22 janeiro, 2017

MATTOS, A. Pereira de - PALESTRAS SOCIAES. Porto, Typographia Pereira, 1916. In-8.º (21,5cm) de XII, 338, [2] p. ; B.
1.ª edição. 
Curioso estudo de âmbito social, concluído em Setembro de 1915 e publicado no ano seguinte, em 1916, num período algo turbulento da I República. No prefácio, Pereira de Matos dá conta das ameaças e perseguições a que foi sujeito. Obra dedicada pelo autor "ao Proletariado Portuguez, em testemunho de estreita solidariedade, no esforço que ha-de produzir o melhoramento das suas condições economicas e sociaes".
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Agostinho de Campos, professor universitário, jornalista e escritor português.
"Por tal fórma se prendem os acontecimentos, na evolução social da humanidade, que é preciso seguir de longe as modificações da sua maneira de ser, para bem comprehender o mechanismo da sua acção, n'um determinado momento historico. Os caracteres de uma geração filiam-se, sempre, nos das gerações que a precederam, e assim, no exame do presente, não podem, em caso algum, esquecer-se as influencias do passado.
Foi n'esta ordem de ideias que a moderna sociologia, começando por observar que toda a organisação social resulta do jogo das forças internas e externas que actuam sobre a sociedade, conseguiu, a despeito da manifesta complexidade dos phenomenos submettidos ao seu estudo, subordinar a evolução social a um determinismo scientifico, cujas applicações, no campo da critica historica, , são, por titulos diversos, notabilissimas."
(excerto da introdução, Duas palavras sobre a influencia do progresso...)
António Alves Pereira de Mattos Júnior (1874-1930). Nasceu em 1874. Oficial da Marinha. Publicou diversos estudos estratégicos, dos quais se destacam A marinha de guerra, com prefácio de Francisco Ferreira do Amaral (1897), A marinha de commercio : estudo (1900-01), A marinha colonial : estudo apresentado ao Congresso Marítimo Nacional de 1902 (1902), e O problema naval portuguez : estudo (1908-09). Noutra vertente, publicou o presente trabalho - Palestras Sociaes (1916). Passou à reforma em finais de 1915 no posto de capitão-tenente. Morreu em 1930.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Lombada apresenta selo de bibloteca e restauros toscos com fita gomada. Carimbo de biblioteca nas f. rosto e anterrosto.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

21 janeiro, 2017

SILVA, Diocleciano Pereira e - MEMÓRIAS DE UM MÉDICO VETERINÁRIO. [S.l.], [s.n. - imp. Tipografia Açor, Lda., Angra do Heroísmo], 2004. In-8.º (21cm) de 177, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Conjunto de histórias vivenciadas pelo autor na sua infância e ao longo da sua vida de médico veterinário.
Tiragem: 1000 exemplares.
"Diocleciano Maria da Silva vai surpreender não só os seus conterrâneos que, julgo, não lhe atribuiriam estes dotes de escrita, como os leitores em geral por se encontrarem perante uma prosa limpa, despreocupada, cativante, raiando quase uma oralidade próxima da nossa tradição de contadores de histórias. [...]
Mas, passemos à frente. Escrevi sobre "como" escreve e, agora gostaria de chamar a atenção sobre "o que" escreve. O nosso doutor Diocleciano Silva que, no decorrer das suas curtas narrativas se afirma e reafirma de veterinário, amplia os seus diagnósticos e prognósticos a um ponto tal que a lição, para nós humanos, continua a ter o maior cabimento: ensina-nos a ultrapassar coxeaduras se tivermos um problema ortopédico; ensina-nos a encarar com optimismo uma situação de parto que se avizinha problemático; ensina-nos a domina a dor sem ter de recorrer a anestésicos; ensina-nos a suturar auxiliados por agulhas improvisadas."
(excerto do prefácio de um Amigo)
Índice:
Memória da Juventude: - O Galeão. - O Mergulho. - Toiros e Cavalos. - Hipnose. - O Curso e a Ilha.
Memória da Profissão: - Uma Profissão. - O Armário. - O Caracolário. - O Coice. - As Arrobas. - O Cãozinho. - Empatia. - O Carro Velho. - Vacas, Veados e Cães. - Valério. - A Cesariana. - O Abcesso. - Os "Serras". - Negociantes. - O Gatinho. - O Mojo. - Boneco. - O Tampo Movediço. - Inteligência. - Tio Francisco. - O "Calçado". - A Metade. - O Meu Amigo Zé. - Óscar. - Minerva. - Dois Irmãos. - Olhos.
Memória de Amigos: - O Raio Verde. - A Sopa. - Joãozinho de Copacabana. - O Pescador Américo. - Macaronésia. - Jonica. - O Homem e os Bichos.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
20€

20 janeiro, 2017

GUSMÃO, Lapas de - VISÃO DA GUERRA. Lisboa, Emprêsa Nacional de Publicidade, 1932. In-8.º (19cm) de 302, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Memórias de guerra do autor, combatente em França durante a 1.ª Guerra Mundial.
Muito valorizado pela sua dedicatória autógrafa a Teodósio Monteiro de Lencastre.
"Ninguem pretenda ver nêste livro intuitos que êle não tem, mas simplesmente o que êle é: um pedaço arrancado à vida de campanha, em França, durante a Grande Guerra."
Índice:
I - Em vesperas. II - A entrada. III - O rancho na primeira linha. IV - A primeira ronda. V - Uma noite de clube. VI - O fuzilado. VII - Atribulações de dois alferes de linha. VIII - Uma patrulha como muitas. IX - A «censura». X - Na defesa. XI - De regresso de licença. XII - Em repouso. XIII - Durante o jantar. XIV - De volta à trincheira. XV - O morteiro pesado. XVI - No apoio. XVII - No ataque. XVIII - A batalha. XIX - Depois... XX - No solo da Pátria. XXI - E para quê?
Joaquim Lapas de Gusmão (1886-1962). “Jornalista, escritor, Combatente da Grande Guerra em África e França, condecorado com a Cruz de Guerra. Colaborou nos jornais A Pátria, do Porto, e na Capital, Lucta, O Intransigente, O Século e Diário de Notícias, de Lisboa. Publicou entre outros, os volumes «Visão da Guerra», «A Guerra no Sertão», em que descreve o que viu em França e África, o drama em 3 actos «O Mutilado», a tragédia em um acto «Uma noite» e o ensaio filosófico «Matéria e Vida»."
Exemplar brochado em bom estado de conservação.

Raro.
Com interesse histórico.

35€

19 janeiro, 2017

VELLOSO, Custodio - BRADOS D'ALMA : breves dissertações sobre assumptos de religião, phylosophia e litteratura. Braga, Typoggraphia Lusitana, 1873. In-8.º (19,5cm) de XVIII, [2], 295, [5] p. ; E. 
1.ª edição.
Reflexões do autor sobre religião, filosofia e literatura.
"[...] Uma aspiração da consciencia intima, profundamente convicta das eternas verdades que ahi ficam relembradas e estampadas, e sempre allumiada pela serena luz da rectidão possivel em obras do homem, foi o que determinou a confeccionação d'estas paginas despretensiosas e immeritas. [...]
A tres grandes assumptos se resumem todos os capitulos reunidos n'este livro, cosntituindo as tres partes em que vae dividido. O seu rotulo está expresso, com exacção, n'estas tres palavras:
Religião - Phylosophia - Litteratura.
Na inquietadora duvida do que ha-de ser o dia de amanhã, no meio da oscillação dos fundamentos sociaes, a qual presenceamos, por entre o oceano de descrença e septicismo que caracterisa a nossa epoca, é mister erguerem-se todas as vozes de verdade e consciencia, com desassombro, sem temor de ultrages, energicamente, para combaterem o espirito do mal que predomina, e preservarem os povos do abysmo que os ameaça."
Index:
Introducção. I Parte: Religião: - A Cruz; A Egreja; O Christianismo; A Civilisação Christã; A Moral Universal; O Racionalismo; A Auctoridade da Egreja; Caridade ou Philantropia; A noute de S. Bartholomeu; Estudos Biblicos; A Oração, I-II; Deprecemur Faciem Dei. II Parte: Philosophia: Dous systemas phylosophicos; O Fundamento do direito natural, I-II-III; O Ecletismo Phylosophico, I-II-III-IV. III Parte: Litteratura: A Poesia antiga - I. Introducção. II. Homero. III. Hesiodo. IV. Pindaro. V. Aristophanes. VI. Virgilio. VII. Ovidio. VIII. Horacio. IX. Juvenal; Poetas modernos - I. Ariosto. II. Tasso. III. La Fontaine. IV. Boileau. V. Lopo de Vega. VI. Calderon de la Barca. VII. Shakspeare. VIII. Milton. IX. Klopstock, Schiller e Goethe. X. Byron. XI. Victor Hugo. XII. Stael. XIII. O Romanticismo. XIV. Chateaubriand. XV. Walter Scott. XVI. Monti; Apreciações geraes - I. Critica. II. Litteratura ingleza. III. Litteratura allemã. IV. Litteratura scandinava. V. Litteratura hungara. VI. Litteratura finlandica. VII. Litteratura portugueza. Notas.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse (carimbo) na f. rosto.
Raro.
15€

18 janeiro, 2017

NEVES, Dr. Vítor M. L. Pereira - AS ALDEIAS HISTÓRICAS DE MARIALVA, LINHARES E CASTELO-MENDO : conjuntos históricos a valorizar. Obra trimonográfica comparativa histórico - etnográfico - turística de promoção e desenvolvimento regional. Lisboa, [s.n. - imp. Eden Gráfico, S.A., Viseu], 1996. In-8.º (22cm) de259, [3] p. ; mto il. ; B.
Curiosa monografia sobre três aldeias históricas do distrito da Guarda. Muito ilustrada no texto com fac-símiles, desenhos e fotografias a p.b. e a cores.
Valorizada pela dedicatória autógrafa do autor.
"Há anos visitei as antigas Vilas de Marialva, Linhares e Castelo Mendo. Em Marialva, tive o encontro mais emocionante com a História...
Fuquei tão sensibilizado e chocado com o que vi que comecei logo a caminho de bibliotecas e arquivos a estudá-las com o intuito de as divulgar.
Com os conhecimentos que adquiri era-me possível elaborar três monografias, mas resolvi integrá-las num triângulo turístico potencializante, centrado na Guarda, beneficiando assim a minha cidade, onde estudei 7 anos.
Meti-me em ciclópicos trabalhos, sacrificando fins de semana e serões, quase todos os tempos livres. Mas o querer é tudo e quem corre por gosto, não cansa.
E eis finalmente que aqui está um livro que por certo vai valorizar muito Terras recônditas, tornando-as, mais conhecidas em Portugal e no Estrangeiro."
(excerto da introdução)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Folhas enrugadas à cabeça por acção da humidade.
Invulgar.
10€

17 janeiro, 2017

SOARES, Raul - O POETA CRISFAL (Subsídios para o estudo de um problema histórico-literário). Campinas, Typ. a vapor "Livro Azul" - A. B. de Castro Mendes, 1909. In-8.º (20cm) de 80, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Estudo literário sobre a autoria da obra poética Crisfal.
Exemplar n.º 170 de uma tiragem não declarada, assinada pelo autor.
"Figura mal desenhada do século áureo da literatura portuguesa, Cristovão Falcão tornou-se-nos todavia familiar e caroável, pelo impressivo do episódio novelesco e doloroso de seus amores e pela beleza da famosa écloga, em que os narra.
A tradição o dá como enamorado de d. Maria Brandão, «tam ilustre pelo nascimento como célebre pela formosura», com quem se casara clandestinamente (como era então em moda), estando ambos em verdes anos: idílio encantador, transcorrido «entre Sintra a mui prezada e serra do Ribatejo», perto de Lisboa, e que foi brutalmente interrompido pela intervenção dos parentes de Maria, que a segregaram no convento de Lorvão e, por sua intriguice e sugestão, alcançaram-lhe o arrependimento, legalizado por sua «pouca idade».
(excerto do Cap. I, Introdução)
Índice:
I - Introdução. II - Fundamento da Tradição. III - Dados cronológicos. IV - O Documento de Incapacidade. V - Alusões. VI - Criptónimos. VII - Imitações. VIII - Traços diferenciais. IX - Conclusão. Post Scriptum.
Raul Soares de Moura (Ubá, 1877 - Belo Horizonte, 1924). Conhecido político brasileiro. 'Além de político, Raul Soares exerceu a advocacia, tanto em Campinas como em Belo Horizonte, onde dividia escritório com Afonso Pena Júnior. Foi também professor da Faculdade de Direito de Minas Gerais, onde lecionou direito público e constitucional e direito internacional privado. Como escritor e poeta, publicou seus trabalhos em vários jornais e revistas. Em 1904, lançou um livro intitulado Gramática de João Ribeiro. Mas a sua mais importante peça literária foi O poeta Crisfal, subsídios para o estudo de um problema histórico-literário, obra publicada em 1909. Para algumas publicações usou os pseudônimos Lauro Resas e Saulo Serra.'

Exemplar brochado em bom estado de conservação. Sublinhados e notas a lápis ao longo do texto.
Invulgar.
15€

16 janeiro, 2017

FURTADO, Carlos d'Arruda - SÔBRE CEMITÉRIOS. Conferência proferida na Câmara Municipal de Lisboa (Palácio das Galveias) na tarde de 10 de Maio de 1941. Lisboa, [CML], 1941. In-4.º (25,5cm) de 38, [2] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante conferência proferida pelo autor sobre os cemitérios e as questõesde de âmbito regulamentar e de saúde pública inerentes ao espaço.
"Habituado de sempre ao respeito pela morte, mas sem susto dos mortos; habituado de pequeno à visita de cemitérios; conhecedor do que as gerações de 1890 tinham afirmado e que reduzia às devidas proporções o que fôra no comêço do século XIX verdadeiro papão sanitário; foi sucedendo que fui de cada vez, e sempre, dos primeiros a protestar contra êrros inveterados e dos que mais teimosamente fiz.
Pouco a pouco se constituiu presunção de que conhecíamos tal matéria; e, como tanta vez sucede, de tanto de dizer, a verdade é que fômos obrigados a conhecê-la, forçados até pela necessidade de responder a consultas de que não podíamos desobrigar-nos, nem por verdadeira afirmação de ignorância; tínhamos que saber! E a verdade é que alguma coisa ficámos de facto conhecendo. E como julgamos indispensável que se actualize a matéria regulamentar de carácter sanitário no que a cemitérios e óbitos se refere, aqui fômos trazidos, e aqui vamos desobrigar-nos pela afirmação do que nos parece indispensável."
(excerto da conferência)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Com sinais de humidade junto à margem lateral, sobretudo nas primeiras e derradeiras folhas do livro.
Invulgar.
15€

15 janeiro, 2017

CARVALHO, Ribeiro de - MALDITA SEJA A GUERRA... De... Da Academia das Sciencia de Lisboa. Lisboa, [s.n. - Comp. e imp. na Tip. A Americana, [1924]. In-8.º peq. (16cm) de 29, [3] p. ; B. Col. Novela Contemporanea, 11
1.ª edição.
Capa de Alberto de Lacerda.
Rara edição deste opúsculo sob o título "Maldita seja a guerra...", integrado na apreciada colecção «Novela Contemporanea», que contém um pequeno conto: A Revolta. Um ano mais tarde, a Lvmen publica uma nova edição de "Maldita seja a guerra...", com uma tiragem francamente superior, que inclui sete contos, entre eles, A Revolta.
"Quando João dos Montes entrou no labyrintho enlameado das trincheiras, eriçadas de metralhadoras, os seus nervos tiveram um arripio trágico de frio e terror...
Até alli, deixára-se levar sem um protesto, sem um queixume, sem um estremeção de revolta, quasi sem uma lagrima, inconsciente, frio, aturdido, verdadeiro autómato, de carne adormecida e cataléptica.
Tinham-no ido buscar á sua aldeia tranquilla e distante, perdida entre serranias silenciosas, como se da sua intervenção, da sádia fôrça dos seus braços, dependessem os destinos da humanidade inteira.
E deixára-se levar, entre os gritos da velha mãe contrahida de espanto, entre os soluços doloridos da noiva inolvidavel...
- Era a guerra... - diziam-lhe os companheiros."
(excerto do conto)
Joaquim Ribeiro de Carvalho (1880-1942). "Natural de Amal, concelho de Leiria. Frequentou o Seminário dessa cidade, que acabou por abandonar, iniciando um percurso de intenso activismo político e cívico em defesa da causa republicana (no seu currículo constam passagens pela Carbonária e Maçonaria), regime que ajudou a implantar, também muito em função das suas colaborações na imprensa periódica (entre outras contribuições, destaque para a fundação e direção do jornal A República Portuguesa, 1910-1911), que conciliou com o cargo de deputado, exercido de 1911 a 1925."
(fonte. www.scoop.it)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse para a bibliografia da WW1.
Indisponível

14 janeiro, 2017

COSTA, Júlio Dias da - NOVAS PALESTRAS CAMILIANAS (obra póstuma). Por... Prefácio de Jorge de Faria. Lisboa, Depositários: João d'Araújo Morais, Ld.ª : Livraria Morais, 1936. In-8.º (22,5cm) de IX, [1], 127, [1] p. ; B.
1.ª edição.
"As Novas palestras que aí ficam, documento de tomo para a bibliografia camiliana, põem bem à prova de par com o escrúpulo do investigador, quento lhe era familiar a obra de Camilo, ainda nos mais ínfimos pormenores.
Esses pequenos artigos, escritos «nos vagares duma longa convalescença» são, porém, na sua expressiva sobriedade, uma lição eloqüente.
De mim confesso que muito aprendi com eles."
(excerto do prefácio)
"É sabido que Camilo pediu o título de visconde a D. António Alves Martins, bispo de Viseu, sendo êste prelado ministro do reino.
Êle o disse em carta a Tomás Ribeiro, em 16 de Dezembro de 73, acrescentando que o bispo lhe respondera que o rei o não agraciava por viver em mancebia."
(excerto de O primeiro viscondado que Camilo pediu)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas descoloridas por acção da luz.
Invulgar.
Com indubitável interesse camiliano.
10€

13 janeiro, 2017

IBAÑEZ - Vicente Blasco - OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE. Romance. Tradução de Raul Proença. Capa e Ex-libris de Saavedra Machado. 4.ª edição. Lisboa, Livraria Peninsular Editora de José da Silva Oliveira, 1933. In-8.º (18,5cm) de 394, [6] p. ; E.
Obra maior do espanhol Blasco Ibañez. Romance histórico tendo a Grande Guerra como pano de fundo; a acção desenrola-se no período anterior à eclosão da 1.ª Guerra Mundial, prolongando-se pelo conflito.
Vicente Blasco Ibañez (1867-1928). Jornalista, político e escritor. Foi um dos maiores vultos da literatura espanhola e mundial. Pelas suas características gerais, a sua obra é classificada como pertencendo à corrente literária do Naturalismo, podendo-se observar, no entanto, na sua primeira fase literária, alguns elementos do Realismo com forte pendor regionalista. Apelidado "Zola espanhol" pela análise científica pormenorizada do ser humano, da moral e da sociedade - traços característicos deste movimento -, as suas personagens apresentam um forte traço psicológico.
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação. Ligeiramente aparado.
Invulgar.

Indisponível

12 janeiro, 2017

CABRAL, Heitor - OS ESTADOS UNIDOS DA LUSITANIA. Conferencia por... Horta, Empreza Tipográfica Faialense, 1932. In-4.º (25cm) de [2], 130 p. ; B.
1.ª edição.
"Neste longo e exaustivo trabalho, que em subtítulo é apresentado como tendo sido uma “Conferência” – por certo jamais pronunciada! - Heitor Cabral repercute também o que se passou em Portugal nos anos vinte do século passado, em que sobressaíram o agonizar da Primeira República, a Revolução de 1926, a tremenda crise política, económica e financeira que assolou o País e o choque das ideologias que a pretendiam solucionar. E, caso curioso, a gesta da expansão quinhentista continuava presente, agora no pressuposto de que só poderíamos salvar as nossas colónias africanas e asiáticas com a criação de um Estado de língua portuguesa em que o grande protagonista seria o Brasil, a maior de todas as nossas ex-possessões ultramarinas."
(FARIA, Fernando in tribunadasilhas.pt)
Curioso projecto desenvolvido pelo autor para a unificação dos países de língua portuguesa. Segundo Cabral Heitor, tal como as outras nações coloniais, Portugal deveria assegurar a sua esfera de influência junto das colónias. "As colónias quando atingissem o grau de desenvolvimento preciso, para só por si se poderem administrar, tornar-se-iam independentes à semelhança de Portugal e Brazil, mas ficando sempre elementos dos E. U. L. [Estados Unidos da Lusitania], isto é, continuando-se a montar a união por intermédio das suas conferências anuais. Assim, os E. U. L. ficariam formados por uma república federal (Brazil), uma república unitária (Portugal) e 8 dominios coloniais, a sua capital seria o Rio de Janeiro e haveria um Presidente dos E. U. L.".
No ponto IV do capítulo II, o autor refere ainda a possibilidade de uma união europeia - Os Estados Unidos da Europa - "outra concepção baseada nas vantagens do mesmo princípio - a união", pelo menos no campo económico, tomando como exemplo a experiência norte-americana, empresa de que, no entanto, o autor duvida, por não ser do interesse do «império britânico».
Matérias:
Introdução. I - A unificação dos Lusitanos: I. Desenvolvimento da natalidade. II. Colonisação com povos da mesma raça. III. Colonisação com povos de raças diferentes. IV. Fusão de estados pertencentes a povos de raças diferentes. V. Fusão de estados pertencentes a povos da mesma raça.
II - Vantagens da grande Lusitania: I. Portugal colonial. II. Portugal insular. III. Portugal europeu. IV. Portugal Brasileiro. III - Os Senhores do Futuro: I. Os Lusitanos. II. Os Espanhóis. III. Os Franceses. IV. Os Italianos. V. Os Britanicos. VI. Os Iankes. VII. Os Russos. VIII. A raça amarela. IX. Os Germanos.
Heitor Dias Cabral (1891-1976). “Nascido na freguesia da Matriz da ilha do Faial a 24 de Novembro de 1891, Heitor Dias foi aluno diligente e aplicado no Liceu da Horta e na Universidade de Coimbra onde se diplomou nas faculdades de Matemática e Filosofia. Em 1913 ingressou na Faculdade Técnica da Universidade de Liége, a fim de tirar o curso de engenharia electrotécnica. Encontrava-se nessa cidade belga quando deflagrou a Grande Guerra. “Invadida a Bélgica e atacada Liége, conseguiu passar à Holanda, donde, depois de larga odisseia, alcançou regressar a esta cidade da Horta”. Aqui permaneceu algum tempo, exercendo “com reconhecida competência os lugares de professor provisório do Liceu” (1919) e de secretário da comissão administrativa do Município da Horta. Terminado o conflito mundial, Heitor Dias Cabral voltou a Liége em 1920. Aí completou a sua formação em engenharia e em 1922 já estava novamente na ilha do Faial. Numa época em que poucos eram os cidadãos com formação académica superior, Heitor Cabral, “que sempre gozou da melhor reputação e da mais elevada estima pública”, facilmente ocupou posição de destaque na sociedade faialense.”
(FARIA, Fernando in tribunadasilhas.pt)
Exemplar brochado, por aparar, em bom estado geral de conservação. Com pequeno trabalho de traça na parte superior do livro, sem afectação do texto. São também visíveis dois pequenos furinhos na capa e nas primeiras 40 páginas, fruto da pressão de um objecto pontiagudo contra o livro.
Raro e muito interessante.
25€

11 janeiro, 2017

UMA VIDA PELA MODERNIZAÇÃO DOS CAMINHOS DE FERROS. Homenagem a Francisco de Almeida e Castro. Lisboa, Manuel Seabra Pereira : Instituto Superior Técnico, 2009. In-4.º (24,5cm) de viii, 80 p. ; il. ; E.
1.ª edição.
Muito ilustrada com fotografias a p.b. de composições ferroviárias de diferentes épocas, tabelas, gráficos e desenhos esquemáticos.
"Este livro inclui uma nota biográfica de Francisco Almeida e Castro bem como o discurso de homenagem proferido pelo Eng. Consiglieri Pedroso e reúne adicionalmente um conjunto de comunicações apresentadas no dia 19 de Junho de 2009 durante a Sessão de Homenagem que teve lugar, no Instituto Superior Técnico, a Escola onde se licenciou em Engenharia Mecânica e desenvolveu de forma marcante a sua actividade docente nas áreas de Motores Térmicos e Turbinas, Energia nos Transportes e Tecnologia dos Transportes. Os temas aqui abordados projectam para o futuro um presente construído numa história que o Prof. Almeida e Castro em muitos aspectos protagonizou numa carreira onde, percorrendo todos os graus da hierarquia técnica, se afirmou como uma referência."
(apresentação)

Índice:
Prefácio. - Nota Biográfica do Prof. Francisco de Almeida e Castro, por Dr. Gilberto Gomes. - Francisco de Almeida e Castro. Justa Homenagem, por Eng. José Manuel Consiglieri Pedroso. - Os Primeiros passos da Tracção Diesel em Portugal e na Europa, por Eng. Carlos Hormigo Vicente. - Motores de Combustão Interna : Alguns Princípios de Funcionamento e Desafios a Vencer, por Prof. José M. C. Mendes Lopes. - Ligação Universidade Indústria, Uma Experiência numa Estratégia de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, por Eng. Manuel Cruz. - Apectos Críticos no Projecto de Vias Férreas de Alta Velocidade, por Prof. Raimundo Delgado e Rui Calçada.
Encadernação editorial a duas cores.
Exemplar em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse para a história dos Caminhos de Ferro.
Indisponível

10 janeiro, 2017

AS ATROCIDADES ALEMÃS. Relatório oficial da Comissão nomeada para comprovar os actos cometidos em território francês com violação dos Direitos das Gentes. Rio de Janeiro : Paris, Livraria Garnier, 1915. In-8.º (17,5cm) de 94, [2] p. ; B.
1.ª edição.
"De toda a parte recebeu o govêrno francês notícias de que tinham sido cometidos actos criminosos, pelos alemães no território que, momentaneamente, ocupavam.
Com o fim de comprovar a verdade no que respeita a estas violações, nomeou o govêrno francês, a 25 de Setembro de 1914, uma comissão de investigação.
Esta comissão entregou ao govêrno francês um relatório que resume o conjunto de actos criminosos, devidamente verificados, que lhe foi possível examinar. A autenticidade dêstes está demonstrada por documentos justificativos que, em breve, serão publicados pela Imprensa nacional de Paris, e que formarão um volume de mais de cem páginas.
A seguir damos o relatório da Comissão, tal como foi publicado no «Jornal Oficial» da República francesa em data de sete da Janeiro de 1915."
(excerto do preâmbulo)
Matérias:
Departamentos comprovados: - Sena-e-Marne. - Marne. - Mosa. - Meurthe-e-Mosela. - Oise. - Aisne.
Factos de Ordem militar.
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
Com interesse histórico.
20€

09 janeiro, 2017

SOARES, Francisco Pedro Celestino - LENDA DO CASTELLO DE PENHA-FIEL : romance semi-historico. [e SEGUNDA PARTE DOS ENTRETENIMENTOS DE UM SOLDADO VELHO, a quem faltam as forças fysicas para desembainhar a espada; e as intellectuaes para seguir estudos transcendentes: ou collecção de romances originaes; offerecidos ao sexo delicado e tolerante]. Por... Lisboa, Imprensa de J. G. [Joaquim Germano] de Sousa Neves, 1866. 2 vols in-8.º (17cm) de 95, [1] p. e 102, [2] p. ; E. num tomo
1.ª [e única] edição.
Raríssimo conjunto literário. Trata-se de uma colecção de novelas moralistas, algumas de cariz histórico. Com referências ao castelo espanhol de Penha Fiel - fronteiro a Salvaterra do Extremo (Idanha-a-Nova); à Póvoa de Varzim, e à migração das suas gentes para a Costa da Caparica; a Cheleiros (Mafra); a Linda-a-Pastora e Linda-a-Velha; à Peninha (Sintra).
"O proprietario do castello, e territorio adjacente, era o Conde de Penha-fiel, fidalgo antigo,senhor de grandes bens, ligado por intima e affectuosa amisade ao Senhor da Segura, que com elle concorrera na batalha do Salado quando as forças portuguezas foram em socorro das hespanholas: estas relações contrahidas no campo de batalha tinham-se estreitado pela visinhança, pois o Senhor de Segura era tambem fronteiro de Salvaterra, e como o Conde de Penha-fiel fazia sua residencia ordinaria no seu castello deste nome, a proximidade das residencias, e os passatempos a que se davam fazendo grandes caçadas nas matas extensissimas das suas propriedades tinham tornado os fronteiros quasi inseparaveis, podendo dizer-se passarem duas familias ora junctas em Penha-fiel, ora em Salvaterra."
(excerto do Cap. I, A familia de Penha-fiel)
Índice:
Volume 1: - Lenda do castello de Penha-Fiel. - Os filhos do pescador. - O negociante falido. - A orfan de Cheleiros.
Volume 2: - O Governador do Forte da Cruz Quebrada ou Maria Herminia de Moura. - O Egoista. - O Ermitão da Peninha ou a Familia Bemfazeja: caso refferido ao reinado d'elrei D. Manoel.
Francisco Pedro Celestino Soares (1791-1873). Militar português, escritor e cronista. Chegou a general de divisão. Foi director do [Real] Colégio Militar. Colaborou no Jornal da Sociedade dos Amigos das Letras e na Revista Militar. Publicou trabalhos sobre arquitectura militar e diversos romances históricos.
Encadernação em meia de percalina com ferros gravados a ouro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação.
Raro.
50€
Reservado

08 janeiro, 2017

FREIRIA, Fernando – OS PORTUGUESES NA FLANDRES. [Por]... Tenente-coronel do Corpo do Estado Maior. Lisboa, Tipografia da Cooperativa Militar, 1918. In-4.º (23cm) de 303, [1], IV p. ; [1] mapa desdob. ; mto il. ; B.
1.ª edição. 
Trabalho exaustíssimo sobre a Guerra de Trincheira dado à estampa pouco tempo após o fatídico 9 de Abril. Trata-se de um curioso e completo "manual" sobre o conflito bélico em curso, seguramente, das obras publicadas sobre a Grande Guerra que justamente mais interesse suscitaram.
Muito ilustrado ao longo do texto com fotogravuras, tabelas, croquis e desenhos esquemáticos.
Contém ainda um mapa desdobrável: "C. E. P. França – O Sector Português em Fevereiro de 1918". Escala aproximada 1/50.000.
“Instado por alguns dos meus camaradas a dar á publicidade á série de conferências que, por honrosa proposta de S. Ex.ª o Comandante da Escola de Guerra, General Theophilo José da Trindade, naquela Escola realizei, sob a Guerra de Trincheira, resolvi-me a fazer imprimir êste pequeno volume, resumo do que mais interessante, sob o ponto de vista técnico, poude observar durante os 14 meses da minha permanencia no Corpo Expedicionario Português que, ao lado dos aliados, honrosamente se está batendo na Frente Ocidental do Grande Teátro da actual Guerra.
Visaram essas despretenciosas palestras a preparar, dentro do possível, o espirito daqueles que, pela 1.ª vez, tivessem de ir prestar serviço nas fileiras do C. E. P. no cumprimento dum alto dever... […]
Se, pois, as contingências da Guerra nos levarem a tomar parte no Campo Aberto, técnicamente, nada de novo aqui encontrareis: se, porém, tivermos de proseguir na Guerra de Trincheira, a natureza especial desta modalidade da Guerra e as circunstancias em que nós, portugueses, a temos de realisar, alguma coisa de interessante me permitirão oferecer-vos.
Para os meus camaradas do C. E. P., a quem, circunstâncias fortuitas e independentes da minha vontade, me impediram de acompanhar no maior embate que, com o inimigo, até hoje, tivemos de suportar; para o glorioso trôço de soldados portugueses que, ao serviço da Pátria, tão honrosamente veem de regar com o seu sangue o pantanoso solo da Flandres e do Artois: para esse punhado de bravos que, apesar de quasi esgotados pelo extenuante serviço de trincheira durante largos meses, ainda, no seu natural ardor, encontraram a energia necessária para, em luta desigual de um contra quatro, retardarem o avanço das aguerridas vagas inimigas, disputando-lhes o terreno palmo a palmo e conseguindo que, na Frente atacada, não fossem nem os primeiros a retirar nem os que mais cederam: para todos esses, enfim, que bem mereceram da Pátria, de envolta com as minhas homenagens e saudações, os veementes desejos de uma proxima e feliz Desforra.
Lisbôa - Maio de 1918”
(excerto da introdução)
Indice:
I - A Guerra de Trincheira. II - Ideia sumária da organização do C. E. P. em França. III - Ideia Geral da Frente Britânica no Teatro Ocidental da Guerra Europêa, em Fevereiro de 1918. IV - O Sector Português. V - Sistema Geral de Defesa. VI - Serviço de Observação e Informações. VII - Gazes e Liquidos inflamados. VIII - Varios Serviços. IX - Alterações Introduzidas nos Meios e Processos de Combate. X - A Infantaria na Guerra de Trincheira: os seus Meios de acção. XI - A Infantaria no Combate. As Especialidades. XII - Metralhadoras Pesadas. XIII - Morteiros de Trincheira. XIV - Artilharia. XV - Engenharia. XVI - Serviços Administrativos. XVII - Serviço de Saude. XVIII - Serviço de Artilharia. XIX - Serviço de Trincheira. XX - Raids. XXI - Quadro de Honra.
Fernando Augusto Freiria (1877-1955). “Oficial do exército. Ministro da guerra no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Ministro da guerra no governo de António Maria da Silva, de 7 de Dezembro de 1922 a 21 de Julho de 1923. Destaca-se como chefe do Estado Maior de Gomes da Costa, no Corpo Expedicionário Português e, depois como diretor-geral dos transportes. Opondo-se ao movimento do 28 de Maio, aparece, logo em 1927, como comandante operacional da revolta do Porto de 1927 e na revolta da Madeira, de 1931. É deportado para Cabo Verde entre 1931 e 1936. Autor de Os Portugueses na Flandres, 1918.”
(fonte: politipedia.pt)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, manchadas, com defeitos; contracapa apresenta pequena falha de papel no canto superior esquerdo.
Raro e muito procurado.
40

07 janeiro, 2017

VIEYRA, Padre Antonio - HISTORIA DO FUTURO. LIVRO ANTEPRIMEYRO PROLOGOMENO A TODA A HISTORIA do Futuro, em que se declara o fim, & se provaõ os fundamentos della. Materia, Verdade, & Utilidades da Historia do Futuro. ESCRITO PELO... da Companhia de JESUS, Prègrador de S. Magestade. LISBOA OCCIDENTAL, Na Officina de ANTONIO PEDROZO GALRAM. Com todas as licenças necessarias. Anno de 1718. [Aliás, Lisboa, A Bela e o Monstro, Edições, 2013]. In-8.º (21cm) de [34], 379, [1] p. inc. capas (frontal, reproduz o frontispício) ; B.
Edição fac-símile comemorativa dos 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra. Impressa em papel de superior qualidade (Soporset de 80g/m2), reproduz fielmente um exemplar da edição original. Publicada póstumamente e pela primeira vez em 1718, Histórias do Futuro contém as reflexões de Vieira sobre profecias das sagradas escrituras; o discernimento e a actualidade da obra, sublinham a sua importância.
"Nenhuma cousa se pòde prometter à natureza humana mais confórme ao seu mayor appetite, nem mais superior a toda a sua capacidade, que a noticia dos tempos, & sucessos futuros; & isto he o que offerece a Portugal, à Europa, & ao Mundo esta nova, & nunca ouvida historia. As outras historias contaõ as cousas passadas; esta promette dizer as que estaõ por vir: as outras trazem á memoria aquelles sucessos publios, que vio o Mundo; esta intenta manifestar ao Mundo aquelles segredos occultos, & escurissimos que não chega a penetrar o entendimento."
(excerto do Cap. I, Declara-se a Primeyra Parte do titulo desta Historia, & quam propria he da curiosidade humana a sua materia)
António Vieira (Lisboa, 1608 - Salvador, Bahia, Brasil, 1897). "Notável prosador e o mais conhecido orador religioso português, o Padre António Vieira nasceu em 1608, em Lisboa, filho primogénito de um modesto casal burguês, e faleceu na Baía em 1697. Quando tinha apenas seis anos, os seus pais mudaram-se para a Baía, no Brasil, tendo aí iniciado os seus estudos. Os jesuítas tinham sido desde sempre os portadores da cultura e civilização no Brasil, com relevo especial para os Padres José de Anchieta e Manuel de Nóbrega. Assim sendo, cursou Humanidades no colégio da Companhia de Jesus, onde revelou bem cedo dotes excecionais. Aos 15 anos, motivado pela sua fé na Virgem das Maravilhas na Sé baiana e por um sermão que ouviu sobre as torturas do Inferno, Vieira teve o seu famoso "estalo" e decidiu ingressar na Companhia de Jesus. Ante a oposição dos pais, Vieira fugiu de casa e prosseguiu a sua formação, em que predominavam as Humanidades Clássicas (principalmente o latim), a Filosofia e a Teologia, com especial relevo para a Sagrada Escritura. Guiado pelos pressupostos e práticas jesuíticas, que apontavam para o objetivo primordial da salvação do próximo através da pregação, exerceu a sua função evangelizadora junto dos indígenas de uma aldeia onde passou algum tempo. Todavia, cedo regressou à capital de forma a continuar a sua formação. Ao entrar no segundo ano do seu noviciado, assistiu à brusca invasão dos holandeses na Baía, tendo de refugiar-se no interior da capitania. Começara, então, a Guerra Santa entre Portugal e os inimigos de Deus, a que Vieira não ficou alheio durante mais de 25 anos. Descrevendo estes eventos calamitosos do ano de 1624, na "Carta Ânua" ao Padre Geral em Roma, Vieira deixou claro que a sua atividade não se limitaria a ser meramente religiosa, pois os preceitos jesuíticos, que apontavam para a emulação e o instinto de luta, levavam-no a bater-se pela justiça. Em 1625 António Vieira fez votos de pobreza, castidade e obediência e, propondo-se missionar entre os ameríndios e escravos negros, estudou a "língua geral" (tupi-guarani) e o quimbundo. Foi nomeado professor de Retórica no colégio dos Padres em Olinda, onde permaneceu dois ou três anos, tendo depois voltado à Baía com o fito de seguir os cursos de Filosofia e Teologia. Ordenado padre em dezembro de 1634, depressa se avolumou a sua fama de orador e se celebrizaram os seus sermões que refletiam as vicissitudes da Baía, em luta contra os holandeses, e criticavam a ganância, a injustiça e a corrupção. Em 1641, restaurada a independência, Vieira acompanhou o filho do governador, que vinha trazer a adesão do Brasil a D. João IV, à Metrópole. Em Lisboa, começou a pregar em S. Roque e logo o seu talento se espalhou pela cidade. Segundo o testemunho de D. Francisco Manuel de Melo, a afluência às pregações era tal que, como se de provérbio se tratara, corria a frase: "Manda lançar tapete de madrugada em S. Roque para ouvir o Padre António Vieira". Cativa o favor de D. João IV, que não tardou em convidá-lo a pregar na capela real, onde ele proferiu o seu primeiro sermão no dia 1 de janeiro de 1642. Dois anos depois foi nomeado pregador régio. Nos numerosos sermões desta época da sua vida, Vieira não se cansava de animar o auditório a perseverar na luta desigual com Castela e propunha medidas concretas para a solução de problemas, inclusive de ordem económica. A sua situação privilegiada dentro da corte teria contribuído para que fosse encarregue de diversas missões diplomáticas na Holanda, França e Itália, como foi o caso do casamento do príncipe Teodósio. Em 1644, António Vieira proferiu os votos definitivos, depois de ter feito o terceiro ano de noviciado em Lisboa. A Companhia de Jesus começou a ver com maus olhos a sua influência nos destinos do país, ameaçando-o de ser expulso da Companhia. A pedido da mesma, voltou ao Brasil em 1653, para o estado do Maranhão e aí assumiu um papel muito ativo nos conflitos entre jesuítas e colonos, como paladino dos direitos humanos, a propósito da exploração dos indígenas. No ano seguinte pregou o Sermão de Santo António aos Peixes. Foi expulso do Maranhão pelos colonos, em 1661, e regressou a Lisboa. De novo na capital, D. João IV, seu protetor, havia falecido e D. Afonso VI, instigado pelos inimigos do orador, desterrou-o para o Porto e, mais tarde, para Coimbra. Perfilhando as novas expectativas sebastianistas que encontrou no reino, que se baseavam no juramento de D. Afonso Henriques, nas cartas apócrifas de São Bernardo, nas profecias atribuídas a São Frei Gil e nas famosas trovas de Bandarra, escreveu o Sermão dos Bons Anos, em 1642. Foi nesta altura que a Inquisição o prendeu sob a acusação de que tomava a defesa dos judeus, acreditava nas possibilidades de um Quinto Império e nas profecias de Bandarra. Entretanto, a situação política alterou-se. Destituído D. Afonso, subiu ao trono D. Pedro II. António Vieira foi amnistiado e retomou as pregações em Lisboa. Em 1669 parte para Roma como diplomata e obtém grande sucesso como pregador, combatendo o Tribunal do Santo Ofício. Na Cidade Eterna, continuou a defesa acérrima dos judeus e ganhou grande reputação, encantando com a sua eloquência o Papa Clemente X e a rainha Cristina da Suécia. Regressou a Portugal em 1675; mas, agora sem apoios políticos e desiludido pela perseguição aos cristãos-novos (que tanto defendera), retirou-se de vez para a Baía em 1681 onde se entregou ao trabalho de compor e editar os seus Sermões. A sua prosa é vista como um modelo de estilo vigoroso e lógico, onde a construção frásica ultrapassa o mero virtuosismo barroco. A sua riqueza e propriedade verbais, os paradoxos e os efeitos persuasivos que ainda hoje exercem influência no leitor, a sedução dos seus raciocínios, o tom por vezes combativo, e ainda certas subtilezas irónicas, tornaram a arte de Vieira admirável. As obras Sermões, Cartas e História do Futuro ficam como testemunho dessa arte."
(Padre António Vieira. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008.)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Invulgar.
Com interesse histórico.
15€

06 janeiro, 2017

LLAMAS, Fernando - O HOMEM PÁSSARO. Adaptação de... Pôrto, Editôra Educação Nacional, L.da, 1942. In-8.º (18cm) de 62, [2] p. ; il. ; B. Col. Contos para as Crianças e Mocidade, N.º 7
1.ª edição.
Ilustrada com bonitos desenhos de Maria Vasconcellos ao longo das páginas do texto.
Biografia de Clem Sohn (EUA, 1910 - França, 1937), um dos primeiros birdman (homem-pássaro), e percursor do wingsuit, desporto radical praticado por pára-quedistas experientes. Desenvolveu as suas "asas de morcego" feitas de lona e hastes de metal com as quais se dedicava à queda livre. Sohn, o mais famoso jumper da sua época, viria a falecer a 25 de Abril de 1937, quando num salto, durante um festival aéreo no aeródromo francês de Vincennes, o pára-quedas não abriu.
"Clem Sohn começou os seus treinos de descida em pára-quedas com o intuito de se familiarizar o mais possível com o reino dos ares. As repetidas e audaciosas descidas conquistaram-lhe um certo renome. Mas não era a fama de arrojado paraquedista que o seduzia. O seu sonho constante eram as asas, de que construira um novo modêlo. Quando se sentiu com suficiente firmeza para as utilizar, começou o seu aprendizado de homem-pássaro. O sucessivo emprêgo que delas fazia tinha por objectivo uma manobra cada vez mais perfeita. O seu desejo não era unicamente pairar no espaço, mas sim dirigir a descida e pousar no sítio que prèviamente tivesse determinado."
(excerto de No aeródromo de Gatwick)
Índice:
I - Um jovem sonhador. II - Os conselhos de James Rewer. III - O reino dos ventos. IV - A primeira experência. V - História do pára-quedas. VI - O vôo sem motor. VII - No aeródromo de Gatwick. VIII - Asas quebradas.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Escritos na f. rosto e de anterrosto.
Invulgar.
10€

05 janeiro, 2017

COMO A ALEMANHA ATACOU A NORUEGA : tradução oficial do Livro Branco. Publicado pelo Govêrno Norueguês Em 14 de Abril de 1940. Lisboa, Depositária : Livraria Bertrand, [194-]. In-4.º (23cm) de 8 p. ; B.
1.ª edição.
Interessante e pouco conhecido subsídio para a história da 2.ª Guerra Mundial referente aos países nórdicos.
"Em 9 de Abril de 1940 às 5 horas da madrugada o Ministro alemão em Oslo, Dr. Braüer, compareceu no Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega, e apresentou ao respectivo Ministro, Professor Koht, vários pedidos formulados pelo Governo alemão.
Algumas horas antes da apresentação dêstes pedidos as fôrças alemãs haviam atacado a Noruega. Cêrca da meia noite constou que navios de guerra estrangeiros tinham passado Foerder e penetrado no Fiorde de Oslo; três quartos de horas mais tarde veio a notícia de que houvera uma troca de tiros entre êstes vasos de guerra e os fortes noruegueses de Bolaerne e Rauer. [...]
Como já se disse, foi então que o Ministro alemão em Oslo apresentou os seus pedidos ao Govêrno norueguês. Entregou a Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega um Nota que declarava que enquanto a Grã-Bretanha e a França, no decurso da guerra contra a Alemanha, tinham sistemáticamente atacado os países neutros, a Alemanha pelo contrário procurava defender os direitos dêstes. O Govêrno alemão recebera documentos que provavam que a Inglaterra e a França tinham deliberado estender a guerra ao território dos países neutrais pela ocupação de Narvik e outras cidades na Noruega. Afirmou também que o Govêrno alemão tinha provas irrefutáveis de que esta ocupação se realizaria dentro de poucos dias e que era da opinião que o Govêrno norueguês não teria meios para resistir."
(excerto do texto)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capa com manchas.
Invulgar.
10€

04 janeiro, 2017

FARIA, Dutra - AO ACASO. Angra do Heroismo, Editora Açoreana, [1928]. In-8.º (18cm) de 101, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Primeira obra do autor na sua edição original. Interessante conjunto de curtas histórias.
"As nespereiras vergavam sob o peso dos frutos doirados e penagentos, que, tentadores, se ofereciam aos lábios. Os fetos, de um verde desbotado, cobriam o solo. Num ou noutra faia-da-terra, esguia, os canarios faziam suas despedidas ao astro-rei. Paredões orlavam o atalho, todos revestidos de musgo. Entre plantas trepadoras espreitava gomilosa corola. O mentrasto perfumava o ar. Na mata ia aumentando o escuro. Quase trindades!
Roberto, os olhos semi-cerrados, a boca num ricto de amargura, caminhava...
Lá longe, sineta esperta começou tocando, tocando. Tlim-tlim! Tlim-tlim! Logo o sino maior de São Mateus respondeu na sua voz sonorosa de quem está habituado a falar ao mar. E tambem o da Terra-chã acudia, mas humilde, humilde qual camponez do interior."
(excerto de Olhando o passado)
Índice:
- O esclarecido. - Elogio das côres. - Olhando o passado. - Impossivel! - Na saúdade. - Castelos... no ar. - Duas história verídicas: I. A louca. II. O entrevado. - De Salomé: I. Comentários. II. Sonho vermelho. - Cântico do meu Sentir. - Ada e Aga. - Borboletas doiradas!
Francisco de Paula Dutra Faria (Angra do Heroísmo, 1910 - Lisboa, 1978). "Foi um influente jornalista ligado ao integralismo lusitano e ao Estado Novo, que se destacou como director da ANI e como comentador televisivo durante os anos finais da Segunda República Portuguesa. Publicou também algumas obras de ficção."
(fonte: www.wikiwand.com)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Manchas antigas de humidade nas capas e no interior, ténues, ao longo da obra.
Raro.
Sem registo na base de dados da Biblioteca Nacional (BNP).
Indisponível

03 janeiro, 2017

MALHEIRO, A. Ménici - BRAGA CONTEMPORÂNEA : a caminho da luz... Vila Nova de Famalicão, Tip. «Minerva», de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão, 1933. In-8.º (19cm) de122, [2], LVII, [3] p. ; B.
1.ª edição.
Rara edição original desta polémica obra de Ménici Malheiro sobre a história de Braga.
Muito valorizada pela sua dedicatória autógrafa a Pereira da Conceição.
Sumário:
I - Da fundação de Braga até 1820. As prepotências da Igreja. II - De 1820 à Revolução de 31 de Janeiro. III - A Revolução de 31 de Janeiro. IV - Interregno (A minha geração). V - A Revolução de 1910. VI - Da Proclamação da República até à Grande Guerra.
Em Verso: Salvé Pátria! - Hino à Pátria. Viva a República! Cinco de Outubro. Ao Dr. Afonso Costa. Saüdação (ao Dr. Domingos Pereira). Á «Luz e Liberdade».
Efemérides Liberais [para todos os dias do anos].
António Ménici Malheiro (1882-1963). “Um republicano bracarense indomável e radical. De entre os difusores do republicanismo em Braga, merece-nos uma apreciação mais demorada a figura de Ménici Malheiro. Esta personagem reclama-nos uma atenção particular não tanto pelo protagonismo evidenciado no aparelho político-administrativo do Estado ou do Partido Republicano – não detectável, de facto, nos planos local ou nacional –, mas sobretudo pelo intransigente e imoderado (diríamos mesmo, apaixonado) radicalismo republicano que patenteará durante toda a sua vida. Ménici Malheiro escreveu um significativo número de obras, distribuídas pela prosa e pela poesia, as quais, na sua maioria, permanecem ainda inéditas. E os escassos títulos editados por este autor terão sido alvo, por regra, de pequenas edições. Nos seus escritos, ao longo dos seus 81 anos (9 de Abril de 1882 a 9 de Maio de 1963), Malheiro patenteia um pensamento com contornos que oscilam entre o positivismo e o deísmo, vitupera acidamente a Igreja (e em particular os jesuítas) pelos atrasos do país, denuncia a miserável condição do povo, a opressão da ditadura salazarista e propõe soluções para o progresso do país assentes numa forte intervenção do Estado – o qual, mediante um alargado apoio aos mais pobres, deveria induzir uma maior igualdade social. Malheiro concluiu a maior parte dos seus escritos já em pleno Estado Novo, mas a natureza da prosa e da poesia, que então escreve fundamentalmente “para a gaveta” – porque estes textos não podem resistir à censura instalada e o autor, por seu lado, corre o risco da repressão pela polícia secreta do regime –, ostenta o inconformismo que alardeava já aquando da aurora da República.
Em Braga Contemporânea, Ménici Malheiro intenta a escrita de uma história da cidade de Braga e da região. A obra divide-se em seis capítulos, sendo a redacção do primeiro, que se estende desde a fundação da cidade até 1820, apoiada quase exclusivamente nas Memórias de Braga, uma obra póstuma do padre Sena de Freitas. Os três últimos capítulos (“Interregno – a minha geração”, “A Revolução de 1910” e “Da Proclamação da República até à Grande Guerra”) abordam uma época vivenciada pelo próprio autor, valorizando-se pelo registo de um testemunho pessoal sobre os muitos factos e episódios então ocorridos – no desenrolar dos quais Ménici Malheiro foi ora um observador, ora um interveniente directo –, mas não deixando simultaneamente de evidenciar um traço acentuadamente opinativo e subjectivo na análise efectuada, a par de algumas manifestas incongruências. Malheiro denuncia no clero bracarense a persistente aversão ao progresso, o que explica a sua resistência à chegada do comboio à cidade, no século XIX. Malheiro lamenta-se de que nos inícios do século século XX, e devido ainda à acção perniciosa da Igreja, muitos bracarenses continuem como “ovelhinhas narcotizadas”, subscrevendo por isso a opinião de que ser republicano em Braga é ser um verdadeiro herói. Mas, exaltando o triunfo da República e do espírito da Liberdade, Malheiro lembra que a cidade de Braga, apesar desta ambiência adversa, conseguiu furtar-se às garras aduncas dos milhafres clericais."
(CAMPOS, Amadeu José Campos de Sousa, Entre Monárquicos e Republicanos numa ”Cidade de Deus” - História Política e Social de Braga no Contexto Nacional (1890-1933), Coimbra, 2010. Fonte: https://estudogeral.sib.uc.pt/.../3/Vol%20I%20-%20dissert%20Amad%20Sousa.pdf)
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Capas frágeis com defeitos.
Raro.
25€