25 fevereiro, 2018

CARDIA, Amélia - NA ATMOSFERA DA TERRA : romance neoespiritualista. Lisboa, Edições da Federação Espirita Portuguesa, 1930. In-8.º (17cm) de XV, [1], 293, [3] p. ; B.
1.ª edição.
"A concepção do romance que vai lêr-se é fundamentada numa série de comunicações autênticas, psicografadas por médium de inconcussa probidade, sob o ditado dum espírito identificado, a quem o remorso de erros cometidos na sua última encarnação transformou a presente existência astral num suplício cruciante, em verdadeiras gemonias de preceito.
É, pois, sôbre um fundo de irrecusável verdade que foi delineada a contextura da ficção, cujo protagonista, na sua personalidade carnal, ainda nos acotovelou na Terra, aos lutadores que ao findar do século XIX já sentíamos dilacerarem-se-nos os pés na arena sinuosa e aspérrima do perpétuo struggle for life.
Do mesmo modo são copiadas do natural, nas suas características essenciais, as personagens acessórias, alguma de particular relêvo, que se acharam relacionadas com a principal. [...]
Acalenta-me a esperança de que o volume que entrego à publicidade grangeará algumas simpatias, na persuasão de que entre os seus leitores alguns haverá que, por serem de natural indulgente, professarão o critério de Lemaître.
Realista, porque realista é a verdade, único alvo que valoriza o estudo da natureza humana, reflectindo-a, (e dêle não desviei os olhos) nem por isso a concepção deixa de ser romântica, em virtude de naturais tendências que me impelem sempre a elevar a genuína verdade, do nível do banal positivismo e das realidades tangíveis, ao do emocional transcendente, que dá figuração, côr e vida às cousas menos atraentes na aparência e nelas descobre o elemento divino que as vitaliza."
(Excerto da Advertência preliminar)
Amélia Cardia (Lisboa, 1855 - Lisboa, 1938). “Médica e escritora. Dedicou-se ao estudo dos clássicos e da filosofia, após o que se formou em Medicina com brilhantes classificações, tendo sido a primeira mulher licenciada em Medicina em Lisboa e a primeira mulher interna nos Hospitais Civis. Fundou uma casa de saúde na Estrela, que abandonou passados oito anos para se dedicar a estudos de filosofia e espiritismo. Pertenceu à Associação das Ciências Médicas e à Federação Espírita Portuguesa. Colaborou assiduamente em diversos jornais e revistas - Ilustração Portuguesa, O Século, Revista de Espiritismo, Diário de Notícias, etc. –, tendo dirigido O Mensageiro Espírita.”
(fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990)
Exemplar brochado, em bom estado de conservação.

Invulgar.
15€

24 fevereiro, 2018

DÉSORMEAUX, Dr. - PEDERASTIA : inversão sexual. 4.ª edição. Por... Professor de Medicina Legal e Membro da Academia de Medicina de Paris. Lisboa, Livraria de João Carneiro & C.ta, [19--]. In-8.º peq. (16cm) de 61, [3] p. ; B. Bibliotheca Sexual, N.º 7
Curioso trabalho sobre pedofilia, conceito que o autor, à luz da época, por vezes, confunde com homosexualidade.
"A inversão do instincto sexual póde manifestar-se nos dois sexos. No homem é a pederastia; na mulher, o tribadismo.
Em ambos os sexos é a inclinação entre dois individuos do mesmo sexo em que, como succede com todas as associações de dois, um tem o mando, a direcção, e o outro desempenha o papel de subordinado, que obedece e executa. Um é activo, o outro, passivo."
(Excerto do Cap. I, Inversão sexual)
"Quaes são as causas a que pode attribuir-se a pederastia?
O dr. Chevallier distinguiu tres variedades de inversão sexual:
Inversão adquirida, por exemplo, nas prostituições pederasta e saphica;
Inversão propria das agglomerações, como pensões, internatos, exercito, prisões, etc.;
Inversão morbida, como as hereditarias e a das hermaphroditas moraes.
Perguntando-se um dia a Borduc d'onde provinham estes gostos abominaveis, elle respondeu:
- «De toda a parte, d'uma pobreza de organisação da gente nova, da falta de juizo e corrupção dos velhos, dos attractivos da belleza, da falta de mulheres e do receio do venereo.»
A estas razões ha a accrescentar a modificação de caracter e as excitações que sobreveem na puberdade."
(excerto do Cap. II, Causas da inversão)
Matérias:
I. Inversão sexual: - Processos de pederastia - Prostituição pederasta. II. Causas da inversão. III. Signaes caracteristicos dos pederastas. IV. Aberrações do instincto sexual: 1 - Fetichismo; 2 - Exhibicionismo; 3 - Masochismo; 4 - Sadismo; 5 - Necrophilia; 6 - Bestialidade. V. A satyriase.
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com defeitos e pequenas falhas de papel. Assinaturas de posse na f. anterrosto.
Raro.
Sem registo na BNP.
15€

23 fevereiro, 2018

NOVISSIMA ARTE DE COZINHA. Illustrada com numerosas gravuras e contendo As melhores receitas culinarias, ao alcance de todos, uma secção completa de dôces, pudins, massas, etc., variadissimos pratos e o modo de servir á meza e de trinchar. 2.ª edição Enriquecida com muitas receitas pelas mais distinctas damas argentinas, paraguayas, chilenas, mexicanas, etc. Por UM MESTRE DE COZINHA. Lisboa, Editores-Proprietarios : Tavares Cardoso & Irmão, 1897. In-8.º (19cm) de 412, [4] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
Curioso tratado de cozinha, contendo centenas de receitas variadas, entre sopas, molhos e temperos, carne, peixe, doçaria, etc., bem como o serviço da cozinha e da copa, sendo ainda, o primeiro tratado do género que procura divulgar entre nós a cozinha brasileira.
Muito ilustrado no texto e com uma gravura em separado.
"Publicando o presente trabalho, tivemos em vista condensar os methodos mais simples, a par das mais completas receitas de cozinha, para que as nossas prescrições fossem comprehensiveis e practicaveis, sem grandes esforços para os que desejem estudar completamente esta especialidade.
Apesar de não havermos ultrapassado uma 400 paginas, que tantas são as que constituem este volume, crêmos, todavia, que não deixámos de enunciar cousa alguma que pudesse ser de utilidade á realisação de uma boa cozinha. Puzemos de parte as theorias complicadas, que apenas serviriam para crear difficuldades áquelles que nos consultassem, e tractámos de reunir todos os elementos necessarios para a execução de boas refeições, quer familiares, quer extraordinarias, por exigencias de fino gosto.
Ao passo que as donas de casa encontrarão n'este livro indicações facilimas, visto que não só a leitura dos melhores auctores que teem tractado de cozinha, mas tambem a pratica de muitos annos, guiaram o auctor convenientemente, levando-o a abstrahir tudo quanto fosse superfluo e de difficil execução, - os cozinheiros que pretendam aperfeiçoar a sua arte, creando-lhe elementos novos, acharão tambem aqui tudo o que necessitarem para esse fim e que o auctor buscou nas fontes mais authorisadas, quando não o praticou por sua mão.
Pareceu-nos ainda conveniente incluirmos em o nosso trabalho alguns pratos de cozinha brazileira, dignos de figurar a par de muitos que a cozinha franceza nos tem fornecido, e que não estão vulgarisados entre nós, pelo simples motivo de não serem conhecidos. E quantas pessoas, d'aquellas que os conhecem, não se lembrarão por vezes, com saudade, do delicioso churrasco do Rio Grande e dos finissimos dôces que no Brazil saborearam, e que, voltando á patria, nunca mais tornaram a contemplar, como se, ao trocarem a America pela Europa, mão fatidica se lhe houvesse traçado deante dos olhos cubiçosos aquellas tremendas palavras de Dante: Lasciate ogni speranza!
Não, a esperança não está de todo perdida. Os manjares brazileiros surgirão nas mezas de Portugal, e será a Novissima Arte de Cozinha o generoso Moises d'essa grande obra.
Acompanha-nos esse desejo, bem como a crença de que não darão por desperdiçadas as suas consultas aquelles que seguirem á risca as nossas prescripções. Todas as receitas que apresentámos podem ser usadas com perfeita segurança, accrescendo a circumnstancia de havermos tornado as nossas indicações o mais economicas possivel, resultado a que o bom cozinheiro deve attender continuadamente."
(Prefácio dos editores)
Encadernação coeva em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
20€

22 fevereiro, 2018

DELGADO, Humberto - AVIAÇÃO DE BOMBARDEAMENTO. [Por]... Tent.-coronel do C.E.M. Lisboa, [s.n. - Composto e impresso na Tipografia da L. C. G. G., Lisboa], 1946. In-4.º (23,5cm) de 38, [2] p. ; [1] f. desd. ; B. Separata da «Revista Militar» (Fascículos de Agosto/Setembro e Outubro - 1946)
1.ª edição independente.
Interessante estudo militar publicado pouco tempo após o final da 2.ª Guerra Mundial.
Ilustrado extratexto com uma folha desdobrável: Quadro de alguns aviões de bombardeamento  típicos e do avião super-pesado «Douglas B 19»
"Este estudo publica-se, quando a desintegração do átomo colocou o mundo, espantado, perante um meio de destruição de inconcebível violência.
Sempre que um meio novo de guerra aparece - chame-se metralhadora, carro de combate ou bomba atómica - o Homem, umas vezes, como que aterrorizado perante a própria obra da sua inteligência, crê estarem extintos os meios anteriores; outras vezes, rotineiro, não acredita, e apega-se a impor meios sediços, obsoletos.
Não temos conhecimento bastante do novo maio de ataque para abertamente tirarmos conclusões profeticas, mas para este estudo pouco interessa, pois que:
a) - Muitos exércitos, e entre eles o nosso, ainda não alteraram a instrução nem os meios de combate de que dispunham durante a campanha finda.
b) - A bomba atómica bem como o «radar» e outras geniais descobertas, estão em poder de poucas potências militares.
c) - É possível que na guerra alguns dos meios correntes da luta aérea se justaponham ou sobreponham aos utilizados no último ano da campanha 1939/45, e aos que estão em preparação mais ou menos secreta.
d) - Tal como sucedeu com os gazes de combate, é possível que a bomba atómica utilizada uma vez na campanha finda, o não seja em campanha futura."
(Generalidades)
Matérias:
I - Generalidades. II - A luta das ideias: Douhet tinha razão? III - Organização da Aviação de Bombardeamento. IV - Materiais de Bombardeamento. V - O efeito material dos bombardeamentos e seu custo em material e pessoal. VI - Modalidades e processos de bombardeamento. VII - Emprego tático da aviação de bombardeamento na guerra moderna. VIII - Custo e efeitos das operações  aérias maciças. IX - A protecção pela caça. X - Conclusões.
Humberto da Silva Delgado (1906-1965). "Nasceu em Boquilobo, Torres Novas, a 15 de Maio de 1906. Casou com Maria Iva de Andrade Delgado. Frequentou o Colégio Militar, cujo curso concluiu em 1922, bem como a Escola do Exército, onde se formou em Artilharia de Campanha, em 1925. Ingressou então na Escola Prática de Artilharia. Participou na preparação no Movimento do 28 de Maio de 1926, que pôs termo ao regime republicano. Frequentou o curso de observador aeronáutico (1926-1927), passando depois a instrutor e, em 1928, tirou o curso de oficial piloto aviador. Entre 1929 e 1932 fez os preparatórios do Curso de Estado Maior e de 1932 a 1936 frequentou a Escola Central de Oficiais, concluindo o Curso de Estado Maior. Desempenhou funções de adjunto militar do Comando Geral da Legião Portuguesa, de comissário nacional adjunto da Mocidade Portuguesa, passando depois a vogal do Conselho Técnico. Foi adjunto da Missão Militar às colónias em 1938, altura em que se deslocou a São Tomé, Angola e Moçambique. Acompanhou o Presidente da República, general Craveiro Lopes, à África do Sul. Em 1929 foi secretário do Ministro da Instrução, o tenente-coronel Eduardo da Costa Ferreira. Data do mesmo ano a visita de estudo à aviação francesa, e de 1932 a visita de estudo ao Marrocos espanhol. A convite do Governo espanhol acompanhou uma missão da Legião Portuguesa a Espanha, durante a guerra civil. Em 1942 foi nomeado representante do Ar nas negociações para a cedência aos ingleses da base dos Açores, o que lhe valeu a atribuição da Ordem do Império Britânico. Em 1944 foi nomeado director geral do Secretariado de Aviação Civil e em 1945 fundou os Transportes Aéreos Portugueses (TAP), criando as primeiras linhas de ligação aéreas com Angola e Moçambique. Em 1952 foi nomeado adido militar na Embaixada de Portugal em Washington e membro do Comité dos Representantes Militares da NATO. Com 47 anos foi promovido a general e em 1956 o Governo americano concedeu-lhe o grau de Oficial da Ordem de Mérito.
Em 1958 recebeu convite da oposição democrática para se apresentar, como candidato independente, às eleições presidenciais. Aceitou, afirmando, durante a campanha eleitoral, que demitiria Salazar, caso o vencesse nas urnas. O apoio popular à sua candidatura e a subsequente acção da PIDE causaram tumultos no Porto e em Lisboa, a 14 e 16 de Maio. Realizadas as eleições, foram os seguintes os resultados divulgados: 25% dos votos para Humberto Delgado e 75% para Américo Tomás. Foi então afastado, pelo Governo, das funções que exercia. Manteve, no entanto, actividade política, criando o Movimento Nacional Independente. A 12 de Janeiro de 1995 refugiou-se na Embaixada do Brasil, acabando por partir, a 21 de Abril de 1959, para o Rio de Janeiro, onde entrou em contacto com oposicionistas ao regime político de Salazar, com o objectivo de contra ele desenvolver uma acção concertada. Assumiu a responsabilidade política do apresamento do navio Santa Maria, da Companhia Nacional de Navegação, em 22 de Janeiro de 1961, levado a cabo por Henrique GaIvão em conjunto com membros do Directório Ibérico de Libertação. Nesse mesmo ano entrou clandestinamente em Portugal, com o objectivo de participar na revolta de Beja, que não vingou. O facto causou-lhe a perda do estatuto de exilado no Brasil. Deixou este país em 1963, voltando à Europa (Checoslováquia), onde passou três meses. Foi depois para a Argélia, onde o presidente Ben Bella o recebeu com honras de chefe de Estado. Assumiu a liderança da Junta Revolucionária Portuguesa, órgão directivo da Frente Patriótica de Libertação Nacional, que integrava diferentes correntes da oposição. Acabou por entrar em divergência com os demais elementos em relação à forma de derrubar Salazar. Procurado pela PIDE desde 1959, foi a Badajoz, em 13 de Fevereiro de 1965, pensando acorrer a um encontro com oficiais do exército. A partir desse dia, ele e a sua secretária, a brasileira Arajaryr de Campos, foram dados como desaparecidos. Só dois meses mais tarde, a 24 de Abril de 1965, na sequência das investigações de uma Comissão da Federação Internacional de Direitos do Homem, foi anunciada a descoberta dos corpos, perto de Villanueva del Fresno.
Humberto Delgado foi colaborador de diversas revistas e jornais, de que se podem referir a Revista Militar, a Revista de Artilharia, a Do Ar, a Aeronáutica, a Defesa Nacional, da qual era editor e chefe dos serviços de propaganda, e de O Século.
São várias as obras publicadas: de 1933, A pulhice do Homo Sapiens; de 1937, Aviação, Exército, Marinha, Legião: conferências; de 1937, Guerra de ruas e guerra de guerrilhas; de 1939, Auxiliar do graduado da Legião: 28 de Maio, peça radiofónica em três actos.
É referido, pela actividade política que desenvolveu, como "o General sem Medo"."

(Fonte: http://www.aatt.org/site/index.php?op=Nucleo&id=1599)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capa vincada, com defeitos; mancha de humidade, junto ao festo, visível nas primeiras cinco folhas do texto.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas apresentam vestígios de sujidade, selo de biblioteca e carimbo oleográfico do Regimento de Cavalaria 8. Folha de rosto contém igualmente dois carimbos - da biblioteca e do RC 8.
Raro.
30€

21 fevereiro, 2018

HISTÓRIA DO REGIMENTO DE INFANTARIA N.º 1 : 1648--1942. In-8.º (21cm) de 72 p. ; B.
1.ª edição.
Resenha histórica do Regimento de Infantaria n.º 1, com múltiplas referências à sua participação na 1.ª Guerra Mundial, e um capítulo dedicado ao conflito. Nele, traça o roteiro do Regimento por terras de França, incluindo a descrição da batalha de La Lys. No final, enumera as perdas de Infantaria n.º 1 em França - mortos, feridos, gaseados e prisioneiros.
No final do livro em "Um exemplo de bravura e de brio militares" descreve a acção heróica do soldado Francisco Balbino, servente n.º 1 de metralhadora, em 9 de Abril de 1918, durante a Batalha de La Lys. Contém ainda no final do livro, o hino do Regimento de Infantaria n.º 1, a lista dos seus comandantes e das suas efemérides.
"Em Agôsto de 1914 rebenta a Grande Guerra, declarando o Chefe do Govêrno Português, no Parlamento, no dia 8 dêsse mês, que Portugal em circunstância alguma faltaria aos deveres de aliança, livremente contraídos com a Inglaterra.
Como consequência desta política é logo em Outubro organizada uma Divisão completa a que se dá o nome de Divisão Auxiliar à França, a qual se deveria preparar para marchar oportunamente a enfileirar-se ao lado dos aliados na frente ocidental da Europa. Desta Divisão deveria fazer parte o 1.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 1.
Os aliados, porém, pretendem que Portugal se não comprometa com uma declaração de guerra e pedem simplesmente que lhe seja fornecida artelharia.O Ministro da Guerra opôs-se, por entender que seria uma afronta para o Exército Português o fornecimento de material sem o pessoal para o servir.
As negociações diplomáticas vão-se arrastando e a 9 de Agôsto de 1915 o Govêrno Português resolve que a Divisão cuja mobilização se estava preparando como auxiliar à França, passaria a ser destinada a criar um nucleo de tropas capaz de fazer face a qualquer emergência onde quer que se tornasse necessária a sua intervenção. E assim nasceu a DIVISÃO DE INSTRUÇÃO que, em Março de 1916, se reüniu no Campo de Manobras de Tancos, a fim-de se preparar para a eventualidade reputada inevitavel de combater o inimigo no Continente da República, nas nossas Colónias, ou em qualquer parte do Mundo. [...]
Foi a Divisão de Instrução que veio a constituir o nucleo do Corpo Expedicionário Português que, a partir de Janeiro de 1917, foi enviado a França, enfileirando-se ao lado dos aliados, a fim-de combater os alemães que no dia 9 de Março de 1916 nos tinham declarado a guerra.
A 27 de Maio de 1917 embarcou para França o 1.º Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 1, indo acantonar em Ouwe-Werquim onde começou a receber instrução. Passado um mês mudou para Euquim-les-Mines de onde as companhias isoladamente foram completar a sua instrução ás trincheiras inglesas proximas de Locon. [...]
Em 21 de Novembro de 1917 foi render Infantaria n.º 14 no sector de Fauquissart II.
Pelas 15 horas de 23 dêsse mesmo mês um intenso bombardeamento de artelharia e morteiros é feito sobre as 1.ª e 2.ª linhas, trincheiras de comunicação e comando do batalhão.
Após 10 minutos de fogo, forças alemãs, no efectivo de aproximadamente 1 companhia, lançam-se ao assalto da 1.ª linha, onde havia um saliente, o Red Lamp Corner, que estava apenas a 40 metros das trincheiras inimigas e foi o primeiro a ser assaltado.
Encontrava-se neste saliente um posto com o efectivo de 6 praças comandadas por um 2.º cabo que, depois de atacado à granada de mão e a tiro de pistola, é intimado a render-se, chegando mesmo algumas praças a ser agarradas pelo inimigo. A guarnição responde, porem, a esta intimação com um fogo vivo de espingarda e granada de mão, travando-se um combate renhido de que resultou ficarem feridos 1 oficial e alguns soldados alemães, um dos quais foi feito prisioneiro.
Repelida esta investida, novas se fazem mas foram também repelidas e com o mesmo denodo, mostrando sempre as praças o maior sangue-frio."
(Excerto de A acção do Regimento de Infantaria n.º 1 durante a Grande Guerra)
Matérias:
Quadro genealógico do Regimento de Infantaria n.º 1. Regimento de Infantaria n.º 1 - Batalhas, Combates e outras acções em que o Regimento tem tomado parte. Esboço biográfico do Regimento de Infantaria n.º 1. O Regimento de Infantaria n.º 1 e os desportos. A acção do Regimento de Infantaria n.º 1 durante a Guerra Peninsular. A acção do Regimento de Infantaria n.º 1 durante a Grande Guerra. O Regimento de Infantaria n.º 1 e o Marechal Duque de Saldanha. Um acto de abnegação e filantropia. Um modêlo de sentinela. Um exemplo de bravura e de brio militares. Hino do Regimento de Infantaria n.º 1. Lista dos Comandantes que tem tido o Regimento de Infantaria n.º 1. O Dia da Infantaria - O seu significado.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
25€
Reservado

20 fevereiro, 2018

CIRNE, António de Carvalho - A ENFITEUSE. [Por]... Presidente da Liga Agrária do Norte. [Porto], Oficinas Gráficas de O Comércio do Porto, 1931. In-8.º (18cm) de 12 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante trabalho sobre a enfiteuse publicado em O Comércio do Porto, de 11 a 14 de Abril de 1931.
Valorizado pela dedicatória manuscrita do autor ao Ministro da Justiça da época, José de Almeida Eusébio (1881-1945).
"Esta antiga instituição prestou, em tempos idos, assinalados serviços à Pátria portuguesa, como tôda a gente sabe.
Iniciada a guerra de conquista, ou digamos, de reivindicação, dos Cristãos contra os Agarenos, guerra não só política como religiosa e que, portanto, neste duplo carácter, era uma guerra de extermínio, as terras passavam naturalmente das mãos dos seus ocasionais detentores para as dos seus definitivos donos, os cristãos vencedores.
Mas é de todos sabido que as terras só valem pelo que produzem; terra improdutiva não tem valor. Mas para a terra produzir é necessário revolvê-la, trabalhá-la, e para isso é necessário tempo, dinheiro, gente e paz, e de nenhuma destas coisas se podia dispôr durante o largo período da reconquista, que, começando no reinado de D. Afonso Henriques só viu o seu termo em tempo de D. Afonso III."
(Excerto do Cap. I)
Exemplar brochado em bom eado geral de conservação. Mancha de humidade antiga transversal a toda a obra à cabeça e no centro, sem contudo prejudicar a mancha tipográfica.
Raro.
A BNP tem apenas um exemplar recensado na sua base de dados.
Indisponível

19 fevereiro, 2018

SILVA, José Barbosa e - AMAR É SOFFRER. Estudos do coração. Romance por... Precedido d'um juiso critico de Camillo Castello-Branco. Porto : Typ. de J. J. Gonçalves Basto, 1855. In-8.º (18cm) de 336 p. ; E.
1.ª edição.
Romance histórico duplamente valorizado pelo prefácio de Camilo Castelo Branco e pela dedicatória manuscrita do autor na f. rosto ao conhecido bibliófilo vianense Cândido Xavier da Costa.
"Além de político do partido liberal (deputado, por Viana do Castelo e adido em Paris, entre outros cargos) José Barbosa e Silva dedicou-se também às letras (poesia, romance e jornalismo). Camilo apoiava e incentivava esta atividade do amigo vianês, promovendo-lhe a publicação, em jornais do Porto e de Lisboa, de poemas, crónicas e, em folhetins, o romance Viver para Soffrer (1855). Dedicado aos irmãos e subintitulado Estudos do Coração, este romance, com benevolente prefácio de Camilo (pp. 5-16), apesar de impresso, nunca chegou, porém, a entrar no mercado. Como se sabe, a abastada família Barbosa e Silva e, em particular, o José, eram o pronto socorro a que o Escritor frequentemente recorria, nos seus apertos financeiros ou estados psicológicos de abatimento.
Camilo integrou, depois, o prefácio de Viver para Soffrer, no volume Esboços de Apreciações Litterarias (1865: 39-49)."

(Fonte: http://vianacamilo.blogspot.pt/2014/11/016.html)
 "Estudos do Coração é o titulo opulento com que Barbosa e Silva recommendou o seu romance.
Essas palavras, que uma indiscreta precipitação poderia ter inventado, responsabilisam o author a contas rigorosas.
Estudar o coração é cortar fundo com o escalpello no proprio; é invocar remeniscencias de feridas que sangram sempre; é acordar os eccos de um gemido surdo no coração estranho; é tocar a evidencia da dôr, surprehendendo-a no sanctuario daquelles que mais a segredam: é em fim dizer: «soffremos assim, ou assim deviamos soffrer.»"
(Excerto do prefácio de Camilo)
"A Historia que vai ler-se, não é phantastica nos esboços constitutivos. Filha das monstruosidades, que a sociedade esconde no seu seio de torpesas, surge do tumulo do passado, rasga o veu de mysterios, que a cobre, mostra-se á luz do dia, e sacode sobre a lousa o seu diadema de crimes.
Não são pois phantasticos os esboços desta narrativa. Quem traçou esses segredos, com caracteres indistinctos, mal sustinha já, com as mãos d'esqueleto, a lousa do tumulo, que lhe caia sobre o peito! Não mentem as revelações insufladas pelos resquicios dessa lousa, gélida, como o peso da desgraça, sobre o coração do infeliz. [...] Felizes no mundo os que podem escutar as confissões expansivas da consciencia do moribundo!..."
(Excerto do preâmbulo)
"N'um vasto aposento do soberbo palacio de D. Heitor Fajardo de Carvalho, na margem esquerda do Lima, passeava, já alta noite, com subida anciedade e inquietação, um pobre velho, singelo, e até vulgar nos trajes, mas venerando no aspecto. Era no pino do inverno. O vento assobiava nas açotêas e ameias dentadas, que guarneciam o largo átrio do solar; a noite não se diria tempestuosa, mas humida, fria, e ameaçadora para as horas da maré-cheia, que já subia os marneis e declives pantanosos da fazenda do fidalgo. [...]
Saibamos desde já, que o mysterioso ancião, que passava e repassava sem descanço, com mostras de tanta attribulação, era Simão Rodrigues, mordomo e administrador das avultadas rendas e pensões de D. Heitor Fajardo, um dos mais ricos e philauciosos fidalgos d'entre Minho e Lima."
(Excerto do Cap. I)
Belíssima encadernação em meia de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Raro.
A Biblioteca Nacional dispõe de apenas um exemplar registado na sua base de dados.
45€
Reservado

18 fevereiro, 2018

SALGARI, Emilio - AS MARAVILHAS DO ANO DOIS MIL : romance de aventuras. Traducção do Dr. Carlos José de Menezes. Lisboa, João Romano Torres & C.ª, [1927]. In-8.º (19cm) de 184 p. ; E.
1.ª edição portuguesa.
Curioso romance de ficção científica, originalmente editado em Itália (1907). Trata-se da narrativa de uma viagem ao futuro, e é considerada a mais importante obra de ficção protocientífica italiana e, seguramente, das mais invulgares publicadas neste género literário.
"Em uma manhã dos ultimos dias de setembro do ano de 2003, tres homens subiam lentamente o rochedo de Retz, ajudando-se uns aos outros para treparem ás rochas, porque não havia nem sombra de caminho.
O primeiro era um homem já grisalho de entre cincoenta e sessenta anos, comtudo ainda vigoroso, sem barba e sem bigode, com os braços e as pernas muito compridos, em proporção ao tronco, com uma poderosa musculatura e os olhos muito dilatados, quasi brancos.
Os outros dois eram mais novos a sua duzia de anos, igualmente bem desenvolvidos, com musculos poderosos e os olhos tambem brancos e átonos.
Em todos tres se observava um desenvolvimento absolutamente extraordinario da cabeça, especialmente da fronte."
(excerto da Parte Segunda, Cap. I, Uma ressurreição milagrosa)
Emílio Salgari (1863-1911). Escritor italiano. “O veronês Emilio Salgari foi, ao longo de um século, leitura iniciática e obrigatória para gerações de jovens ávidos de aventuras exóticas. Em Itália, a sua vasta obra foi mais lida que a de Dante – de estudo obrigatório nos liceus – e ainda hoje, quase um século após a sua morte, permanece como um dos 40 autores italianos mais traduzidos. Não sendo, decididamente, um grande autor – foi sempre ignorado pela crítica –, é um clássico sucessivamente reeditado ou transposto para o cinema. Fenómeno de longevidade, concitou recentemente o interesse de estudiosos das paraliteraturas.
Salgari aprendeu os rudimentos da arte de navegar num navio-escola de cabotagem do Adriático, passando a utilizar abusivamente o título de «capitão» ao longo da vida. A sua autobiografia, relato de supostas aventuras nos mares do Oriente, ter-lhe-ia inspirado a galeria de heróis destemidos que enchem os quase 90 romances de sua autoria e os 50 apócrifos publicados após a sua morte pelos seus filhos Omar e Nadir, bem como por Luigi Motta. É pacífico, porém, que Salgari jamais sulcou outros mares que os da sua febril imaginação e nunca conheceu outros piratas senão os sucessivos editores que o exploraram ao longo de uma vida de indizíveis privações e que o levariam a um suicídio digno da aura de exotismo que toda a vida cultivou: cometeu um arremedo de hara-kiri.
Os jornais estrangeiros, a literatura de viagens e enciclopédias inspiraram os enredos aventurosos dos quatro principais ciclos da produção (Piratas da Malásia; Corsários das Antilhas; Corsários das Bermudas; Far-West). Os seus heróis são proscritos, fora-da-lei ou «bárbaros» perseguidos pela avidez de colonizadores «civilizados», denunciando o fundo libertário da visão salgariana de um mundo então eurocêntrico, racista e imperialista. Sandokan, um príncipe malaio acolitado pelo português Yanez de Gomera (!), pelo audaz bengali Tremal-Naik e pelo jovem marata Kammamuri movem ao pérfido «rajá branco» de Sarawak, o famigerado James Brooke, uma guerra sem quartel; o Corsário Negro e o Captão Morgan dedicam a sua vida à luta contra os ávidos colonizadores das Caraíbas, enquanto os corsários das Bermudas, ao serviço da causa independentista norte-americana, desbaratam sucessivas esquadras britânicas. A prolixa galeria de figuras e enredos de Salgari inscreve também, em tantos outros romances isolados, a temática canónica do género aventureiro: naufrágios, expedições a regiões inóspitas, quadros históricos, civilizações desaparecidas e mesmo uma incursão aos domínios da ficção protocientífica. Nas suas Maravilhas do ano 2000, a história termina em Lisboa, com os heróis da aventura enlouquecidos pela «saturação eléctrica» de um mundo dominado pelas máquinas.”
(in http://purl.pt/301/1/o-autores-estrangeiros/oe-salgari.html)
Encadernação inteira de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva a capa frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Discreta rubrica de posse na f. anterrosto.
Raro.
Peça de colecção.
35€
Reservado

17 fevereiro, 2018

FRANÇA, Feliciano da Cunha – EXTENSAÕ // DO // DICTAME, OU PARECER // DO REVERENDISSIMO P. MESTRE // FR. BENTO FEIJOO, // do Concelho de S. Magestade Catholica, &c. // ÁCERCA DAS CAUSAS // DOS // TERREMOTOS, // EXPLORADO // Pelo Lic. JOAÕ DE ZUNIGA; // em Carta escripta a hum amigo // Por…, // Advogado nesta Côrte. // LISBOA, M.DCC.LVII. // Na Officina de JOSEPH DA COSTA COIMBRA. // Com todas as licenças necessárias. // Vende-se na rûa das Pretas a S. Jozé no lója // de Sylvestre Rodrigues, Livreiro da Rainha // nossa Senhora. In-8.º (19cm) de [30], 66 p.
1.ª edição.
Curiosíssimo trabalho publicado apenas dois anos após o terramoto que devastou Lisboa, em 1755.
“Tem-me causado grande admiraçaõ o juizo que os homens formaraõ, de que os Elementos se conjuráraõ contra esta Cidade no primeiro dia de Novembro do anno próximo passado para fazerem a destruição, que nella depois vimos! A Terra, porque se incenderão as materias combustíveis, reconcentradas nella, tremeo, conjurou-se contra Lisboa. A Agoa do mar, que por tremer a terra, excedeo de algum modo os seus limites, mas naõ a tanto espaço, que lhe fizesse damno algum (e se o fez naõ foi de muita consideração,) tambem se conjurou contra ella. O Ar, porque ventou alguma cousa, e talvez com menos violencia do que em outras muitas ocasiões, em que lhe naõ chamariaõ conjurado, por naõ trazer comsigo os companheiros desta conjuração, tambem se conjurou conta a lamentavel Cidade. O Fogo, porque se lhe juntaraõ materias, em que se fosse cevando por causa das ruinas dos edifícios pelo tremor de terra; e se he certo o que algumas pessoas disseraõ, que alguns dos Delinquentes, que foraõ condemnados, confessáraõ nos patíbulos, foi posto em outras, pelo terror panico dos homens naõ acudirem a atalhar-lhe os passos, ardeo em quanto foi achando aonde, muito de seu vagar; e reduziria muito mais a cinzas do que naõ redúzio, se lhe naõ acudissem em algumas partes, tambem foi culpado na conjuração. Pobres Elementos, cada hum falla de vós o que quer! Huns affirmaõ, que vós naõ existis: outros, que vós naõ sois propria e rigorosamente o que aparece, quando vos querem mostrar: e outros, que vos conjurastes. Estes ultimos em vos conhecendo, certamente vos haõ de pedir perdaõ do testemunho, que vos levantáraõ.”
(Excerto do prólogo)
Exemplar desencadernado em bom estado geral de conservação. Aparado à cabeça. Apresenta leve decalque da fantasia das antigas brochuras na f. anterrosto e nas duas derradeiras folhas por acção da humidade.
Raro.
Com interesse histórico.
Peça de colecção.
A BNP possui apenas um exemplar registado na sua base de dados.
125€

16 fevereiro, 2018

LOPES, M. M. Ramos - CANTARES DO POVO MINHOTO. Região de Barcelos. Barcelos, [s.n.], 1997. In-4.º (23cm) de 36 p. (157-190, [2] pp) ; il. ; B. Separata de «Barcelos Revista» - 2.ª Série - N.º 8
1.ª edição independente.
Curioso trabalho de recolha de etnografia musical.
Ilustrada com duas fotogravuras (uma em página inteira) referente a imóveis da zona natal do autor.
Livro valorizado pela dedicatória autógrafa de Ramos Lopes.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse regional.
Sem indicação de registo na Biblioteca Nacional (BNP).
10€

15 fevereiro, 2018

REGULAMENTO PARA A INSTRUÇÃO TÁCTICA DA INFANTARIA. Segunda parte. Combate. 2.ª edição. Lisboa, Imprensa Nacional, 1916. In-8.º (17cm) de 71, [1] p. ; B.
Manual de Infantaria dedicado ao Combate, publicado por ocasião das manobras preparatórias do contingente do exército que viria a integrar o C.E.P., em França.
"O combate tem por fim quebrar a resistência do inimigo, impondo-lhe a nossa vontade pela fôrça das armas. O sucesso resulta do espírito de decisão, sólida disciplina e cooperação inteligente de todos os esforços para o fim comum, aliados a uma instrução técnica cuidada e bem orientada.
O combate da infantaria é rude e mortífero, especialmente no momento da decisão. Uma infantaria que, dotada de superior resistência moral e física, se lance a fundo numa luta enérgica, animada da firme vontade de vencer, conseguirá a vitória.
A infantaria é apta para combater em todos os terrenos acessíveis a um homem destro, de dia e de noite. É ela que toma, ocupa e conserva as posições inimigas. Nestas circunstâncias, só por seu intermédio se poderão obter resultados decisivos e só a infantaria poderá conduzir todas as fases dum combate.
No combate de infantaria, em ligação com outras armas, só a inteligente cooperação de todas poderá conduzir a resultados favoráveis e decisivos.
Segundo as circunstâncias do combate, a infantaria pode tomar formações em ordem unida ou dispersa. Esta última é, porém, a formação normal da infantaria num combate."
(excerto da introdução)
Matérias:
I - Preceitos gerais sôbre a instrução de combate da infantaria. II - Direcção do combate. III - Preliminares do combate. IV - Ofensiva: a) Princípios gerais. b) Combate de encontro. c) Ataque planeado. d) Ataques de noite. V - Defensiva. VI - Perseguição, rotura do combate, retirada. VII - Combate nos pontos de apoio: a) Princípios gerais. b) Povoações, casais, quintas e casas. c) Bosques. d) Desfiladeiros. e) Pontos notáveis do terreno. VIII - Solidariedade das armas na batalha. IX - Combate com as outras armas. X - Combate das diferentes unidades: a) Combate da companhia. b) Combate do batalhão. c) Combate do regimento. XI - Reabastecimento de munições.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos. Assinatura de posse na capa.
Raro.
Sem indicação de registo na BNP.
Indisponível

14 fevereiro, 2018

ANDRADE, Eugénio de & BARROS, Jorge - O COMUM DA TERRA. [Porto], Edições Asa, 1992. In-fólio (30cm) de 103, [3] p. ; mto il. ; E.
1.ª edição.
A poesia de Eugénio de Andrade, complementada pelas fotografias de Jorge Barros, deram corpo e alma a este belíssimo album de apurado sentido estético.
Edição especial, belissimamente ilustrada, impressa em papel Phoenix de 170 gramas.
O Comum da  Terra é a única obra do Poeta publicada com texto manuscrito.
Eugénio de Andrade (1923-2005). "Desenvolve a parte mais importante da sua obra no Porto, para onde foi viver relativamente jovem por razões profissionais. Recebeu diversas distinções e prémios nacionais e internacionais. Nasceu José Fontinhas, mas adotou o nome artístico de Eugénio de Andrade, nome pelo qual ficará conhecido. A sua vida começa no Fundão. Segue depois para Lisboa e Coimbra, antes de se fixar no Porto, como inspetor administrativo do Ministério da Saúde. O seu primeiro livro, “Adolescente“ foi editado em 1942, mas é “As mãos e os Frutos”, em 1948, que lhe dá grande visibilidade. Escreveu sempre ao longo da sua vida e publicou dezenas de livros, participando ainda em diversas antologias. Foi também autor de livros infantis e tradutor. Entre os autores que traduziu encontra-se Garcia Lorca. É também um dos poetas portugueses mais traduzidos. Entre outros foi-lhe atribuído o grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada e a Grã-Cruz da Ordem de Mérito, o Prémio da Associação Internacional dos Críticos Literários, O Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (da ex-Jugoslávia), o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Camões."
(Fonte: http://ensina.rtp.pt/artigo/um-biografia-de-eugenio-de-andrade/)
E
ncadernação editorial em tela com ferros gravados a seco e a cinza, e com aplicação manual de gravura na pasta frontal.
Invulgar e muito apreciado.
Exemplar em bom estado de conservação.
20€

13 fevereiro, 2018

KLARK, Blake - PEARL HARBOUR. (Relato duma testemunha ocular). Com um prefácio de Carlos Ferrão. Tradução de Estevam Reis. Lisboa, Editorial-Século, [194-]. In-8.º (19cm) de LXXX, 166, [2] P. ; [16] P. IL. ; E. Col. Os Grandes Documentos da Actual Guerra
1.ª edição.
Interessante narrativa coeva do ataque japonês à base americana de Pearl Harbor situada na ilha de O'ahu, Havaí, perto de Honolulu.
Valorizada com o extenso prefácio de Carlos Ferrão (72 pp.) que faz o balanço da guerra e aponta as razões diplomáticas entre aos dois contendores (EUA-Japão) que conduziram ao desfecho conhecido.
Ilustrada com fotografias a p.b. ao longo de 16 páginas extra-texto, reproduzindo o ataque e o caos instalado, observando-se diversos navios da esquadra americana em chamas.
"São 7:48 na ilha de Oahu, no arquipélago do Havai. O dia amanhecera encoberto, mas as nuvens estão a dissipar-se.
No ar há apenas três aviões de patrulha norte-americanos e nenhum deles foi enviado para Norte, pois o foco mais provável de um ataque japonês está a sudoeste, nas Ilhas Marshall.
O porto alberga, desde que as tensões com o Japão começaram a intensificar-se, a Esquadra do Pacífico, usualmente estacionada em San Diego, na Califórnia. Os couraçados Arizona, California, Maryland, Nevada, Oklahoma, Pennsylvania, Tennessee e West Virginia, estão concentrados na “Alameda dos Couraçados”. Como as águas do porto são pouco profundas, julgou-se que não seria viável o uso de torpedos largados de aviões, pelo que se prescindiu de proteger os navios com redes anti-torpedo. Muitos marinheiros estão de licença em terra – é fim-de-semana – e o mesmo fez um terço dos comandantes dos navios. As perspectivas de cerveja e de umas horas na companhia de havaianas simpáticas deixaram muitos navios com a tripulação mínima: a bordo do destroyer Alwin, por exemplo, há apenas quatro oficiais, todos com o posto de guarda-marinha e nenhum com mais de um ano de embarcado.
Em terra, nos aeródromos, o receio de sabotagem levou a que os aviões fossem parqueados o mais próximo possível uns dos outros, para facilitar a sua guarda.
Muitas das baterias anti-aéreas não dispõem de munições e as chaves das caixas onde estas são guardadas estão com os oficiais de dia. Boa parte dos canhões e metralhadoras anti-aéreas nem sequer está guarnecida.
De repente, a quietude matinal é quebrada pelo ruído de aviões a baixa altitude, um deles num voo tão rasante que um oficial americano, furioso, se esforça por distinguir o número de identificação do aparelho para apresentar queixa à sua unidade. Mas as bombas e os torpedos começam a cair e o equívoco desfaz-se: é a primeira vaga, de 183 aviões, de um ataque japonês. Uma hora depois, chega nova vaga, constituída por 171 aviões.
A segunda vaga não tem tarefa tão facilitada quanto a primeira: a base está agora plenamente desperta, há nutrido fogo anti-aéreo e o fumo dos incêndios causados pela primeira vaga dificulta a identificação dos alvos. Mas isso não impede os aviões japoneses de continuar a semear a destruição. Esgotadas as munições, também a segunda vaga empreende o regresso aos seis porta-aviões de onde tinha partido, a cerca de 400 Km de distância. Ainda não são dez da manhã."
(Fonte: http://observador.pt/especiais/pearl-harbor-o-dia-da-infamia-foi-ha-75-anos/)
"O drama de Pearl Harbor, narrado nêste livro com pormenores impressionantes, por uma testemunha que pôs no seu trabalho apenas um desejo firme de servir sinceramente a verdade, foi precedido de longas negociações diplomáticas conduzidas em Washington entre os delegados do Japão e dos Estados Unidos.
Na narrativa que a seguir publicamos, como prefácio apropriado à obra de Blake Clarck, descrevem-se, com a nitidez dos documentos autênticos sôbre os quais há de construir-se a história do nosso tempo, o que foram essas negociações, segundo uma versão americana autorizada que, como o leitor terá ocasião de apreciar, não perdeu nada do tom da imparcialidade e de independência que fez da intervenção dos Estados Unidos na guerra, depois do ataque a Pearl Harbor, um acto que teve a aprovação unânime do seu povo."
(Excerto do prefácio)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

12 fevereiro, 2018

MARTIN, Rudolpho - A GUERRA AÉREA. De Berlim a Bagdad. Traducção do Capitão Moraes Rosa. Lisboa, Typographia de «A Editora», 1912. In-8.º (19cm) de 234, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Curioso romance de ficção científica; premonitório, antecipa a guerra do futuro à escala mundial, propondo a conquista dos céus como factor decisivo para o desequilíbrio da contenda. Sobre a obra, não foi possível apurar qualquer informação bio-bibliográfica, mesmo em alemão, pelo que, é de considerar a hipótese do autor ser o tradutor.
"O livro que vae lêr-se é uma interessantissima phantasia alleman, em que o seu auctor - dispondo de uma imaginação digna de Julio Verne - e baseando-se nos assombrosos progressos da conquista dos ares, nos mostra o que será a guerra do futuro, quando os poderosos apparelhos da aéronavegação tenham definitivamente alcançado o seu completo exito. É incontestavel que a politica mundial soffrerá uma profunda modificação, quando o homem conseguir dominar em absoluto os ares como já domina os oceanos. Nêsse momento, a phantasia do auctor terá, certamente, alguns pontos verosimeis e realisaveis.
Por agora, o equilibrio europeu em nada será alterado com a publicação dêste livro, que tem tanto de interessante como de inoffensivo."
(Prefácio do tradutor)
"No primeiro dia de Janeiro de 1914, segundo o costume annual, realisou-se no palacio de Berlim a reunião dos generaes e dos almirantes vindos para apresentar ao imperador as suas felicitações pelo novo anno. Tambem, segundo o habito, a cordeal allocução do imperador aos seus officies generaes não deixou de entrar nos dominios da politica, abordando, desta vez, uma questão importante para a sua dynastia, para o Estado prussiano e para a nacionalidade alleman.
Eis o texto do seu discurso:
«Expresso-vos todo o meu reconhecimento pelos progressos reaes verificados em cada corpo do exercito, como em cada esquadra, e bem assim no dominio da navegação aérea, esse recente meio de guerra, da nossa potencia militar. Graças aos successivos aperfeiçoamentos, a navegação aérea toma, de dia para dia, um maior incremento. Pode desde já assegurar-se que ella não tardará a modificar em muitas coisas as condições de vida social dos povos; mas, durante algumas décadas ainda, a sua principal esphera de acção será no dominio militar. [...]
Encarreguei o meu chanceller de pedir ao Rheichstag o voto de um crédito extraordinario de um bilião de marcos para a nossa esquadra aérea. Trinta mil machinas voadoras extra-rápidas servirão para o transporte de trinta mil homens de infantaria; porque, no estado actual da sciencia aéronautica, não parece que os aéroestatos propriamente ditos possam antes de muito tempo attingir a velocidade das machinas mais pesadas do que o ar. Demais, Krupp está encarregado de construir mil machinas para a artilharia voadora. De maneira que, com o auxilio de quatrocentos trens-transporte do modelo Zeppelin, que estão em vias de acabamento, eu posso em uma noite - da meia noite ás três horas - despejar quatrocentos mil homens sobre a Inglaterra»."
(Excerto do Cap. I, O futuro da Allemanha reside nos ares)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado. Capas e lombada frágeis com falhas de papel nos cantos. Capa alvo de restauro tosco. Pelo interesse e raridade a justificar trabalho de restauro apropriado e encadernação.
Raro.
Indisponível

11 fevereiro, 2018

ENSILAGEM. Methodos Modernos. Tratado pratico sobre silos, sua construcção e processos de enchimento; noções exactas e completas sobre a Ensilagem e sua composição; alimentação e rações. Guia do creador e do industrial de lacticionios. Publicado por The Silver Manufacturing Co. Salem, Ohio, U. S. A. Traduzido por Diamantino Diniz Ferreira, Professor de linguas na Escola Nacional de Agricultura, proprietario, director e professor do collegio «Mondego» de Coimbra. Lisboa, Livraria Classica Editora-A. M. Teixeira & Com.ᵗᵃ, 1907. In-8.º (19cm) de XV, [5], 322, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Importante tratado sobre ensilagem, o primeiro que sobre este assunto se publicou entre nós, exceptuando talvez, uma curta dissertação inaugural sobre o mesmo tema apresentada por Teodoro van Zeller ao Conselho do Instituto de Agronomia e Veterinaria (1892).
Ilustrado ao longo do texto com desenhos, quadros e tabelas.
"Dar noções precisas e fidedignas sobre a construcção do silo e processos de ensilagem; demosntrar com dados positivos e seguros, baseádos no testemunho de auctoridades e no asserto das estações experimentaes, que o estabelecimento de uma granja para exploração de gados não póde ser completo sem que se comprehenda um ou dous silos: tal é o fim que nos propusemos com a publicação d'este livro, cujo assumpto explanaremos d'uma maneira clara, sem flôres de rhetorica nem vôos de imaginação.
Depois do ultimo capitulo inserimos um pequeno vocabulario de termos techicos, afim de que um livro d'esta natureza possa mais facilmente ser comprehendido por todos os leitores."
(Prefácio)
"Poucos lavradores sabiam ha vinte annos o que era um silo e menor ainda era o numero dos que tinham visto um silo ou alimentado o seu gado com silagem.
Hoje os silos são tão vulgares como os celleiros, em muitos districtos agricolas da America e milhares de lavradores abandonariam a lavoura se não pudessem obter silagem para o seu gado, durante a maior parte do anno."
(Excerto da introdução)
Quadro das materias:
I - Vantagem do silo. II - Construcção dos silos. III - Plantas próprias para ensilagem. IV - Ensilagem. V - Alimentação do gado pela ensilagem. VI - Guia do creador de gado.
Exemplar brochado em bom etstado de conservação. Contracapa apresenta pequenas falhas de papel.
Raro.
A BNP tem apenas um exemplar recenseado na sua base de dados.
20€
Reservado

10 fevereiro, 2018

ANDRADE, Eugénio de - PEQUENO CADERNO DO ORIENTE : NOTEBOOK OF THE ORIENT. Desenhos - Illustration: Carlos Marreiros. Macau, Instituto Camões, Instituto Cultural da R. A. E. de Macau, Instituto Português do Oriente, 2002. In-fólio (30cm) de [8], 106], [2] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição independente. Primeiramente publicado no n.º 18, II Série, 1.º trimestre de 1994, na Revista de Cultura (Macau).
Tiragem: 1000 exemplares.
As poesias, apontamentos e prosas poéticas deste "Pequeno Caderno do Oriente" foram escritos em Macau pelo poeta Eugénio de Andrade, durante uma visita de alguns dias a Macau e à China, em Outubro de 1990.
Carlos Marreiros fez as ilustrações para a edição deste "Caderno" especial da RC, em Novembro de 1993.
Bonita edição trilíngue (português/inglês/mandarim), impressa em papel de qualidade extra, e superiormente ilustrada a sépia ao longo das páginas do texto.
Sumário:
- Camilo Pessanha, o Mestre. - Ofício de Paciência. - Jardim de Lou Lim leoc. - As Pedras. - Pedro Profunda. - As Montanhas Verdes. - Templo da Barra. - Canto Solar. - Balança. - Em Defesa de Camões. - Aproximação de Coloane. - O Nome na Água.
"Sempre tive Camilo Pessanha como exemplo da mais alta ascese poética; digamos, um homem da raça de Baudelaire, ou de Kavafis. Pessoa, Pessanha, Cesário, Camões - e agrada-me citá-los assim a contrapelo - foram sempre para mim os nomes supremos da poesia de língua portuguesa. [...] Mas de todos eles, creio que só a Camilo Pessanha amei em segredo como mestre."
(excerto de Camilo Pessanha, o Mestre)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar e muito apreciado.
20€

09 fevereiro, 2018

OS CRIMES DA FORMIGA BRANCA. Confidencias veridicas e sensacionaes d'um Juiz de Investigação. Publicação semanal em folhetos de 16 paginas. Editor, J. Diogo Peres. Lisboa, Lamas & Franklin, Suc., 1915. In-8.º (21,5cm) de 16 p. ([3], 36-48 pp.); il.
1.ª edição.
Raro folheto - o 3.º de cinco publicados -, sobre a temível milícia de arruaceiros, polícia política não declarada, na sua maioria constituída por carbonários às ordens de Afonso Costa. O presente número é dedicado à morte do 1.º sargento Pereira.
Ilustrado no texto com desenhos de belo efeito e fotogravuras com os retratos do malogrado sargento, e de um seu amigo, o merceeiro Sousa Pereira.
Sobre o conjunto da obra (5 vols), e com a devida vénia pelo magnífico trabalho publicado por Rita Correia na Hemeroteca Municipal, da CML, com data de 9 de Julho de 2014, reproduzimos alguns excertos. (Recomendamos a leitura integral - v. link infra).
"Nascido para difamar, o que faz deste folheto um pasquim, pouco revela sobre a sua identidade e a dos seus promotores. Aparentemente, isto é, tomando como verídicas as informações que ostenta em capa, bem como a data do editorial presente no primeiro número, «2 de Fevereiro de 1915», terá aparecido em Lisboa, pouco tempo depois. Como se afirmava uma «Publicação semanal em folhetos de 16 páginas» e apenas saíram 5 números, a sua existência não terá ido além do mês de março. Nesse breve período, o pasquim teve três editores diferentes, sobre os quais não se encontrou qualquer notícia biográfica ou referência bibliográfica: J. Rocha Júnior, que depois de associar o seu nome aos dois primeiros números pediu escusa do cargo; J. Diogo Peres, que assumiu o terceiro; e Victor Alcantara, que se responsabilizou pelos dois últimos números. O «juiz» manteve a sua identidade na sombra, assim como o(s) ilustrador(es) que colaboraram na produção do pasquim (n.º 2, 3 e 4). Parece(m) ser artista(s) da escola moderna. Também se publicam as fotografias dos rostos de algumas vítimas e de formigas.
Cada número fazia relato dos meandros de um «crime», mas se a extensão da trama exigisse prolongava-se pela edição seguinte. Não há qualquer rigor na informação prestada. Os crimes não eram sequer fixados no tempo. É evidente que o objetivo da publicação era difundir uma imagem criminosa da Formiga Branca e, simultaneamente, estabelecer a sua ligação ao Partido Republicano Democrata e denunciar a identidade dos seus membros, dos mais populares aos líderes. Para apontar os primeiros recorria-se a alcunhas, a profissões e a nomes de estabelecimentos em Lisboa, que seriam, eventualmente, reconhecidos na época, se a imprensa já se tivesse encarregado de os popularizar, mas que hoje são difíceis de identificar como: «o Borges das Bombas» , «o Alfredo côxo, interprete dos hotéis e faquista», «o barbeiro da Ribeira Nova, chamado Martins, conhecido pelo Cabeça de Elefante», «o Marques da tabacaria», estabelecimento na rua do Ouro, «o José Simões mercieiro da rua dos Retrozeiros» e muitos outros. Já os “magnates da formiga” não oferecem dúvidas: Afonso Costa ou o «Ligorio, Affonso VII», «o famoso Governador Daniel Ramires» (Daniel José Rodrigues, 1877-1951, governador civil de Lisboa em 1913-14), «o irmão do governador o doutor Rodrigo Ramires» (José Rodrigo Rodrigues, 1899-1863, foi ministro da Justiça no governo de Afonso Costa), «o coronel Correia Barreto» (António Xavier Correia Barreto, 1853-1939, foi ministro da Guerra no governo de Afonso Costa), o «artilheiro Pala» (José Afonso Pala, 1861-1915) ou o «deputado alegre» (Manuel Ribeiro Alegre, 1881-1940), etc., etc. […]
Ora, embora a publicação d’ Os Crimes da Formiga Branca tenha ocorrido no início de 1915, as suas denúncias reportam-se a casos ocorridos nos anos 1912-1913, ou seja, no período sobre o qual incidiu a sindicância realizada pelo Senado. O primeiro número, com o título de «prólogo», foi ocupado com uma apresentação da publicação e uma narrativa iniciática, que recria para o leitor o ambiente de uma «Sessão Secreta». O número seguinte trata do assassinato político do 2.º tenente da armada, Alberto Soares, a 9 de julho de 1912, no átrio do Hotel Francfort, em Lisboa, onde procurava escapar à fúria de um grupo de populares (carbonários?) que o tinham por monárquico e o relacionaram com a explosão de bombas na Costa do Castelo, que se dera naquela tarde. O terceiro número recria outro caso ocorrido na capital − «A morte do 1.º sargento Pereira da Rua Vitor Cordon» −, que não se conseguiu identificar na imprensa. O quarto número, ocupou-se do «complot da praia da Maçãs», que visava atentar contra a vida de Afonso Costa e que a Formiga Branca fez abortar, ocorrido a 23 de setembro de 1913. Finalmente, o ultimo número centrou-se n’ «O assalto ao Tribunal de Santa Clara (chacina frustrada)», onde foram julgados, por conspiração, Carlos Lopes, Carlos Alçada e José Casimiro, em março de 1913. Curiosamente, ao iniciar o seu relato, e como quem evoca uma autoridade, o nosso «juiz» fez questão de informar que o caso fora tratado por seu amigo «num artigo publicado no «Intransigente», em agosto de 1913». Trata-se do diário fundado dirigido por Machado Santos, republicano e adversário “figadal” de Afonso Costa. […]
Para concluir, resta afirmar que Os Crimes da Formiga Branca foi folheto característico de um tempo tumultuoso. Não resta dúvida, de que foi bateria apontada ao Partido Democrata, colocada em terreno “secreto”, e que procurava instigar paixões tão violentas quanto as que dizia denunciar. Contribuiu, como muitas outras publicações, para a estabelecer uma ideia mítica da “Formiga Branca”."
(in http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/FichasHistoricas/OsCrimesdaFormigaBranca.pdf)
"Cêrca das seis da tarde dêsse dia de verão, seguia o agente Rapoza pelo Chiado, farejando uns e outros pois lhe constára que a formiga qualquer cousa preparava de anormal, quando a meio da rua se encontrou com um seu amigo intimo da policia, o agente Tava, que como ele se interessava pelos manejos da celebre associação.
- Há alguma novidade? interrogou o Rapoza, cofiando as guias pastosas do seu bigode alourado.
- Creio que sim e d'arromba. Imagina que, quando ha pouco passava pela rua de Victor Cordon, deparei com um pardal lá da tropa, em coloquio animado com o mercieiro Sousa Pereira. A presença do gajo ali deu-me que pensar e entrei na mercearia onde pedi uma caixa de fosforos.
- E quem era esse tal tropa? - interrogou curiosamente o Rapoza.
- Um certo tenente Carrilho que é um formigão dos mais façanhudos. A presença pois do gajo na loja do Sousa, surpreendeu-me, e vaes vêr, meu velho, que não teve que arrepender-me da minha idéia.
- Conta... conta...
- Quando entrei, dizia o tenente ao sargento em tom de censura: - Dizem que você é um grande thalassa e que apregâ p'rá'hi, que lhe repugna servir a Republica e ia pedir a sua demissão."
(excerto de A morte do 1.º sargento Pereira)
Exemplar em bom estado de conservação. Sem capas.
Raro.
15€

08 fevereiro, 2018

LEONARDO, José - ESTÓRIAS DE CLAUSURA E OUTROS PEQUENOS ESPAÇOS. Lisboa, Oficina do Livro, 2001. In-4.º (23cm) de 168 p. ; B.
1.ª edição.
Curiosa obra de ficção científica. Trata-se de um conjunto de contos fantásticos, cuja acção decorre em condomínios habitacionais futuristas - espaço de vida que os liga entre si.
"Estas são 14 estórias surpreendentes. Embora autónomas, estão umbilicalmente ligadas pois todas elas têm lugar no mesmo espaço imaginário - a Cidade planetária, os seus Condomínios gigantescos, claustrofóbicos, labirínticos -, metáfora inquietante de um mundo desumano, que bem pode ser o nosso."
(Excerto da apresentação)
"O mundo tornara-se uma vasta Aldeia Global. As comunidades humanas, a Cultura, o Conhecimento, a urbanização, a economia deixaram de ter existência local e limitada e ascenderam ao estádio de globalidade e interdependência totais - a borboleta que batesse asas no Pólo Norte não passaria despercebida nem deixaria de ter efeitos no Pólo Sul.
O crescimento demográfico imparável tornara efectivo o fenómeno da conurbação das cidades. Formara-se virtualmente uma única cidade à escala planetária - a MegaCity -, composta por Condomínio Habitacionais, gigantescas estruturas completamente estanques e fechadas ao exterior poluído e degradado, tornado-se verdadeiros casulos protectores para muitos milhões de seres humanos. Apesar de ligados entre si por uma intrincada rede de comunicações, cada Condomínio vivia voltado sobre si mesmo, funcionando autonomamente."
(Excerto do prólogo)
Sumário:
Prólogo. I - O Invento. II - O Grito. III - A Tribo. IV - O Problema. V - O Reality Show. VI - Desequilíbrios. VII - A Conversa. VIII - O Jogo. IX - A Mosca. X - O Outro. XI - A Sala. XII - Luz e Trevas. XIII - A Perseguição. XIV - O Visitante. Glossário.
José Leonardo (n. 1971)- "Nasceu em 1971 na vila de Odemira. Licenciado em Antropologia e com uma especialização em Ciências Documentais, foi professor de Português, História e Geografia, assistente comercial numa empresa de transportes urgentes, jornalista do diário 24Horas e colaborador do quinzenário regional Sudoeste. Actualmente, dirige a Biblioteca Municipal de Rio Maior. Aos 13 anos publicou a sua primeira estória na revista Correio Juvenil. Mais tarde, vários dos seus textos foram incluídos no suplemento "DNJovem" do Diário de Notícias. Em 2001, lança uma colectânea de contos, Estórias de Clausura e Outros Pequenos Espaços. O Vizinho do Lado é o seu segundo livro."
(Fonte: wook)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Esgotado.
10€