.
O jornalista politico em vez de orientar o seu partido e corrigir-lhe as demasias, applaude tudo e todos n'uma alacridade de palerma escravisado que indigna e revolta. [...]
Presentemente mesmo, ha pouquissimos jornalistas.
Em compensação abundam os industriaes da imprensa e os carpinteiros da mesma, que morrem sem ninguem os conhecer nem deixarem cousa que se veja, como succedeu a tantos que conheci nos começos da minha vida de jornalista.
A experiencia, unica e exclusivamente, me percaveu contra o destino fatal de todos os jornaes, aconselhando-me a que preferisse antes o livro que fica e se guarda, ao jornal que se lê e se atira para o lado ás vezes com um modo quasi despresivo.
N'este livro pois, deixo bem inpressas todas as considerações e criticas acerbas e desapiedadas, libertas de pressões partidarias, que me inspira o estado canceroso e putrido da politica portugueza n'este momento historico da nossa vida mundial como nação autonoma.."
(excerto da introdução, Aos leitores)
Matérias:
Aos leitores. Duas palavras ácerca da vida. I - A Carta Constitucional. II - Os influentes politicos. III - Dynastias reinantes em Portugal no actual momento historico. IV - O juizo de instrucção criminal - a lei de 13 de Fevereiro, e o juiz Veiga. V - O jornalismo politico, o jornalismo industrial, o jornalismo amalandrado. VI - Politica de partidos e politica de portuguezes. VII - O que faz a Hespanha. VIII - Camaras municipaes e administradores do concelho. IX - A vida dos governos. X - O espetro do absolutismo. XI - Os processos da politica e a Ex.ma Sr.ª D. Maria Emilia Seabra de Castro. XII - O parasitismo. XIII - Alguns alvitres simples.
Joaquim Alfredo Gallis (1859-1910). "Mais conhecido por Alfredo Gallis, foi um jornalista e romancista muito afamado nos anos finais do século XIX, que exerceu o cargo de escrivão da Corporação dos Pilotos da Barra e o de administrador do concelho do Barreiro (1901-1905). Usou múltiplos pseudónimos, entre os quais Anthony, Rabelais, Condessa do Til e Katisako Aragwisa. Desde muito jovem redigiu artigos e folhetins em jornais e revistas, entre os quais a Universal, a Illustração Portugueza, o Jornal do Comércio, a Ecos da Avenida e o Diário Popular (onde usou o pseudónimo Anthony). Como romancista conquistou grande popularidade, especializando-se em textos impregnados de sensualismo exaltado que viviam das «fraquezas e aberrações de que eram possuídas, eram desenvolvidas entre costumes libertinos e explorando o escândalo». Escreveu cerca de três dezenas de romances, por vezes publicados com o pseudónimo Rabelais. Alguns dos seus romances têm títulos sugestivos da sensualidade que exploram, nomeadamente Mulheres perdidas, Sáficas, Mulheres honestas, A amante de Jesus, O marido virgem, As mártires da virgindade, Devassidão de Pompeia e O abortador. É autor dos dois volumes da História de Portugal, apensos à História, de Pinheiro Chagas, referentes ao reinado do rei D. Carlos I de Portugal.”
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas manchadas.
Invulgar e muito interessante.
Indisponível

12 outubro, 2017

SELVAGEM, Carlos – TROPA D’ÁFRICA (jornal de campanha dum voluntário do Niassa). 4.ª edição. Paris : Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand, 1925. In-8.º (18,5cm) de 367, [1] p. ; [12] f. il. ; il. ; E.
Ilustrado com desenhos no texto e fotogravuras em separado.
Memórias do autor, soldado em África durante a Grande Guerra.
“Aos sargentos e soldados do meu pelotão a cavalo;
Aos meus camaradas da Expedição ao Niassa;
Aos soldados portugueses da Grande Guerra;
Á memória de todos aqueles que, pela glória das quinas Portuguesas, teem mordido o pó em terras d’Além-mar.”
(Homenagem do autor)
“Dia de embarque!...
Dia de lágrimas, dia de balbúrdia, de mil impressões tumultuosas e contrárias, com pragas furiosas sôbre os galegos, mil contas que surgem à última hora, uma compra que ia esquecendo, um abraço que esqueceu, e, por fim, um automóvel que nos despeja no cais, com o resto da bagagem, a cabeça esvaída, o boné para a nuca, arrazado de emoções.”
(excerto do texto)
Carlos Selvagem (1890-1973), pseudónimo de Carlos Tavares de Andrade Afonso dos Santos, “Foi um militar, jornalista, escritor, autor dramático e historiador. Frequentou o Colégio Militar entre 1901 e 1907 onde lhe deram a alcunha (Selvagem) que mais tarde veio a incorporar no pseudónimo literário que adoptou. Formou-se em Cavalaria pela Escola do Exército e participou no Niassa e no norte de Moçambique na frente africana da Primeira Guerra Mundial.”
Encadernação editorial inteira de percalina com ferros gravados a seco e a ouro nas pastas e na lombada. Assinatura de posse na guarda e na f. rosto.
Exemplar em bom estado geral de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
Com interesse histórico.
15€

11 outubro, 2017

LAFOREST, Dubut de - O PARAISO TERRESTRE. Por... Grande romance dramatico inedito. Traduzido por Joaquim Leitão. Lisboa, «A Editora», [1904]. In-8.º (22,5cm) de 158, [2] p. ; il. ; B. Col. Os Ultimos Escandalos de Paris, VI
1.ª edição.
Romance erótico publicado na primeira década do século XX. Ilustrado com bonitos desenhos nas páginas de texto.
"N'esse domingo, Ambrosio Naumier sahiu da rua do Circo e dirigiu-se á gare de S. Lazare, onde tomou um bilhete de ida e volta para Versailles.
Estava um lindo dia, e o vagão de 1.ª classe, para onde subiu o caixa da batota, ia cheio de passageiros que seguiam para o campo.
A um canto, em frente do «Cebolla», um sujeito lia o jornal, e o irmão da «Az-de-Espadas» fez uma careta, reconhecendo o visconde Arthur de La Plaçade.
O trem punha-se em marcha e Ambrosio que já não podia mudar de vagão, entreteve-se a examinar o companheiro, embrenhado na leitura.
N'isto, La Plaçade levantou os olhos e sorriu, a mão estendida ao ex-creado d'Esbly..."
(excerto do Cap. I, O Filho do Proxeneta)
Índice:
I -.O Filho do Proxeneta. II - No Forno Crematorio de Père-Lachaise. III - A idèa de Anninhas Loiset. IV - Os viajante do amor. V - Americano e turco. VI - O «Bar-Florido». VII - Ambrosio «nas chinelas do marquez».
Jean-Louis Dubut de Laforest (1853-1902). Escritor francês. Autor prolífico, publicou vários romances sobre assuntos considerados ousados na época, alguns deles como folhetins em jornais.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e algumas falhas de papel nas margens.
Raro.
20€
Reservado

10 outubro, 2017

LUDENDORFF, General – A GUERRA TOTAL. Tradução de Oliveira Abrantes. Com um prefácio de Eduardo Salgueiro. Rio de Janeiro, Editorial Inquérito, 1941. In-8.º (19cm) de 261, [3] p. ; B.
1.ª edição.
“Longe de mim a ideia de escrever uma teoria da guerra. Eu sou, como o tenho dito tantas vezes, hostil a todas as teorias. A guerra é realidade – realidade das mais graves na vida dum povo. É isto o que desejo aqui demonstrar, sem para isso “levar mochos a Atenas”, quero dizer, sem procurar insistir em generalidades comumente adquiridas; pelo contrário, dirigir-me-ei ao povo, a cada um de entre o povo, e tratarei em pormenor diferentes matérias que necessariamente lhe escapam. O povo deve aprender a conhecer a própria essência da sua luta pela vida. Não serão indigestas obras científicas sobre a guerra que o esclarecerão, mas sim exposições tão acessíveis como breves. O que vou expor é a mais autêntica experiência pessoal da guerra, e não um comentário oficial, como se poderá supor no estrangeiro.”
(excerto do Cap. I, Carácter da Guerra Total)
Erich Ludendorff (1865-1937). “Foi um general alemão, com poderes praticamente ditatoriais nos últimos meses da Primeira Guerra Mundial. Na frente leste, foi chefe do Estado-Maior de Hindenburg. Depois da derrota na ofensiva de Verdun, foi deslocado para a frente ocidental e tornou-se, juntamente com Hindenburg, o principal comandante da Oberste Heeresleitung. Mais tarde, em 1918, planeou o último grande ataque alemão, mas foi derrotado por Foch. No final da guerra, até Setembro de 1918, defendeu a tese de que a Alemanha devia negociar uma paz vitoriosa e não aceitar a rendição. Em 1925, foi candidato presidencial pelo Partido Nazi, mas perdeu as eleições, fundando em seguida um pequeno partido político.”
Exemplar brochado, na sua quase totalidade por abrir, em bom estado de conservação. 
Invulgar. 
15€
Reservado

09 outubro, 2017

SILVA, José Ignacio Dias da - A CAMARA MUNICIPAL DE LISBOA. (Primeiros trabalhos de vivisecção em um corpo administrativo). CARTA a Sua Magestade El-Rei o Senhor D. Carlos. Por... Lisboa, Typ. Adolpho de Mendonça, 1900. In-4.º (25,5cm) de 40 p. ; B.
1.ª edição.
Em carta aberta ao rei D. Carlos, o autor desanca a Câmara Municipal de Lisboa, não se esquecendo de zurzir no seu presidente e demais funcionários.
"Nao pareça estranho a Vossa Magestade, que alguem ouse dirigir-se-lhe por meio da imprensa. Communicar com Vossa Magestade é uma honra e é um direito; e a imprensa, ao mesmo passo que é um meio facil de exprimir ideias, é tambem uma formula moderna de civilisação, para significar o nosso sentir e para expôr os nossos queixumes. [...] A instituição municipal chegou em Lisboa ao ultimo descalabro. A Camara dos nossos dias foi composta de um modo verdadeiramente lastimoso. Sendo Lisboa a capital, imaginará Vossa Magestade que foram chamados a vereação homens de sciencia, artistas, professores, litteratos, hygienistas, industriaes, banqueiros ou capitalistas? Puro engano. Á frente da primeira municipalidade do paiz não se encontram homens n'essas condições, nem sequer um engenheiro, um medico, um advogado, um architecto ou um archeologo! Á parte quatro ou cinco proprietarios e commerciantes, homens de certo pezo, por sua independencia e austeridade de ideias, a Camara Municipal de Lisboa foi urnejada pelo sr. Conde do Restello, eleiçoeiro insigne, compondo-a de uns dois ou tres bons homens de mercearia, mais tres ou quatro bondosos boticarios, um excellente agente de funeraes, um professor de instrucção primaria, um mavioso picador e musico, cheio de flaccidezas, um amanuense de caixa, e um estudantinho vaidoso... Isto, Senhor, em Lisboa, na capital, na primeira e mais importante cidade, por sua situação geographica, pelo seu porto de primeira ordem, pelo seu commercio, e pela sua côrte!"
(excerto da Carta)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro e muito curioso.
Com interesse olisiponense.
15€

08 outubro, 2017

LEITÃO, Joaquim – OS CEM DIAS FUNESTOS (Processo e condemnação do ultimo presidente do conselho de 1910, Antonio Teixeira de Sousa, e do seu livro, «Para a Historia da Revolução»). Porto, Edição do Autôr, 1912. In-8.º (18,5cm) de XXII, 543 p. ; [1] f. desdob. ; E. Colecção Uma Epoca, IV.
1.ª edição.
Obra crítica da acção política e governativa pós-República. No prefácio, entre outras considerações, o autor desfere violento ataque a Teixeira de Sousa, o último Presidente do Conselho da Monarquia Constitucional, acusando-o de “facilitar” a revolução.
“[…] A incontestável, immediata causa do desterro da Monarchia appareceu, então, irrevogavelmente – a passividade consciente do ultimo Presidente do Conselho e Ministro do Reino de 1910. Passividade, e, demais a mais, consciente (como do decorrer d’este volume se provará) num homem encarregado da voluntaria missão de actuar para defender – chama-se traição. Sinceramente convencido do seu crime, abertamente o trato por traidor.”(excerto do prefácio)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Pastas cansadas, com vinco no canto superior dto da pasta frontal.
Invulgar.
Com interesse histórico.
20€

07 outubro, 2017

RIBEIRO, Aquilino - SOLDADO QUE FOI À GUERRA. Lisboa, Fomento de Publicações, L.da (Depositários e Distribuidores), [1955]. In-8.º (169,5cm) de 48 p. ; B. Colecção Novela, 1
Capa de Paulo-Guilherme.
1.ª edição independente.
Novela da Grande Guerra; extraída do volume de contos Caminhos Errados (1947), onde saiu com o título «Chumbo».
"O José Lambu assentou praça - que remédio? - e a guerra, a nossa guerra, encontrou-o com a instrução em ponto e diploma de atirador de primeira. E uma tarde de carujo, com o cume dos montes arredondados pela névoa, lá foi de mochila às costas, N.º 96 de Infantaria 14, Secção de Ligeira da Coluna N.º 1 a caminho do embarque."
(excerto do Cap. II)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

06 outubro, 2017

MARTINS, General Ferreira – A COOPERAÇÃO ANGLO-PORTUGUESA NA GRANDE GUERRA DE 1914-1918. Pelo… do Quadro de Reserva, ex-Sub-Chefe do E. M. do Corpo Expedicionário Português a França, 1917-1918. Lisboa, Serviços de Informação e Imprensa da Embaixada Britânica, 1942. In-4.º (23cm) de 91, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Estudo sobre a cooperação anglo-portuguesa durante a Grande Guerra, nos vários cenários do conflito, em França e nas colónias africanas.
Ilustrado com fotografias a p.b. no texto.
“A partir de 2 de Fevereiro de 1917, foram chegando sucessivamente a Brest as tropas do C. E. P., transportadas em sete navios britânicos, e em dois portugueses, o Pedro Nunes e o Gil Eanes, aquele alcunhado de «Navio Fantasma» pela facilidade com que iludia a perseguição dos submarinos alemães atravessando audaciosamente zonas por eles infestadas.
Assim se organizaram até Outubro seguinte, 17 comboios, que foram escoltados por destroyers britânicos. […]
De Brest onde desembarcavam, seguiam as tropas portuguesas para a zona de concentração do C. E. P., que de Aire sur-La Liy se estendia para Oeste, numa extensa área cujo eixo era a estrada de Aire-Mametz-Thérouane.
As forças da 1.ª Divisão tiveram o seu Q. G. em Thérouane, no vale do Lys, as da 2.ª, desde 30 de Abril, em Fauquembergues, já no vale do Aa. […]
Em 4 de Abril de 1917 entrou nas trincheiras a primeira companhia portuguesa, e logo nesse dia foi morto o soldado Curado (do B. I. 28), o primeiro português caído em França.”
(excerto do Cap. III, O C. E. P. em França)
Matérias:
I. Portugal não-beligerante (1914-1916). II. Portugal beligerante (1916-1918). III. O C. E. P. em França (1917-1918). IV. A Guerra das Colónias (1914-1918). V. A Guerra no Mar (1914-1918). VI. Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas levemente oxidadas. Assinatura de posse na f. rosto.
Invulgar.
Com interesse histórico.
10€
QUE SORTE, CIGANOS NA NOSSA ESCOLA! Lisboa, Centre de recherches tsiganes : Secretariado Entreculturas, 2001. In-4.º (23,5cm) de 333, [3] p. ; il. ; B. Colecção Interface
1.ª edição.
Estudo sobre a comunidade cigana - a sua história, os seus hábitos e cultura -, um olhar para o passado, presente e futuro do povo cigano.
Ilustrado no texto com desenhos esquemáticos, gráficos e tabelas, e com fotografias a p.b.
Grupo de trabalho: Carlos Cardoso; Carlos Jorge dos Santos Sousa;  Elisa Lopes da Costa - consultora científica; Elisabete Mateus; José Maria Vargas Peña; Maria Helena Torres Chaves; Mercedes Torres; Mirna Montenegro; Teresa Fernandes; Tiago Maymone Martins.
"A educação da pessoa assenta, invariavelmente, sobre a sua disponibilidade para encetar uma viagem interior de verdade e, no limite, de 'conversão'.
Se queremos mudar uma relação difícil temos de começar por nos transformarmos a nós próprios. Este axioma cristalino, mas frequentemente escamoteado, tem aplicação tanto no plano das pessoas, como no das comunidades ou no da relação entre povos. A reciprocidade tem sempre uma origem e esta é a responsabilidade individual, quiçá moral, de cada um.
Com efeito, o preconceito gera preconceito, do mesmo passo que o ódio multiplica o ódio, ou a violência provoca mais violência. [...]
No caso vertente, que ocupa substantivamente os ensaios sob escrutínio, a libertação de preconceito é tarefa maior da educação dos Ciganos que, fruto de uma clausura comunitária, muitas vezes se vêm tolhidos na sua relação como o mundo exterior. Mas ela constitui também um objectivo nuclear da educação intercultural de todos os membros da sociedade portuguesa para que ultrapassem, nas suas mentes, imagens profundamente distorcidas da comunidade cigana, quantas vezes acriticamente propagadas de geração em geração.
Este livro é bordado com a mais delicada filigrana humana. Por ele perpassa muito da dimensão colectiva e da memória espiritual do povo Rom."
(excerto da apresentação)
Índice:
Nota de abertura. Prefácio. Pinta a erva da cor que quiseres, ela será sempre erva. A erva curva-se ao vento e levanta-se de novo quando o vento passa. A mais bela fogueira começa com pequenos ramos. A águia voa alto, mas corta-lhe as asas e ficará uma galinha. Caminha sobre a erva com pés leves, os teus cavalos podem precisar dela. Ainda que montes um cavalo virado para a cauda, ele continuará a caminhar para a frente. Informações úteis.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

05 outubro, 2017

OLIVEIRA, JUNIOR, Duarte d' - O JARDIM NA SALA. Por... Redactor do Jornal de Horticultura Pratica. Socio correspondente da Real Associação de agricultura e botanica de Gand e da Associação de arboricultura da Belgica. Porto, Typ. de Bartholomeu H. de Moraes, 1876. In-8.º (20cm) de 306 p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual de horticultura oitocentista. Ilustrado com inúmeras gravuras nas páginas de texto, e com o retrato do autor em separado.
"Se quereis saber o que são affeições, é tractar de flores.
Ellas pagam nos perfumes, no colorido das petalas e na frescura da folhagem, os nossos carinhos, mas se lhes negaes o mimo, a assiduidade do tractamento, se as privaes da agua e da luz, se as deixaes emfim ao abandono, vel-as-heis tristes, desfallecidas, mortas, e a sua morte será o vosso desespero e a accusação que vos dirigem.
O amador de plantas deve ter um coração de mãe, um sentimento apurado, uma intuição da natureza. Cada planta é um filho. É preciso velar pelo seu destino, acompanhal-a desde o berço, sorrir-lhe todos os dias, observar o seu desenvolvimento.
É, pois, dever de qualquer amador o possuir tudo o que fôr necessario, não só para a conservação da planta, mas para a sua reproducção. A horticultura tem hoje um arsenal variado, e entre os diversos instrumentos que a industria horticola tem inventado, deve mencionar-se em primeiro logar o estufim ou estufa pequena."
(excerto de O jardim na sala)
José Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927). Escreveu no Jornal de Horticultura Prática. "Os primeiros números da publicação apresentam-no simplesmente como redactor; mas, com o passar dos anos, vão alastrando os títulos debaixo do nome: membro de umas tantas academias, sócio correspondente de umas quantas sociedades. Uma rápida pesquisa na Porbase indica-o como autor de meia dúzia de brochuras - sobre araucárias, sobre a filoxera e o vinho do Porto, e até sobre pomologia. Além dos muitos escritos seus que há no JHP, outros esporádicos apareceram no Jornal Hortícolo-Agrícola (1893-1906) e n'O Tripeiro (fundado em 1908). A vivacidade e o saber dos textos de Oliveira Júnior no JHP tornam imperativo conhecer a sua vida e formação, que têm algo de surpreendente.
Nasceu em Outubro de 1848 na freguesia da Vitória, no Porto, filho de um próspero comerciante de panos estabelecido na rua dos Clérigos; o pai mandou-o educar-se em Inglaterra - e, embora não seja de supor que o jovem tenha descurado os estudos úteis ao comércio, quando regressou a sua vocação era decididamente outra, como dá conta Alberto Pimentel em O Porto há trinta anos (Livraria Universal de Magalhães & Moniz, Editores, Porto : 1893): «A floricultura era considerada um capricho de imaginações romanescas. Toda a gente se admirou de que o snr. Oliveira Júnior, vindo de fazer a sua educação em Londres, desse mais atenção às flores do que à calçada dos Clérigos, onde a sua família enriquecera pelo comércio.». Oliveira Júnior tinha pois 21 anos quando se estreou como redactor do JHP - e desde o início escreveu com a segurança de quem domina inteiramente o seu assunto. Não deixou de ser comerciante - por morte do pai, ampliou o negócio da família, inaugurando os Grandes Armazéns do Carmo - mas, aproveitando terras herdadas da família materna, foi também agricultor no Minho, criador do famoso vinho Porca da Murça. Morreu em Novembro de 1927, sem deixar descendência - nas palavras do próprio, a sua única filha conhecida foi uma camélia, de cor vermelho tinto com manchas brancas, criada em 1871 por Marques Loureiro e por ele chamada Duarte de Oliveira."
(fonte: http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2005/05/jos-duarte-de-oliveira-jnior-redactor.html)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Lombada com defeitos.
Raro.
40€

04 outubro, 2017

MELLO, Duarte G. Roboredo Sampaio e - DIVORCIO. RELATORIO E PROJECTO DE LEI Apresentado á Camara dos Senhores Deputados em sessão de 1 de março de 1900 e DISCURSO Proferido em sua defeza em sessão de 6 de junho do mesmo ano. Por... (deputado da nação). Lisboa, Livraria e Typographia de F. Silva, [1900]. In-8.º (21,5cm) de 21, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante peça político-jurídica sobre a instituição do divórcio em Portugal, lei que só viria a ser promulgada dez anos mais tarde, em Novembro de 1910, após a instauração da República.
"O nosso paiz, que tem acompanhado todos os outros paizes mais civilisados na sua progressiva evolução material e moral; que os tem seguido, senão antecedido, nas ultimas applicações da sciencia juridica ao direito penal, ao direito commercial e ao processo commercial, não póde nem deve ficar-lhes atraz na transformação por que n'esses paizes está justamente passando direito civil.
A tradição romanista e canonica, demasiadamente artificial e tutelar, está cedendo o logar a uma orientação mais social e natural, livre e humanitaria.
Na vida intensa das sociedades modernas uma década que passa marca como que uma nova phase na evolução social que a legislação deve sempre acompanhar. Ora o nosso codigo civil conta já mais de trinta annos de existencia. Traduzia elle talvez ao tempo da sua publicação a melhor obra da legislação civilista até então. Mas o modo de ser da sociedade tem-se transformado completamente; hoje, pensa-se e sente-se de um modo bem diverso. Portanto, elle não póde já naturalmente satisfazer as necessidades sociaes. A sua deficiencia torna-se bem flagrante no que respeita á constituição da familia, direitos da mulher, filhos naturaes, etc.
Já ao tempo da sua publicação o divorcio era uma instituição nas legislações de muitos paizes cultos e era uma grande aspiração dos publicistas mais eminentes. Mas a mão de ferro da nossa tradição canonica não deixou consignar no nosso melhor monumento legislativo d'este seculo essa idéa tão simples, tão natural, tão jjusta e tão indispensavel á dignidade do matrimonio e á bem entendida felicidade dos conjuges e até dos filhos."
(excerto de Relatorio e Projecto Lei)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.. Capas apresentam manchas.
Raro.
Peça de colecção.
15€

03 outubro, 2017

VASCONCELOS, Dr. Faria de - A PSICOLOGIA E A ACTIVIDADE MILITAR (Psicologia aplicada, Pedagogia e Orientação profissional). Pelo... Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1937. In-8.º (19cm) de 184 p. ; E. Biblioteca de Cultura Pedagógica, 14
1.ª edição.
Interessante estudo de psicologia aplicada ao serviço militar.
"Foi a Grande Guerra que pôs em relêvo toda a importância e utilidade das aplicações da psicologia à actividade militar. Movidos pelas necessidades técnicas e pelas exigências imperiosas duma acção rápida e eficaz, os beligerantes procuraram tirar dos seus efectivos o maior e melhor rendimento e evitar tudo quanto pudesse estorvar o êxito das suas armas. Assim se foram criando nos exércitos os serviços de selecção profissional baseados nos exames das aptidões psicológicas necessárias para o exercício de certas especialidades.
Na Europa estes serviços de selecção psicológica aplicaram-se aos exames das aptidões dos aviadores (França, Itália, Alemanha desde 1916), dos automobilistas militares, dos radiotelegrafistas, dos tripulantes dos dirigíveis e dos submarinos, dos oficiais de marinha e de infantaria, das tropas de assalto (Alemanha), etc.
Mas foi sobretudo nos Estados-Unidos da América do Norte onde as aplicações de psicologia foram mais consideràvelmente utilizadas nos serviços da Guerra. [...]
A Grande Guerra operou transformações extraordinárias e evidenciou que a vitória dependia da melhor utilização do factor humano."
(excerto de Origem das aplicações da psicologia à vida militar)
António de Sena Faria de Vasconcelos Azevedo (1880-1939). Professor universitário e um prestigiado pedagogo associado ao movimento Escola Nova. Bacharel em leis formado pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1901). Partiu para Paris e depois para a Bélgica, tendo feito o doutoramento em Ciências Sociais na Universidade Nova de Bruxelas.
(fonte: wikipédia)
Encadernação meia inglesa com cantos e ferros gravados a ouro na lombada.
Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

02 outubro, 2017

ENTREVISTA SOBRE O PROTESTANTISMO. Porto, Edições Salesianas, 1947. In-8.º (14,5cm) de 38, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso libelo contra o protestantismo, publicado durante o regime do Estado Novo. Trata-se de uma entrevista em jeito de "lição", em que as perguntas preparadas para o efeito são respondidas em tom recriminatório e de censura.
"Perg. - Em que consiste o protestantismo?
Resp. - Consiste na absoluta independência de toda a autoridade em assuntos religiosos. O protestantismo ensina que cada um pode interpretar a Bíblia à sua vontade e tirar dela os artigos de fé que muito bem lhe pareça. Deste princípio formou-se a multidão de seitas (mais de duzentas) tendo cada uma o seu Credo.
Perg. - Os protestantes podem saber de certeza que a Bíblia é um livro divino?
Resp. - Nem o sabem nem o podem saber, porque, despresando eles a autoridade da Igreja que recebeu a Bíblia da mão dos Apóstolos e não admitindo mais que a razão pessoal para julgar estas coisas, como podem eles saber que os livros sagrados são inspirados ou são sagrados ou não? [...]
Perg. - Porque mostram tanto zelo em espalhas Bíblias entre os Católicos?
Resp. - Para enganar. Aproveitam-se do respeito que os Católicos têm pela Sagrada Escritura e dão-lhes Bíblias truncadas e corrompidas.
[...]
Perg. - Como arranjaram então sequazes?
Resp. - Lisonjeando as paixões, a concupiscência da carne, a das riquezas e o orgulho."
(excerto de O que é?)
"Perg. - O Católico que  que abraço o protestantismo, comete algum mal?
Resp. - Um mal? Dize melhor: dois crimes: um contra Deus, outro contra a Igreja.
Perg. - Contra Deus?
Resp. - Sim, tornando-se réu da mesma culpa de Lúcifer que se revoltou contra Deus, querendo fazer-se independente. Efectivamente, o católico, ao fazer-se protestante, rebela-se contra Cristo que pôs a Igreja como mestra e guia dos homens. Di-lo o Evangelho: «Se não ouvir a Igreja, seja para ti como um gentio e um publicano»."
(excerto de O crime dos traidores)
Matérias:
O Protestantismo: - Donde vem. - O que eram? - O que é. - Quem o quer? - O crime dos traidores. - Ensaio de contradições. - Para onde irão? - Nem as portas do inferno. - Pela árvores os frutos. - Os que eles odeiam. - A Missa. - O Culto dos Santos. - Conclusão.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Escritos no interior. Capas frégias com defeitos.
Raro.
10€