19 agosto, 2017

DESENHOS DE RAEMAEKERS : o celebre artista hollandez. Londres, National Press Agency Limited, 1916. In-4.º (24,5cm) de 40 p. il. ; B.
1.ª edição.
Livro publicado em Londres, completamente ilustrado com desenhos alusivos à Grande Guerra por Louis Raemaekers, conhecido pintor holandês, cartoonista do jornal De Telegraaf durante o conflito.
Louis Raemaekers (1869-1956). Pintor e cartoonista holandês. Após os alemães invadirem a Bélgica, Raemaekers tornou-se numa voz incómoda e acérrimo crítico do belicismo alemão. Incentivou as autoridades holandesas a abandonar a neutralidade e a tomar partido na guerra ao lado dos Aliados. Os seus desenhos e cartoons ridicularizavam o Kaiser, comparando-o a Satanás, e mostraram a brutalidade alemã na Bélgica, tendo o seu trabalho sido censurado pelo governo holandês por pressão das autoridades alemãs.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas oxidadas.
Invulgar.
20€

18 agosto, 2017

MARIA, F.ᴿ Theobaldo de Jesu - AGRICULTOR // INSTRUIDO // COM AS PREVENC,OENS // necessarias para os annos futuros, // RECUPILADO DE GRAVES AUTORES, // E dividido em tres partes, na primeira se tra- // ta das sementeiras, virtudes das sementes, e // de como se prezervaraõ da corrupaçaõ; na se- // gunda dos arvoredos, e vinhas; Breve Tra- // tado da Cultura dos Jardins; na terceira // de todo o gado maior, e menor, e mais ani- // maes domesticos, suas virtudes, e cura de // suas infirmidades, e das colmeas. Etc. // PELO P. M. ... LISBOA. // Na Offic. de LINO DA SILVA GODINHO. // ANNO M. DCC. LXXXX. [1790] // Com licença da Real Mesa da Commissaõ Geral // sobre o Exame, e Censura dos Livros. // Foi taixado este Livro em Papel a du- // zentos réis. Meza 4 de Novembro de 1790. // Com tres rubricas. In-8.º (15cm) de 171, [1] p. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual agrícola setecentista. Inclui um interessante "Breve Tratado da cultura dos jardins, em que se trata da variedade das Flores, com que se ornaõ os Jardins, e Quintaes", e um capítulo dedicado à apicultura.
"He a terra, segundo todos os Naturaes, hum dos quatro Elementos, á qual pelos grandes, e continuos beneficios, que della recebemos, chamamos mãi; ella de sua natureza he fria, e secca; e se algumas vezes naõ está assim, he por causa de algum accidente, que a muda.
As terras, ou saõ fortes, grossas, e muito boas; ou saõ de todo estéreis, e infructiferas: os saõ medianamente boas, ou más: ou saõ muito quentes, ou frias por participaçaõ do ar, ou temperadas por participarem de ares temperados.
As terras, que saõ em extremo seccas, ou húmidas, cálidas, ou frias; saõ inuteis para a producçaõ dos fructos, e sementeiras, e o cultivallas será trabalho perdido: como o he os Medicos o curarem enfermidades incuraveis."
(LIVRO PRIMEIRO, Cap. I, Da eleiçaõ das terras para as sementes fructificarem bem)
Encadernação inteira de carneira com dourados na lombada.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Trabalho de traça, a partir do último terço do livro, no pé e à cabeça; por vezes, afectando as duas últimas linhas, com pouca expressão no entanto.
Raro.
25€

17 agosto, 2017

RODRIGUES, Con. António dos Reis - A FISIONOMIA ESPIRITUAL DO CHEFE MILITAR. [Pelo]... Tenente-coronel capelão. [Lisboa], [Comissão Cultural da Academia Militar], 1961. In-8.º (22cm) de 22, [2] p. ; B.
Curioso opúsculo sobre as responsabilidades de comando do chefe militar, publicado na sequência do início das hostilidades da Guerra do Ultramar.
"O oficial do Exército é, por essência, um chefe, quer dizer, um homem encarregado de conduzir outros homens para a realização de uma grande tarefa colectiva. Esta ideia encerra tudo o que podemos dizer àcerca das suas obrigações morais, do modo como se há-de comportar dentro do Exército para bem se desempenhar das pesadas responsabilidades que lhe cabem."
(excerto do Cap. I)
Matérias:
I. O oficial do Exército - chefe militar. II - O chefe militar primeiramente vê, isto é, conhece. III - O chefe militar resolve. IV - O chefe militar impulsiona.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Edição de 1961, sem registo na BNP.
10€

16 agosto, 2017

SCOTT, Sir Walter - KENILWORTH. Novella de..., traduzida Por A. J. Ramalho e Sousa. Tomo I [II; III; IV]. Lisboa, Typographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis, 1841-1842. 4 vols In-8.º (15cm) de XIX, [3], 239, [3] p. (I), 316, [4] p. (II), 298, [4] p. (III) e 269, [13] (IV). ; E.
1.ª edição.
Romance histórico cuja acção se desenrola no século XVI, durante o reinado de Isabel I de Inglaterra, que descreve a trama que levou à morte Amy Robsart às mãos dos esbirros do marido, Robert Dudley - 1.º Conde de Leicester -, o favorito da rainha.
O primeiro volume apresenta um prefácio preliminar que ocupa as 13 primeiras páginas com dados históricos recolhidos pelo autor, importante manancial para a elaboração do romance.
"Roberto Dudley, conde de Leicester, homem de bello parecer, e de mui distincta presença, era grande valido da rainha Izabel: pensava-se, e geralmente se dizia que se fosse solteiro ou viuvo, a rainha o tomaria por marido. Com este intento, e para se livrar de todos os obstaculos, Dudley ordenou, ou talvez, com lisongeiras supplicas, resolveu sua mulher a que se retirasse para casa de Antonio Foster, que então vivia na sobredita mansão, [casa anexa a um convento anteriormente pertença dos monges de Abington]. Insinuou igualmente a sir Ricardo Varney, (primeiro motor d'este designio) que apenas elle Varney chegasse a esta aldeia, buscasse avenerar a condessa [sua mulher], e que se o veneno não produzisse effeito, cumpriria lançar mão de outro meio para acabar com ella. Este facto foi provado, segundo parece, pela exposição do doutor Walter Bayly - algum tempo membro do Collegio Novo - então residente em Oxford, e professor de medicina n'esta universidade; o qual, por não ter querido consentir no avenenamento da condessa, foi objecto das perseguições do conde de Leicester, que buscou indispô-lo na corte."
(excerto da introdução)
"Aos novelleiros coube o privilegio de encetar a sua historia por uma estalagem, paradeiro commum de todos os viandantes, em que o humor de cada qual sem ceremonia se dá largas. Onde melhor veniaga faz tal privilegio, é quando a scena acerta de se passar nas antigas eras da jovial Inglaterra, epoca em que os viandantes eram, de alguma sorte, não só os inquilinos, mas tambem os comensaes e companheiros temporarios do estalajadeiro; personagem de ordinario dotada de franqueza pouco vulgar, de acolhimento affavel e de genio prasenteiro. [...]
No decimo oitavo anno do reinado de Izabel d'Inglaterra, a aldêa de Cummor, arredada quatro milhas de Oxford, blazonava de possuir uma estalagem ao modo antigo, administrada ou antes governada por Gil Gosling, homem de aspecto galhofeiro, barriga um pouco arredondada, de cincoenta e tantos de idade... [...]
Foi na casa administrada por este modêlo dos estalajedeiros, que ao cerrar da noite se apeou um caminhante, entregou ao moço da cavalhariça o cavallo, que parecia ter feito grande jornada, e travou o colloquio seguinte com o moço do bello Urso Negro.
«Olá, John Tapster!»
«Prompto, Will Hostler,» respondeu o homem do espicho, mostrando-e em colete desabotoado, calções de brin e avental verde, com ametade do corpo fóra e outra ametade dentro de uma porta que parecia ir dar a uma adega exterior.
«Está aqui um cavalleiro, que perguntou se tens boa cerveja,» e continuou o moço da estrebaria.
Mal por mim se assim não fôra,» replicou o tapster; «porque d'aqui a Oxford são apenas quatro milhas." [...]
A chegada do passageiro fez com que os circunstantes o observassem com a especie de attenção costumada em taes occasiões: e o que de si deu a observação, ei-lo aqui: - o caminhante era um d'aquelles homens dotados de boa presença, e de feições em que nada se enxêrga desagradavel, mas que entretanto apresentam o que quer que seja que, ou pela expressão da fisionomia, ou pelo metal da voz, ou, em fim, pelos ademanes e garbo, faz que hajâmos nossa repugnancia em tratar com elles. Inculcava no aspecto audacia, mas não franqueza; e parecia desde logo demandar acatamento e respeito, como se temesse que a isso lhe faltassem, se immediatamente o não exigisse como obrigação. Estava coberto com um capote de jornada, debaixo do qual se via um bello gibão cheio de passamanes, e apertado com um cinto de pelle de bufalo, donde pendia uma espada e um par de pistolas."
(excerto do Cap. I)
Exemplares em bom estado de conservação. Encadernações coevas em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada, apresentando nos volumes I e II parte da charneira aberta, mantendo-se no entanto muito sólidas. Rubrica de posse antiga na f. rosto dos 4 vols.
Obra rara.
Sem registo na Biblioteca Nacional.
30€

15 agosto, 2017

CARVALHO, Fernando Tavares de - PERANTE MIM, O NOTÁRIO DA COMARCA... (Notas à margem da nota). Lisboa, [s.l. - imp. Oficinas Gráficas Casa Portuguesa], 1945. In-8.º (21cm) de [2], 326, [8] p. ; B.
1.ª edição.
Reflexões do autor acerca do trabalho e da carreira notarial.
Valorizado pela sua dedicatória autógrafa ao Prof. Dr. Manuel Rodrigues, professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e Ministro da Justiça durante o regime do Estado Novo. Mais tarde, crítico da permanência de Salazar no poder, seria "remodelado" (1940).
"Durante o almôço que o Sr. Presidente do Conselho, Doutor António de Oliveira Salazar, ofereceu, aos 5 de Setembro de 1940, em sua própria casa, aos chefes de todos os serviços do Ministério das Finanças, por ocasião da sua substituição, na respectiva pasta, pelo Prof. Dr. João Pinto da Costa Leite (Lumbrales) (num gesto de altíssima delicadeza moral que em mim só radicou, mais e melhor, a admiração cada vez mais profunda que por êle sinto), dirigiu-se êle aos seus convidados num breve discurso, em que, apesar de breve, não deixa de repercutir-se o timbre de uma invulgar penetração das realidades.
Numa dessas passagens, afirmou o Sr. Presidente do Conselho:
«O burocrata é, no simplismo e também por vezes na justeza dos juízos populares, o homem inútil que se compraz em multiplicar as formalidades, encarecer as pretensões, amortalhar em papéis os interêsses, embaraçar os problemas com as dúvidas, atrasar as soluções com os despachos, obscurecer a claridade da justiça em nuvens de textos legais, ouvir mal atento ou desabrido as queixas e as razões do público que são o pão, ou o tempo, ou a fazenda, ou a honra ou a vida da Nação perante o Estado e a sua justiça; trabalhar pouco, ganhar muito e certo; sem proveito e utilidade social, parasitàriamente, sorver como esponja o produto do suor e do trabalho do povo.»
Perante a realidade viva dêste elemento parasitário das nossas repartições, não me restam infelizmente dúvidas de que em burocratas dêste figurino se tornarão os notários, se a evolução do notariado continuar a manifestar-se como até aqui."
(excerto de Serão funcionários públicos os notários, Cap. 6)
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capas "empoeiradas".
Invulgar.
15€
Reservado

14 agosto, 2017

G. C. - OITO DIAS NO MINHO. Lisboa, Typographia da Papelaria Palhares, 1902. In-8.º (19cm) de 308 p. ; E.
1.ª edição.
Interessante obra dedicada ao Minho e a duas cidades da Galiza - descritiva e repleta de evocações históricas -, resultado do périplo turístico empreendido pelo autor que depois verteria para livro as suas impressões de viagem. Assinada com as iniciais "G. C.", a sua autoria é atribuída pela Biblioteca Nacional a Joaquim Guilherme da Costa Caldas.
"Todos os relogios bem regulados marcavam quatro horas e quinze minutos, quando, na tarde de um sabbado, eu transpunha a porta que dá ingresso á gare do Rocio.
Estava dado o primeiro passo. Não era já o sujeito ignorado, que tem quotidianamente o seu caminho entre o Monte Olivete e o Pote das Almas, era o touriste, com a pose de quem vae fazer uma digressão pelo Alto Minho, e mais ainda, pelo estrangeiro, embora esse estrangeiro fosse reduzido a uma parte minima da vizinha Hespanha - Tuy e Vigo."
(excerto de A Partida)
Matérias:
I - A Partida. II - Barcellos. III - Vianna e Ponte de Lima. IV - De Vianna a Caminha. V - Caminha. VI - Valença. VII - Tuy. VIII - Vigo. IX - De volta a Valença. X - Monsão. XI - Arcos e Ponte da Barca. XII - Em Braga. XIII - Guimarães. XIV - Visella. XV - Ovar. XVI - A volta.
Belíssima encadernação em meia de pele com nervuras e ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Ausência(?) de f. em branco que precede a f. anterrosto(?).
Raro.
Com grande interesse regional.
A BNP tem apenas um exemplar registado na sua base de dados.
50€

13 agosto, 2017

O GEREZ, estância de cura, de repouso e de turismo : 1929. Pôrto, Composto e impresso na Tipografia Marques, 1929. In-4.º (24cm) de 56 p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Apreciada monografia sobre o Gerês - a serra, as termas e as suas belezas naturais. Impressa em papel de superior qualidade e muito ilustrada com bonitas fotogravuras em página inteira.
"As águas medicinais mais valiosas da Europa na serra mais formosa de Portugal, - eis a definição do Gerez.
Já decerto os romanos aqui assentaram arraiais, fundando uma pequena povoação, que veio a dar o seu nome a toda a cordilheira. [...]
Mas vieram os bárbaros, e com eles o esquecimento dos preceitos scientíficos prégados pelos homens de Roma, ao mesmo tempo que outras estradas se abriam, menos íngremes e de melhor piso. O Gerez, então, decaiu por completo. Mas não foi inteiramente esquecida a eficácia das suas águas. Os poucos hepáticos e reumatizantes que se davam ao incómodo de subir a serra, e lá permanecer por algumas semanas, continuavam a apregoá-la. Já então o povo luso se havia convertido ao Cristianismo. E como ninguém soubesse explicar - quási como hoje ainda - os efeitos portentosos do tratamento gereziano, fatal seria que a ânsia de explicação, latente em todas as almas simples, apelasse para o sobrenatural."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação, com excepção das capas que se apresentam soltas com defeitos e falhas de papel.
Invulgar.
10€

12 agosto, 2017

SILVA, Rodolfo Xavier da – CRIME E PRISÕES. Por… Médico-Director da 1.ª Secção do Instituto de Criminologia, Assistente do Instituto de Medicina Legal de Lisboa. 2.ª Edição. Lisboa, Livraria Depositária Ailaud e Bertrand [Composto e Impresso nas Oficinas da Cadeia Nacional de Lisboa], 1926. In-4.º (24cm) de 294 p. ; [1] f. il. ; il. ; B.
Reflexões do autor sobre o crime, as suas causas e o cumprimento das penas. Trata-se de um importante estudo socio-antropológico sobre a população prisional e o sistema prisional.
Ilustrado com 47 desenhos e fotogravuras no texto.
Livro muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. Joaquim Fontes.
“Ninguém está livre de cometer um crime.
A dureza desta arrojada afirmativa, sob uma rápida análise, vai, certamente, explodir como uma bomba no lar do burguês austero ou no da dama honesta e de irrepreensível educação. Mas a esses, que nos possam olhar com um sorriso, ao mesmo tempo compassivo e irónico, diremos que à arrogância do seu critério, à frouxa observação do seu lorgnon, responderá a irrefutabilidade da nossa asserção.
Volvida e revolvida a frase, ela permanecerá inflexível como se fôra uma lei. É tão positiva e palpável a sua verdade, que escalou já os domínios da filosofia popular, sintetizada e consagrada nes’toutra expressão de bem mais fácil alcance: «no melhor pano cai a nódoa».
No entanto precisamos ponderar que a prática do crime é favorecida pela oportunidade e por condições especiais, na dependência de múltiplos e variados factores, como podem ser, entre outros, a idade, o temperamento, a instrução, a educação, o meio, as condições económicas e psicológicas do seu agente, etc.
Necessário será também o expor que há nítida diferença entre um crime primário acidental ou ocasional e aquele que é perpetrado por um delinquente habitual, onde quase sempre pode marcar-se um predomínio ou acentuação da maldade, do cinismo, da perversidade.”
(excerto do Cap. I)
Matérias:
PRIMEIRA PARTE
O Crime: I - Crime e castigo. II - Génese do crime. III - Agentes do crime. IV - Prática do crime: A arte de furtar; Burlões e gatunos de expedientes; Gatunos de golpe; Gatunos de arrombamento, escalamento ou chaves falsas.
SEGUNDA PARTE
Prisões: V - As prisões portuguesas. VI - Linguagem das prisões. VII - Vida prisional. VIII - A tatuagem das prisões. IX - Literatura nas prisões. X - Trabalho prisional.
Rodolfo Xavier da Silva (1877-1955). “Licenciado em 1905 pela Escola Médico-Cirúrgica, foi médico e professor no Instituto de Medicina Legal. Co-organizou o Arquivo Geral do Registo Criminal, tendo ascendido a Director do Instituto de Crimonologia. Ocupou o cargo de Governador Civil de Lisboa em 1917 para, em 1919, tomar assento na Câmara de Deputados. De 30 de Março a 28 de Junho é Ministro dos Negócios Estrangeiros, pasta que irá ocupar de novo entre 20 e 26 de Junho de 1920. Regressou, depois de uma passagem por Moçambique, para assumir a pasta do Trabalho, entre 6 Julho a 22 de Novembro de 1924. Ministro da Instrução, no governo de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925.”
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas em mau estado, com alguns rasgões e pequenas falhas de papel. Pelo interesse e raridade a justificar trabalho de restauro.
Invulgar.
25€
Reservado

11 agosto, 2017

MÂNTUA, João - O CANTO CORAL NA ESCOLA. Conferência realizada, em 25 de Abril de 1937, no Cinema Stadium do Sport Algés e Dáfundo, promovido pela sua Comissão Cultural com o concurso gracioso do Grupo Coral do Asilo de S. João, sob a regência do Professor e Maestro Alfredo Mântua. Lisboa, [s.n.], 1939. In-8.º (20cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Prelecção em defesa da música nas escolas como pólo dinamizador de cultura (e divulgação ideológica), na sequência da criação da Mocidade Portuguesa, em 1936.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor ao Prof. Dr. Joaquim Fontes.
"A Cultural de hoje, feita por crianças, é todavia a demonstração de que se pode fazer em matéria de Canto Coral quando há a insuflar vida ao seu ensino o apostolado do professor, aliado a uma enorme dedicação e a uma grande competência. [...]
Iniciar o ensino do Canto Coral não nos parece fácil tarefa. A primeira dificuldade a vencer, e não pequena, é a canção.
A canção portuguesa é na sua enorme maioria exclusivamente amorosa. «Se o português tem sempre quartos para alugar no seu coração». [...]
A canção infantil deve ser, nos parece, a fusão primorosa das qualidades mais nobres da natureza humana - o sentimento e o pensamento. [...]
Tendo, como ponto de partida, a própria vida da criança, da criança que salta, corre, brinca, se agita, se cria e se educa, determinada pelos seus centros de interêsses, deve tender a dar-lhes breves noções, leves conceitos morais; desenvolver-lhe o amor à Família e à Terra que lhe foi berço; aumentar-lhe e imaginação imitadora e criadora, sugerindo-lhe o descritivo com a própria música; educar-lhe os gestos e as boas maneiras, com jogos e danças, que a sua enorme exuberância de vida continuamente reclama e exige."
(excerto da conferência)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro e muito curioso.
Com interesse para a história da propaganda do Estado Novo.
15€

10 agosto, 2017

OLIVEIRA, JUNIOR, Duarte d' - O JARDIM NA SALA. Por... Redactor do Jornal de Horticultura Pratica. Socio correspondente da Real Associação de agricultura e botanica de Gand e da Associação de arboricultura da Belgica. Porto, Typ. de Bartholomeu H. de Moraes, 1876. In-8.º (20cm) de 306, [6] p. ; [1] f. il. ; il. ; E.
1.ª edição.
Curioso manual de horticultura oitocentista. Ilustrado com inúmeras gravuras nas páginas de texto, e com o retrato do autor em separado.
"Se quereis saber o que são affeições, é tractar de flores.
Ellas pagam nos perfumes, no colorido das petalas e na frescura da folhagem, os nossos carinhos, mas se lhes negaes o mimo, a assiduidade do tractamento, se as privaes da agua e da luz, se as deixaes emfim ao abandono, vel-as-heis tristes, desfallecidas, mortas, e a sua morte será o vosso desespero e a accusação que vos dirigem.
O amador de plantas deve ter um coração de mãe, um sentimento apurado, uma intuição da natureza. Cada planta é um filho. É preciso velar pelo seu destino, acompanhal-a desde o berço, sorrir-lhe todos os dias, observar o seu desenvolvimento.
É, pois, dever de qualquer amador o possuir tudo o que fôr necessario, não só para a conservação da planta, mas para a sua reproducção. A horticultura tem hoje um arsenal variado, e entre os diversos instrumentos que a industria horticola tem inventado, deve mencionar-se em primeiro logar o estufim ou estufa pequena."
(excerto de O jardim na sala)
José Duarte de Oliveira Júnior (1848-1927). Escreveu no Jornal de Horticultura Prática. "Os primeiros números da publicação apresentam-no simplesmente como redactor; mas, com o passar dos anos, vão alastrando os títulos debaixo do nome: membro de umas tantas academias, sócio correspondente de umas quantas sociedades. Uma rápida pesquisa na Porbase indica-o como autor de meia dúzia de brochuras - sobre araucárias, sobre a filoxera e o vinho do Porto, e até sobre pomologia. Além dos muitos escritos seus que há no JHP, outros esporádicos apareceram no Jornal Hortícolo-Agrícola (1893-1906) e n'O Tripeiro (fundado em 1908). A vivacidade e o saber dos textos de Oliveira Júnior no JHP tornam imperativo conhecer a sua vida e formação, que têm algo de surpreendente. Nasceu em Outubro de 1848 na freguesia da Vitória, no Porto, filho de um próspero comerciante de panos estabelecido na rua dos Clérigos; o pai mandou-o educar-se em Inglaterra - e, embora não seja de supor que o jovem tenha descurado os estudos úteis ao comércio, quando regressou a sua vocação era decididamente outra, como dá conta Alberto Pimentel em O Porto há trinta anos (Livraria Universal de Magalhães & Moniz, Editores, Porto : 1893): «A floricultura era considerada um capricho de imaginações romanescas. Toda a gente se admirou de que o snr. Oliveira Júnior, vindo de fazer a sua educação em Londres, desse mais atenção às flores do que à calçada dos Clérigos, onde a sua família enriquecera pelo comércio.». Oliveira Júnior tinha pois 21 anos quando se estreou como redactor do JHP - e desde o início escreveu com a segurança de quem domina inteiramente o seu assunto. Não deixou de ser comerciante - por morte do pai, ampliou o negócio da família, inaugurando os Grandes Armazéns do Carmo - mas, aproveitando terras herdadas da família materna, foi também agricultor no Minho, criador do famoso vinho Porca da Murça. Morreu em Novembro de 1927, sem deixar descendência - nas palavras do próprio, a sua única filha conhecida foi uma camélia, de cor vermelho tinto com manchas brancas, criada em 1871 por Marques Loureiro e por ele chamada Duarte de Oliveira."
(fonte: http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2005/05/jos-duarte-de-oliveira-jnior-redactor.html)
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
40€
Reservado

09 agosto, 2017

AMARAL, P.Jeronymo José do - A MULHER OU O ANJO TUTELAR DA FAMILIA. Porto, Livraria Central de J. E. da Costa Mesquita-Editor ; Rio de Janeiro, Agostinho Gonçalves Guimarães & C.ª, B. L. Garnier, A. A. Lopes do Couto e J. Neves Pinto, 1875. In-8.º (20cm) de VII, [1], 16 p. ; B.

1.ª edição.
Curioso opúsculo de teor moralista sobre o papel da mulher perante Deus e a família.
"«Se querem educar o homem, eduquem primeiro a mulher», ha dito alguem.
E é assim.
Mas, por uma d'estas aberrações d'entendimento que chegam muitas vezes a produzir a ruina das civilizações, todos conhecem o mal e ninguem, ou quasi, procura remedial-o.
Quer-me, até, parecer que o homem prefere que a mulher, em geral, seja frivola, vaidosa e facil, julgando-a talvez assim mais util e agradavel: erro deploravel!
Só a virtude é sincera e communicativamente alegre, só a innocencia irradia o verdadeiro prazer."
(excerto da Advertencia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis com manchas, que se prolongam pelas primeiras páginas do livro.
Raro.
A BNP tem apenas um exemplar recenseado (Un. Católica).
10€

08 agosto, 2017

O CERCO DO PORTO : 3 a 7 de Fevereiro de 1927 (memorias d'um sitiado). 5 dias e 5 noites sob a metralha. Porto, Escriptorio de Publicações de J. Ferreira dos Santos, 1927. In-4.º (23cm) de 48 p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Ilustrada com fotogravuras no texto.
Narrativa da insurreição militar de Fevereiro de 1927, no Porto, contra a Ditadura Militar contada por um membro leal ao Governo. Obra anónima; a sua autoria é atribuída pela BNP a Roberto de Sampaio e Melo.
No final do opúsculo são identificados os oficiais presos no final da revolta do Porto: um general (Sousa Dias), dois coroneis (Aníbal da Costa Pinto e Fernando Freiria), três majores, 18 capitães, 55 tenentes, seis alferes, três músicos de bandas militares, e ainda a indicação de que, até 11 de Fevereiro, tinham sido também presos 125 sargentos e 22 civis. Todos os presos foram conduzidos para Lisboa em 13 de Fevereiro. Ainda no final do folheto, está discriminada a lista de imóveis portuenses sujeitos ao impacto do fogo de artilharia e da fuzilaria.
                                     ..........................
"A Revolta de Fevereiro de 1927, por vezes também referida como Revolução de Fevereiro de 1927, foi uma rebelião militar que ocorreu entre 3 e 9 de Fevereiro de 1927, centrada no Porto, cidade onde estava instalado o centro de comando dos insurrectos e se travaram os principais recontros. A revolta, liderada pelo general Adalberto Gastão de Sousa Dias, terminou com a rendição e prisão dos revoltosos e saldou-se em cerca de 80 mortos e 360 feridos no Porto e mais de 70 mortos e 400 feridos em Lisboa. Foi a primeira tentativa consequente de derrube da Ditadura Militar que então se consolidava em Portugal na sequência do Golpe de 28 de Maio de 1926, ocorrido nove meses antes, iniciando um conjunto de movimentos insurreccionais que ficaram conhecidos pelo Reviralhismo."
(fonte: wikipédia)
"Foi, assim, esta insurreição uma verdadeira guerra civil, que durante 5 dias e 5 noites, estabeleceu verdadeiro terror entre Porto e Gaya.
Qual a causa e fim d'este cerco?
Sabe-se que o presidente Antonio Oscar Fragoso Carmona, que em 31 de Janeiro veio assistir á commemoração da revolta republicana do Porto, de 31 de Janeiro de 1891, sendo recebido com delicadeza pelos portuenses, não tinha as sympathias dos chefes revoltosos de 3 de Fevereiro de 1927, que queriam obrigal-o a descer do alto posto.
Os motivos da revolta foram explicados no manifesto assignado por
General Adalberto Gastão de Sousa Dias;
Jayme de Moraes, chefe do Comité Militar Central;
Jayme Cortezão, capitão medico;
Capitão João Sarmento Pimentel;
João Pereira de Carvalho, tenente.
A revolta rebentou na madrugada de 3 de Fevereiro.
As forças atacaram o quartel general, prendendo o tenente Alão, commandante da força alli de guarda, e o tenente Mendonça, de cavallaria 9.
N'essa occasião foram egualmente detidas pelos revoltosos as seguintes auctoridades:
Tenente-coronel Nunes da Ponte;
Majores Sequeira e Tavares.
Respectivamente: governador civil do Porto, dito substituto, e presidente da commissão de censura á imprensa.
Foram tambem presos: 1.º e 2.º commandantes da 1.ª região militar, fieis ao governo:
General Ernesto Sampaio, e coronel Zamith.
N'esta altura encontravam-se ao lado do Governo do presidente Carmona o regimento de infanteria 18, bastante reduzido, commandado pelo coronel Raul Peres; o de cavallaria 9; e o de artilharia 5, aquartelada na Serra do Pilar, commandada pelo coronel Faria de Guimarães.
A guarda republicana limitava-se a fazer o policiamento da cidade, sob o commando do major Alves Vianna, tendo sob a s suas ordens as forças do quartel de S. Braz.
O quartel general e edificios do governo civil e dos correios e telegraphos estavam occupados pelas tropas revoltosas, que eram:
Batalhão de caçadores 9; uma fracção de infanteria 18; sapadores mineiros; e uma parte da guarda nacional republicana (pelotão da Bella Vista)."
(excerto da introdução)
Matérias:
Preâmbulo: - O cerco de 32-33. - A Patuleia : Intervenção estrangeira.
O Cerco do Porto: [Introdução]. - Disposição de forças. - As hostilidades augmentam : No dia seguinte. - Carga heroica de cavallaria 8. - Constitucionaes votam a censura á imprensa. - Mais reforços aos revoltosos. - Novos combates. - Recrudesce a acção guerreira. - Ao País [reprodução do folheto de propaganda governamental despejado no Porto por dois hidro-aviões]. - A guerra no maior auge. - O armisticio. - Intervem o Consul da republica de Uruguay. - Commandante da Guarda. - O dia 7 (5.º da revolta). - O Reforço Salvador Desembarca em Leixões. - Frente a Valbom. - Soldados de Portugal! [proclamação do Governador Militar da Cidade do Porto, Cor. João Carlos Craveiro Lopes]. Serviço de avaliação dos prejuizos causados nos predios por motivo do movimento revolucionario. - Officiaes presos. - Segundo manifesto dos revoltosos. - Principaes edificios e estabelecimentos, atingidos por granadas, estilhaços de granadas e balas. - Mortos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Dedicatória manuscrita de oferta na f. rosto do editor J. Ferreira dos Santos a José António de Magalhães.
Raro.
Com interesse histórico.
35€
Reservado

07 agosto, 2017

FARO, José de Sousa e - POSIÇÕES ESTRATEGICAS DE PORTUGAL. Sua importancia para um bloqueio do Atlantico. 1.ª parte - Logistica de posições estrategicas. 2.ª parte - Bazes navaes da Horta e de S. Vicente da Cabo Verde. 3.ª parte - Conclusão. [Por]... Capitão de Mar e guerra de Marinha. Lisboa, Tipog. e Papel. Carmona, 1930. In-8.º (19cm) de [2], 59, [1] p. ; B.
1.ª edição.
Importante estudo para um eventual sistema português de defesa do Atlântico.
"Fazer a critica de operações navaes de grande vulto é uma tarefa difícil, porque na guerra moderna do mar geralmente muito á mercê das causas imprevistas, são alterados de um momento para o outro e quasi abruptamente, planos estratégicos préviamente bem para o fim capital de realisar objectivos necessarios. [...]
O presente trabalho visa a pôr em foco a situação geográfica excelente de Portugal e das suas ilhas adjacentes, como exemplo advindo da grande guerra que veio exaltar a grande vantagem das posições navaes transformadas em bazes de operações, para a efectivação de um bloqueio a distancia vigilante o mais possível e com o menor risco para as unidades de combate.
É um valor incontestavel que a nossa nação possue por esse Atlantico com essas posições, quaes sentinelas que se podem tornar vigilantes quando seja possível reivindicar para a nossa Marinha de guerra o direito de preparar ali magnificas bazes para cobrir as operações a efectuar em defensiva estratégica, com o fim de assegurar o transito de comunicações maritimas em qualquer emergencia."
(excerto da introdução)
José Dionísio Carneiro de Sousa e Faro GOC • GOA • GCA (São Tomé, Colónia de São Tomé e Príncipe, 10 de março de 1868 - Lisboa, 25 de junho de 1962) foi um administrador colonial português. Exerceu o cargo de governador-geral da Colónia de Angola entre 1930 e 1931, tendo sido antecedido por Bento Esteves Roma e sucedido por Eduardo Ferreira Viana. Condecorações - Ordens honoríficas portuguesas: Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis (11 de Março de 1919); Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis (12 de Dezembro de 1930); Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo (9 de Maio de 1934); Ordens honoríficas estrangeiras: Grande-Oficial da Ordem da Estrela de Anjouan de França (9 de Janeiro de 1933); Grã-Cruz da Ordem da Coroa da Bélgica (9 de Janeiro de 1933)."
(fonte: wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas cansadas; lombada apresenta restauro.
Raro.
Com interesse histórico e estratégico.
15€

06 agosto, 2017

O TROVADOR. Collecção de poesias contemporaneas redigida por uma sociedade d'academicos. Coimbra: Na Imprensa de E. Trovão, 1845-1848 [data ed. na f. rosto: 1848]. In-8.º (20cm) de [8], 400 p. ; E.
1.ª edição.
Colectânea de poesias de inspiração ultra-romântica assinadas por jovens estudantes da Universidade de Coimbra. No final do livro, é descrito o passeio de barco pelo Mondego, seguido de animado repasto na Quinta das Varandas, efectuado em 1844, pelos mancebos poetas d'O Trovador.
Colaboraram: A. Cabral Couceiro; A. Gonçalves Dias; A. Maria do Couto Monteiro; A. Pereira da Cunha; A. De Serpa; A. X. R. Cordeiro; A. Lima; Ayres de Sá Pereira e Castro; Evaristo Basto; F. de Castro Freyre; F. Palla; H. O’ Neill; J. A., J. da Costa Cascaes; J. Freyre de Serpa; J. Fructuoso; D. João de Azevedo; J. de Lemos; J. M. Borges; J. A. Palmeirim; L. Correia Caldeira; L. da Costa Pereira; L. da Silva Mousinho d’ Albuquerque; Nuno Maria de Sousa Moura.
"O Trovador não é um simples jornal, que represente o pensamento de um homem, nem é tambem a expressão de nova corporação, como talvez parece.
Além do merito pessoal dos seus redactores, além do mui elevado conceito, que a todos merece a Universidade de Coimbra, existe uma idêa grandiosa, que hade communicar ao Trovador a immortalidade.
Os sons maviosos com que a sua lyra louva a Religião de nossos maiores, as canções em que a honra e o valor portuguez brilham cercadas pela gloria, são o pensamento da nova geração.
O Trovador irá até á posteridade coroado com os louros que o adornam, porque traz no peito como divisa a cruz, e traja as côres nacionaes. [...]
A religião e a nacionalidade brilham nas suas paginas. - É um livro que não ha de morrer. A sua collecção será um dia precioso thesouro para os que tiverem de formar a historia litteraria do nosso seculo.
Esperamos que a mocidade academica não interromperá nunca uma publicação, que não será o menor padrão da sua gloria."
(excerto de Juizo, Sobre o Trovador...)
António Xavier Rodrigues Cordeiro (Cortes, Leiria, 28 de Dezembro de 1819 - Lisboa, 11 de Dezembro de 1896). "Foi um poeta ultrarromântico, jornalista e político português.
Graduado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, foi, por várias vezes, deputado às Cortes. Combateu a ditadura cabralista, tendo participado da revolta da Maria da Fonte (1846) e da guerra da Patuleia (1846-1847).
Colaborou em diversos jornais e revistas, alguns dos quais fundou e dirigiu. Em 1844 fundou, com João de Lemos, o jornal de poesias O Trovador, órgão da juventude estudantil conimbricense da década de 1840 e um dos principais repositórios do ideário poético da segunda geração romântica. Em 1854 fundou O Leiriense, onde publicou as crónicas históricas posteriormente coligidas nos dois volumes de contos de Leituras ao serão. A partir de 1862 dirigiu o Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro, onde publicou várias biografias de escritores portugueses e brasileiros. Colaborou com artigos literários e poesias em vários outros periódicos, como O Bardo, O Panorama, o Jornal de Belas-artes, a Revista Académica de Coimbra, O Instituto, A Revolução de Setembro, o Jornal de domingo (1881-1888) e a Revista Universal Lisbonense (1841-1859). Em 1889 reuniu a sua obra poética nos dois volumes de Esparsas. Em sua homenagem, a Cartes - Associação de Autores das Cortes instituiu o Prémio Literário Rodrigues Cordeiro, em parceira com a Casa Museu Centro Cultural João Soares.
Entre seus trabalhos conhecidos destacam-se os artigos de natureza política, além de uma série de pequenas crónicas históricas (que foram mais tarde editadas em dois tomos, com o título Serões de História) e poemas, alguns dos quais se tornaram muito populares, como, por exemplo, "A doida de Albano" (1874), "Tasso no hospital dos doidos", "O Outono", "O conde de Alarcos" – lenda popular impressa na Revista Académica de Coimbra (1845).
Rodrigues Cordeiro era tio-avô de Afonso Lopes Vieira."
(fonte: wikipédia)
Encadernação rudimentar, coeva, em meia de pele com cantos, com ferros gravados a ouro na lombada. Corte das folhas pintado de amarelo.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Com mancha antiga de humidade no terço inferior do livro, mais visível nas primeiras folhas.
Raro.
Peça de colecção.
100€

05 agosto, 2017

PALMA, Coronel Velho da - ALOCUÇÃO. Dirigida pelo professor... Aos alunos da Casa Pia de Lisboa pelo Aniversário do Armisticio da Grande Guerra : II=XI=930. Lisboa, Papelaria Assis, 1931. In-8.º (22cm) de 23, [1] p.
1.ª edição.
Prelecção do autor, combatente na Grande Guerra, aos alunos da Casa Pia por ocasião do aniversário da suspensão das hostilidades. Trata-se de um breve resumo da conflagração, desde os preliminares até à entrada de Portugal na guerra (amplamente justificada para conservação das colónias africanas, de acordo com o autor), bem como as lições a retirar dos conflitos bélicos. No final reproduz um artigo do jornal inglês "Spectator", datado de 2 de Junho de 1913, que sugere a repartição das colónias portuguesas, sobretudo pela Alemanha, seguido pela carta-resposta de Velho da Costa, contestando o argumentário do jornal, acusando-o de campanha sistemática contra Portugal.
"Entretanto a Alemanha atacava-nos na Africa: em Mazina, Kuanggar e Naulila, sem provocação alguma da nossa parte.
Desta maneira a intervenção de Portugal na guerra tinha de ser um facto e todo o paiz reconhecia e sentia essa necessidade.
Por estas razões, nos principios de 1917 partiram para França os primeiros contingentes das nossas tropas que mais tarde se cobriram de gloria na resistencia oposta a esse formidavel ataque alemão no dia 9 de Abril de 1918..." [...]
Imaginai vós, milhares de canhões a vomitarem incessantemente metralha sobre as trincheiras e sobre toda a area do sector ocupado pelos nossos valorosos soldados e juntai-lhe ainda o ensurdecedor troar dos canhões, as crepitações mortiferas das metralhadoras activamente manejadas pelas tropas atacantes, as lugubres e formidaveis detonações dos morteiros, das granadas de mão, de milhares de granadas de gazes toxicos e asfixiantes tornando a atmosfera irrespiravel e mortifera e tudo isto realisado sob um denso nevoeiro que nada deixava distinguir a pouca distancia."
(excerto da Alocução)
Exemplar em bom estado geral de conservação. Sem capas. Mancha de humidade antiga, à cabeça, transversal toda a obra. Pelo simbolismo, interesse e raridade a justificar encadernar.
Raro.
15€
Reservado

04 agosto, 2017

CASTILHO, Julio de - AMORES DE VIEIRA LUSITANO : apontamentos biographicos. Lisboa, Parceria Antonio Maria Pereira (Livraria editora), 1901. In-4.º (23cm) de 301, [3] p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Biografia de um dos grandes mestres da pintura portuguesa do século XVIII - Francisco Vieira de Matos, o Lusitano (1699-1783).
Obra profusamente ilustrada em separado com belíssimos desenhos de Castilho, bem como reproduções de trabalhos do ilustre pintor.
"Cedo partiu para Itália, onde se dedicou ao estudo da pintura e teve grandes mestres como Benedetto Lutti e Francesco Trevisani. A sua vasta obra é a mais importante do século XVIII português. Muitos dos seus trabalhos perderam-se com o terramoto de 1755."
(fonte: infopédia)
Encadernação editorial com ferros gravados a seco e a negro e ouro na pasta frontal e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação. Pastas algo sujas.
Invulgar.
40€

03 agosto, 2017

VIEIRA, Affonso Lopes - ILHAS DE BRVMA. Por... Coimbra, F. França Amado : impressor & livreiro, 1917. In-8.º (17,5cm) de [2], 133, [7] p. ; B.
1.ª edição.
Apreciada obra do autor composta por breves poemas de inspiração histórico-patriótica. Bonita edição impressa em papel encorpado.

"Vejo-os tam vivos como a luz do dia,
os cabelos de Inês, delgado oiro
do amado tesoiro loiro
que sob os grandes beijos refulgia.

Raios de fina luz, adormeceram
com saudades dos beijos que lhes deram
os beiços do seu grande Namorado;
raios de fina luz, adormeceram
no silêncio do túmulo dormente,
e com seu vivo lume resplendente
todo por dentro o hão iluminado...

Adormeceram no silêncio fundo
onde faziam luar;
e cuidavam apenas acordar
para o antigo amor - no fim do mundo!"

(excerto de Aos cabelos de Inês)

Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Capas com manchas e pequenos defeitos; levemente ondeadas. Apresenta pequena falha de papel no canto inferior esq da capa e no topo da lombada. Assinatura de posse na f. guarda (em bco).
Invulgar.
25€